sábado, 31 de dezembro de 2011

Feliz Ano de 2012!!!

É um lugar comum esta renovação de votos de Bom Ano. A força do poder simbólico do calendário impõe a confiança de que mudar de dia, de mês e de ano, cria as expectativas de realização dos sonhos e projectos que ficaram por cumprir. Não faz confiar que é no próximo ano que se realizam. E faz bem gostar, e desejar, que a manifestação material do sonho se manifeste. Na verdade, dizem os augúrios e as previsões mais optimistas que vai ser um ano ruim. Talvez pior do que aquele que passou.Mas também é verdade que quer aquele que se fina, quer aquele que se anuncia neste advento breve, são marcos da História portuguesa. Haveremos de ouvir falar muito, daqui a muitos anos, sobre estes dois anos infernais que estamos e iremos viver. Temos sido actores e testemunhas de um tempo único da nossa contemporaneidade. Vai ser para os que sobreviverem a este psicodrama social, económico, financeiro e moral, uma memória forte cheia de ensinamentos. Talvez das mais fortes para os mais jovens. Depois da Guerra Colonial, nunca houve anos assim.
Confesso que não guardo saudades de 2012. Mas guardarei a memória. Perdi dois grandes amigos - o Zé Niza e o Vitor Gaspar - e pela primeira vez na minha história de vida, a saúde deu sinais de cansaço em cada mês que passou. Até ao hospital, esse mundo asséptico e impessoal, cheirando a desinfectante e a gestos técnicos. Foram meses, doze meses, de cansaço, de dores, de solidão. A hérnia discal que não deu tréguas até meados do ano, o coração que começou a desafinar e, finalmente, esta irritante diverticulite que me pôs KO. Valeu a entrada em funcionamento de dois Centros Escolares, o novo Conservatório de Música de Santarem, o arranque das obras da cidade judiciária, a velocidade de cruzeiro da rede de saneamento que vai colocar o concelho em níveis europeus. Também valeu o meu romance, a Opereta dos Vadios, que já vai na 4ª edição, o filme que escrevi para a RTP.
Fica-me na memória esta quadra festiva. Vivida e festejada a comer arroz branco, iogurtes naturais, enfartado de antibióticos, repartido entre o hospital e a minha casa. E valeu o convite da TVI para escrever uma série de ficção. Vinte episódios que vou alinhavando durante este retiro forçado
Mas fica,sobretudo, o afago doce e terno dos meus filhos e netos. Dos meus amigos. Nestas horas mais difíceis reencontramos quem perdemos há muito tempo. E agradeço, comovido, as centenas de chamadas,sms, email's com que se foi alimentando a fraternidade e o amor. Sinto-me rico, no ano mais pobre que vivi nos últimos vinte anos. É isso que 2012 nos vai trazer com maior força. O valor da amizade intensa e clara. Sem calculismos, sem cinismos. A crise torna-nos o carácter mais límpido, a doença obriga ao confronto com os mais profundos afectos.Para o ano tudo será muito melhor. Tenho a certeza. Pois a força da Vida é bem maior do que todas as incertezas e fragilidades. Bom Ano Novo para todos.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Estou doente mas bem,obrigado!


Sabem o que é uma diverticulite? Nem queiram saber. É assim, uma espécie de infecção no intestino grosso que nos impõe uma dieta horrível, que nos atira abaixo com febre, que nos rouba as forças e, ainda por cima, incomoda sériamente. Se nos descuidarmos pode matar. Se tormarmos precauções, vive-se com decência. Confesso que aturei esta companhia nos últimos meses, quase em segredo, até porque achava graça ao nome: diverticulite! Conseguia trabalhar, escrever, suportar o ritmo de trabalho, viver com a mesma paixão com que percorri a vida. Sem desistir e servindo com a mesma determinação de sempre.
Porém, o médico - há sempre um médico que embirra com a vontade de um homem - acabou com este faz de conta e impôs o meu internamento. Três dias a pastar antibióticos. A meter para a veia! Pronto, é só isto.  Daqui a três dias regresso. Não se incomodem, coisa que me dá jeito pois o meu telefone não pára de tocar.  E dava-me jeito que não tocasse. Ao menos posso gozar a 'pedrada' com mais calma. Daqui a três dias estou de volta e tenho a certeza de que a única coisa que me vai doer, eventualmente, será algum desaire do meu Sporting. Um abraço comovido a todos os que puseram as últimas horas da minha casa e do meu telemóvel em alvoroço. Ainda não é desta! Gozem um bom fim de semana. E obrigado pelo silêncio.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Solidariedade com os benfiquistas!

Calhou-nos o Marítimo para a Taça de Portugal. Vingaremos a mágoa benfiquista pela eliminação num gesto de boa vontade natalícia!!

domingo, 4 de dezembro de 2011

Filme 'Encosta-te a Mim'

O meu filme Encosta-te a Mim já está a ser rodado para a RTP. O Protagonista é o Vitor Norte. O Realizador é o Lourenço de Melo. O Produtor éo Luís Fialho Rico. Três nomes que dão garantia de sucesso e bom gosto.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

O Estripador des Lisboa apareceu!


Quase vinte anos depois de uma onda de terror atravessar a noite de Lisboa devido a uma sucessão de assassinatos de prostitutas, o Estripador de Lisboa (como ficou conhecido) surgiu á luz do dia. Pelo menos parece ser ele, depois de ouvir as confissões que relatou á jornalista Felícia Cabrita e que a RTP transmitiu. Foi um tempo de fúria. O Director Geral da PJ era o agora jubilado juiz conselheiro Mário Mendes. Eu trabalhava junto dele e recordo-me do alvoroço que despertou nas brigadas de Homicídios, então chefiados por um polícia notável, o Coordenador João de Sousa.
Trabalharam-se noites e dias sem limite, pesquisando tudo, colocando todas as hipóteses, procurando crimes análogos no estrangeiro. A brutalidade dos crimes,com as vítimas esventradas, e o forte impacto jornalístico, alarmou a cidade e escreveram-se as histórias mais desencontradas sobre o caso. Eu próprio, com o Luís Filipe Costa acabei por escrever a série Os Polícias, para a RTP, tendo o Estripador de Lisboa como fonte inspiradora. Teve um êxito extrarodinário e boa parte dele deve-se ao fascínio que o conjunto de crimes provocou na sociedade portuguesa.
Agora surgiu quando os homicídios que cometeu em Lisboa já prescreveram, embora ainda esteja em condições de  ser julgado por outros homicídios que terá cometido quer em Portugal quer na Alemanha. Para já está preso. O mito desvaneceu-se.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Adeus Vitor, até um dia!


Escrevo seis horas depois de me ter despedido de ti. Estavas rodeado por excelentes médicos que fizeram tudo para te salvar e havia desalento nos seus rostos. Teimaste em partir depois de tantos esforços clínicos e mesmo quando te segurei a mão, procurando puxar-te para a Vida, suplicando o teu nome para que regressasses, a Morte omnipotente e silenciosa, levou-te para o lugar do céu onde habitam os homens bons. Mal sabia, no dia em que te convidei para seres vereador na minha equipa, que este mandato seria tão bruscamente interrompido por uma única hora! Uma hora foi suficiente para que se instalasse a dor do teu peito e para que findasse defintivamente. Uma hora!
Quero sublinhar as tuas qualidades de Vereador, a quem Santarém tanto fica a dever, mas as lágrimas que não chorei desde que partiste varrem-me os sentidos e as memórias. Das noites de tensão e sofrimento para que o convento de S.Francisco fosse pedra renascida na nossa cidade. Dos dias de trabalho intenso preparando o Dia de Portugal e de Camões, sem dormirmos, sem comermos, vivos e inteiros respirando a força da Cidade. Das tuas ideias para inventar dinheiro e incrementar iniciativas que fazia nascer do teu amor por Santarém. Dos concertos de órgão, da Rota das Catedrais, dos Pequenos Cantores de S.Francisco, das homenagens a Santareno, do teu investimento tão apaixonado nas hortas sociais, no apoio aos que mais sofrem, orgulhoso da terra que ajudavas a governar com tanto talento como paixão, da amargura perante o contigentes de pobres, cada vez mais pobres, que esta maldita crise tem trazido até nós. Foram tantos dias e tantas noites e, agora, que tudo acabou, sinto que foram tão poucos dias e tão poucas noites que sinto uma pobreza imensa dentro de mim.
Vai ser duro conviver sem o líder apaixonado que dirigia equipas entusiasmadas. Ainda mais duro porque és um dos raros homens que trabalhava com a cabeça e com o coração. Inteligente. Culto. Solidário! Que eras grande para saberes emocionar-te com as pequenas e grandes coisas que realizávamos, que tu realizavas e comigo partilhavas num entusiasmo deslumbrante, indiferente á mediania do pensar que procurava remeter para a mediocridade a força da invenção deste amor sem limites a um povo inteiro.
Perdi outro amigo. Um grande amigo cuja partida me despedaça o coração. Nem Santarém sabe como perdeu um homem de generosidade sem limite,trabalhador sem horas, defensor militante das causas maiores de um concelho tão nobre.
Bastou uma hora! Numa hora que teve um princípio e terminou no infinito. No infinito da tua Matemática que teimavas em recusar que não se confundia com o infinito da minha Metafísica. Esta discussão iremos continuá-la depois, quando nos encontrarmos no Infinito, para voltar a trocar o abraço fraterno do novo e decisivo reencontro. Por agora, deixo a tua mão. Ficas guardado no centro da memória fraterna, entre outros amigos que já partiram, á espera do Tempo semeado de saudade e de tristeza, mas com Santarém eterna na alma e nos sentidos.
Adeus, Vitor Gaspar! Adeus meu breve e intenso companheiro de jornada. S. Francisco, o nosso S.Francisco bem sabia, 'que é morrendo que se vive para a Vida Eterna' e nela, um dia, havemos de nos encontrar!

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Encosta-te a Mim


Terminei!! Há três meses comecei a escrever um filme por causa de uma canção. Encosta-te a Mim do Jorge Palma. A letra leva-nos por vários caminhos. Levou-me pelos caminhos de uma história sobre as relações de um puto com o pai, tocadas pela toxicodependência. Está certinho, bonito e forte. Brevemente será mesmo filme. Regresso á minha Luisa de Gusmão. Daqui por um ano estará nas bancas, se as noites continuarem a ser assim, longas e exaltantes, e a saúde não faltar.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Quando a Política está de cabeça perdida


Somos testemunhas de um tempo único. Os últimos acontecimentos na Grécia e a reacção europeia é bem reveladora da desorientação que se apossou deste sonho europeu que, velozmente, se está a transformar em pesadelo.A Política interesseira, mesquinha, com dimensão paroquial, mesmo que a paróquia seja do tamanho de um país, estrebucha. A Vida, com as suas vitórias e derrotas, é bem mais forte do que os medos da Srª Merkel face ás eleições que brevemente tem de enfrentar (assim como o senhor Sarkozy) e todos os bandos de salteadores que se escondem no eufemismo dos Mercados. Bastou a Grécia declarar que ia referendar o sacrifício para a União Europeia revelasse a desunião. E agora, vinte e quatro horas depois, quando o governo já desistiu do referendo, o susto foi tal que não se sabe quando a confiança regressa. Afinal, que fez o grego? Levantar a hipótese do Povo se pronunciar sobre este assalto dos 'Mercados' (palavra estranha para designar especuladores). Quando o Povo é mártir que raio de razão existirá para que não seja consultado sobre outros caminhos? Porque o outro caminho é o abismo, responde o coro. Talvez seja outro abismo.Mas este, onde nos encontramos, já é tão profundo que não conheço um único vaticinador que garanta o dia em que deixaremos de pensar o futuro com amargura. E já agora com sentido de Liberdade, coisa que entregámos sem luta, servos de um tempo em que a omnipotência dos 'Mercados' destrói a vida de milhões e desfaz as perstivas de futuro de muitos mais milhões. Afinal, para que serve o Povo? E neste caso, o Povo Grego? Talvez se saiba daqui por mais algumas semanas depois deste psicodrama bacoco e ridículo que esta semana varreu a Europa. Até, ajoelhemos e louvemos as virtudes dos 'Mercados'. Ámen

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Dois Anos, Três Escolas


Faz hoje dois anos que ganhámos as eleições para a Câmara de Santarém. A maior vitória alguma vez conseguida por uma força política nesta capital. Quisémos celebrá-la abrindo um novo centro escolar. O Centro Escolar Salgueiro Maia. E iniciando as obras num outro centro escolar, no Sacapeito, que estará terminadas para finais de 2012. Já neste mandato tinhamos construído o Centro Escolar de Alcanede e em Janeiro virá o quarto - Santarém Norte. Ao todo são perto de 12 milhões de euros de investimento.
Nestes dias tenho procurado fazer o balanço destes anos.Desta viagem que iniciei com 52 anos.A minha filha tinha 7 anos, o meu neto mais velho tinha 3. Recordo-me do dia da posse do primeiro mandato. De ladear o Jardim da República para evitar os toxicodependentes e prostitutas que ali se acoitavam e sabia do trabalho, da imensidão de trabalho, que estava á nossa espera. Era tanto que os primeiros quatro anos passaram em vertigem. E agora, passaram dois e parece que foi ontem. Poderia olhar para trás e fazer a apologia do que fizémos e de como mudámos Santarém.Foi tanto o trabalho realizado, foi tanta a energia concentrada e reinventada para transformar e dar competitividade ao concelho que seriam páginas inteiras de exemplos, de obras, de entusiasmos, de alegrias e de tristezas.
Nestes dois anos, não tivémos só de enfrentar problemas previstos. Tivémos de enfrentar uma crise que, sendo previsível, as dimensões são devastadoras para o país. A amargura e a incerteza habita em milhões de homens com destino e futuro incerto. No nosso destino e no nosso futuro cheio de incertezas. Mas sendo essa a preocupação central que marca as nossas vidas, sendo uma batalha desproporcional entre quem resiste e o verdadeiro 'tsunami' financeiro e económico que abrasa a Europa e, em particular, Portugal, apenas da serenidade pode responder a estes momentos dificeis e deixar que nos revelemos. É nestes momento de maior dificuldade que os homens se revelam. Na sua grandeza ou na sua mediocridade. Emaranhados nas sua revoltas e insurreições interiores ou seguros, firmes, serenos, olhando a tempestade de frente.  Aprendi isso na PJ. Quando a morte rondava, quando os limites eram testados, a resposta era sempre a mesma: desafiar o risco com a serenidade que a coragem nos dá. Controlando o medo, agindo sobre a Vida para que ela sirva, servindo o bem público. E sei, um saber do coração, que haveremos de vencer esta tempestade. Para que os nossos putos tenham direito á felicidade.Apesar de tudo, nesta hora de balanço, por Santarém, em nome do juramento que fizémos em bem servir, aí estamos entregando futuro a quem precisa de um país mais próspero e preparado. 
Hoje a minha filha tem treze anos. Nela revejo a alegria de todos os miúdos a quem temos dado Santarém e, como repito todos os dias nas minhas preces, sei que os meus netos, os nossos netos terão orgulho na obra e no caminho que lhe deixámos para andar. Viva Santarém!  

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Novo Relvado em Santarém

Domingo, dia 7, abre mais um novo relvado sintético na Moçarria. A seguir será Pernes e Alcanede.Cumpre-se um velho sonho. Está certo! Um investimento de cerca de 300 mil euros da Câmara e do Qren. Vamos á vida que ela não se compadece de quem não a ama e só sabe lamentar-se! 

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Novo Conservatório de Música de Santarem


O Conservatório de Música de Santarém tem um longo e prestigiado passado. Nasceu mal instalado e, embora nunca tivesse deixado de produzir bons músicos, cresceu torto, metendo água pelos telhados, uma espécie de colmeia, que produzindo mel, apertava em claustrofobia músicos, professores, alunos. Apenas a música se soltava livre e encantatória. Durante quase duas décadas não houve autoridade local e nacional que não reconhecesse a necessidade de entregar ao Conservatório um fato decente. Mas sempre a promessa saía adiada. Ou eram as novas instalações ou era o equipamento ou era a falta de dinheiro ou a vontade política, muito portuguesa, de reclamar, de mostrar indignação, protestar mas sempre cómodamente instalados na mesa do café, na assembleia municipal ou em qualquer sede partidária de maior radicalismo indignado. Por vezes, no meio desta crise de valores, não se consegue conter um sorriso perante tão veementes opiniões...confortávelmente instaladas. No fundo, no fundo, julgo que este adiamento sucessivo se deveu a uma única razão: a esmagadora maioria dos protestadores, intencionados, motivados, crentes e descrentes não gosta de música. Bem sei o que oiço e leio quando a música escorre por Santarém. Não gosta, pronto! Não gosta dos mistérios das pautas, da organização de notas que esvoaçam e não se conseguem meter no bolso, embora com muitas palmadinhas nas costas, o Conservatório que se governasse,os professores que aguentassem, os alunos que se esforçassem, mas que tinham muita pena, tal e tal, e como sempre a culpa era da Câmara.
Devo confessar que recebi a autarquia, quando fomos eleitos. sem sentir qualquer culpa. Mas gostando de música, uma das paixões mais intensas que determinam a minha vida. E avançámos. Com muitas dificuldades é certo. Os projectos de som eram complexos e sofisticados. Era preciso arrumar espaço e criar outros espaços para grupos culturais. Olhares desconfiados, palavras cépticas, tanta promessa, tanto acto solene, tanta declaração de princípio e, agora, era este executivo (que por ser apoiado pelo PSD forçosamente tinha que ser contra a música, pois a a música é um património da Esquerda. Wagner, Mozart, Beethoven, tudo rapaziada de verso e notas ligeiras e militantes) que ia fazer o novo Conservatório?! Tretas!
Inauguramo-lo amanhã, dia 6 de Outubro, com a presença do Secretário de Estado da Cultura, Francisco José Viegas. 960 mil euros de investimento, parte do QREN, a restante parte da Câmara Municipal e a alegria de saber que a música continua a nascer no ventre de Santarém. Mais limpa, mais liberta, mais segura e, de certeza, mais bela. A promessa cumpriu-se, com muito trabalho é certo, e vai ser um dos dias mais felizes da minha vida á frente da Câmara Municipal de Santarém.  Ainda por cima, é um modelo de qualidade, uma escola viva. Que professores e alunos a disfrutem com prazer. Nós esperamos o prazer dos seus concertos. Nada mais exigimos em troca.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Funeral de José Niza


Quero informar todos os amigos e admiradores de José Niza de que o seu corpo estará em câmara ardente nos Paços do Concelho de Santarem a partir das 19 horas de hoje. Sairá daqui amanhã, pelas 10 horas, para o cemitério local onde serão realizadas as exéquias religiosas. Convido-vos a vir até nós neste momento tão doloroso para o País e para Santarém para prestarmos a nossa homenagem a este princípe da música e da cidadania.

Última carta a José Niza

Meu Caro Zé:

Sei que a minha carta anterior ainda chegou a tempo mas que já não houve tempo para mais nada. Partiste hoje, em paz com mundo que amaste, com os poetas que viveste, com os músicos que tocaste, com os teus poemas e músicas, connosco, afinal, no coração. Hoje, agora, Depois do teu Adeus, deixo-te outra vez um abraço, pois sei que a Morte não existe. Um abraço de lágrimas, é certo, que é com mágoa profunda que sei da tua partida, quando tanta falta fazias a este país e a Santarém. A tua partida é o mais rude golpe que a crise provocou na cidade do teu coração.E sei que conforme sabe da trágica notícia, a tua cidade chora por ti. Mas alegra-te, homem, que é um choro de aplauso, de gratidão, de reconhecimento, de admiração, de afecto por um dos seus melhores filhos. E não te perturbem estas palavras molhadas com que te digo Adeus até Depois do Adeus. São escritas por lágrimas ditadas pela coração. Adeus, meu querido amigo. Até depois Adeus.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Carta a José Niza

Meu Caro Zé:

Nós sabemos quanto nos estimamos para pôr de lado os cumprimentos iniciais. Amizade feita de amor ás causas da cultura e da cidadania. Feitos do mesmo barro. Ambos metemos as mãos na música, nos poemas, na escrita sabendo que com essas ferramentas inventamos um bocado de vida e damos dimensão solidária á existência colectiva. Somos operários da mesma massa, não fazemos de conta que somos. Por outro lado,sou mais novo do que tu e talvez, mesmo depois de tantas conversas sobre cantigas e prosas, ainda não te tenha dito como foste importante para mim, para que eu pudesse deixar as marcas pela vida vivida. Nunca te disse a importância que tiveste na minha obra literária, um dos mitos, um talento que associas a um humor inteligente, coisa rara, apanágio dos grandes homens. Há anos, quando celebrávamos o 25 de Abril, erguendo a tua obra musical como pano de fundo das comemorações em Santarém, fi-lo por mereceres essa homenagem mas nem imaginas (não quis que transparecesse) o prazer interior em colocar-te, colocar uma das minhas referências culturais, no altar ético da Liberdade.
E hoje, exactamente hoje, num dia de desilusão sobre o carácter egocêntrico de boçais disfarçados de homens cultos, neste dia que rompe com o equinócio de Outono, sabendo pela tua filha notícias do teu viver, precisava de te dizer quanto gosto de ti, que soubesses por palavras escritas pelo coração como estou aflito com a tua saúde, como incapaz de outro medicamento te imploro que te ponhas bom e uso o único remédio que tenho á mão, rezando a S. Francisco pelas tuas melhoras. Precisamos tanto de ti, Zé. Esta cidade precisa tanto de ti e da tua inteligência arguta, do teu talento e bondade, que não sei pedir outra coisa que não seja: volta depressa. Esperamos por ti com saudades.

Um abraço fraterno do teu amigo

Francisco Moita Flores

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Passos Coelho na RTP - Boa Prestação!


Passos Coelho deu uma boa entrevista ao assinalar o centésimo dia de governo. Boa, no sentido da seriedade e da verdade.Má no sentido das previsões. Desnudou a crueldade da situação financeira do país. Explicou cortes e impostos. Foi claro e sem subterfúgios. Má porque, pela primeira vez, faz o reconhecimento público da nossa dependência externa e da sorte dependente de outros países. Particularmente da Grécia. Ou por outras palavras, todos os sacrifícios que estamos a fazer não terão valido de grande coisa se a Grécia entrar em bancarrota, situação para a qual se aproxima velozmente. A ser assim, tal como suspeitava há muito, não conheço o lugar onde mora a esperança.

domingo, 18 de setembro de 2011

Justiça Cega - RTP Informação



A partir desta 2ª feira, todas as 2ªs feiras, ás 22.30, estarei com os meus amigos Rui Rangel e Marinho Pinto a debater assuntos de Justiça, com moderação de Alberta Marques Fernandes. O programa chama-se Justiça Cega, terá a duração de hora e meia, e vão ser conversas rijas e sem preconceitos sobre os problemas da Justiça. Quem nos quiser acompanhar, está convidado a assistir na RTPN que hoje finda e que a partir de amanhã passa a chamar-se RTPInformação.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Centro Escolar Salgueiro Maia

Entrou ontem em funcionamento mais um novo Centro Escolar em Santarém. Depois daquele que foi construído em Alcanede, um ano depois, abriu este para as nossas crianças de Santarem (Salvador) . É lindissimo. Mais de dois milhões de euros de investimento. Valeu a pena. Os putos estão todos contentes.Para o ano abrirá o terceiro.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Á Memória de Santinho Cunha

Cemitério de Macedo de Cavaleiros. Mumificados.Faz hoje anos que em Paris, com o meu querido amigo e mestre prof. Santinho Cunha, apresentámos o nosso estudo sobre mumificados resultante da investigação realizada sobre centenas de cadáveres. Um contributo, que hoje se sabe, foi decisivo para as novas técnicas de sepultamento, poupando-se milhões de euros, e um momento alto das nossas carreiras  académicas.
Só Deus sabe como foi duro, extenuante e difícil. Como doeu no corpo e na alma. Santinho Cunha já cá não está para apreciar as consequências do nosso trabalho. Descansa bem longe, ou talvez muito perto, por tanto caminho que andámos, sofremos e vivemos tão apaixonadamente.Não há dinheiro que pagasse este esforço. Foi a paixão pela descoberta e o prazer de descobrir o melhor prémio. Hoje, recordo-o com uma saudade irreversível. E tenho-o como exemplo e referência, neste tempo de miséria moral, para prosseguir o caminho que me falta percorrer até ao nosso encontro definitivo para continuarmos a nossa conversa tão brutalmente interrompida sobre as coisas do sagrado e do Profano. Até um dia, meu amigo. Até um dia!

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

O Abismo está aí


Começo a perceber sinais de alarme que julgava, há bem pouco tempo, não passar por eles.Mas a verdade é que nnão vale a pena iludir por mais tempo a fé. Sou um homem de fé. Em Deus e nos homens. Na nossa capacidade para transformar o sofrimento em energia, de revolver montanhas perante grandes adversidades. A nossa História tem sido isso. Vencer a cada dia os Velhos do Restelo. Matá-los com a energia de quem sabe que o trabalho, a determinação, a paixão têm o poder de um exército. Sei que seríamos capaz de suportar todos os cintos apertados que o Governo nos está a impôr. Somos o povo que aprendeu a arrancar as ervas do chão e transformá-las em manjares que matam a fome. As couves e as beldroegas, os coentros e os espargos foram armas durante muitas guerras contra a fome e as crises.
Porém, estamos cercados. O exército de especuladores financeiros perdeu o sentido moral, desmascarou-se na luxúria da predação e, agora, perante a nossa perplexidade, a Grécia, a pátria da democracia e do pensamento cultural, está ás portas da morte. Juros de dívida acima dos 100% é o fim de qualquer família, de qualquer comunidade, de qualquer Estado. Os bancos estão em pré-falência e a queda da Grécia é a falência de todos nós.E a Europa, a tal Europa do euro passou a chamar-se Alemanha. Nunca pensei escutar com tanta atenção a chanceler alemã.As suas palavras e acções são hoje mais importantes do que qualquer outro presidente ou primeiro ministro.E não deixo de admitir como ironia histórica que a senhora Merkel está a cobrar a factura pelas derrotas sofridas durantes as guerras que humilharam a Alemanha no séc. XX.Os seus aliados de hoje (inimigos de ontem) estão á sua mercê e do povo alemão. Arruinados já não podemos comprar produtos alemães. Não compramos, não interessamos. Talvez seja um pensamento demasiado redutor. Talvez a tragédia grega que se adivinha iminente ainda possa ter uma solução e não nos arraste para a miséria completa. Mas não existe uma única notícia que nos dê essa esperança.Pelo contrário. Os sinais apontam para o colapso. É certo que não morreremos enquanto Povo e Pátria. Que teremos de recomeçar tudo outra vez. Mais uma vez. Contudo, não consigo afastar esta amargura ao perceber que vamos entregar aos nossos filhos, um sacrifício por herança. Estou preso de uma perplexidade angustiante.Confesso que não sei como vamos sair daqui.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

A EPC é do Povo de Santarém


Tenho para mim que quem trabalha apenas por dinheiro, por mais dinheiro que acumule, não passará de uma pobre criatura. E estou convencido, em profissão de fé, que o trabalho é construtor de vidas e serão mais ricas quanto maior paixão se investir naquilo que se faz.A paixão molda estéticamente o investimento no trabalho, pode provocar insónia e angústia, mas torna-o redentor.É esta convicção profunda que nos permite, por instantes, embora com muitos instantes iguais ao longo da vida, tocar a felicidade. Ensinei esta sacralidade da paixão pelo trabalho aos meus filhos e sei que dela retiram prazer nas suas fainas. E eu continuo assim, indiferente ao ruído que mitifica o dinheiro, a riqueza, o poder efémero de ter e de não ser. Cheguei agora a casa depois de vir do jantar de despedida de um velho amigo. O Lico reformou-se hoje. Dezenas de homens e mulheres que trabalharam, ou trabalham, nas Brigadas de Homicídios da PJ foram lá dar-lhe um abraço. Falámos dos nossos casos. Dos crimes desvendados. Das noites á fio, sem dormir e sem parar, apaixonados pelo trabalho (por cada noite de trabalho ganhávamos duzentos escudos - um euro!) e não dávamos tréguas até conseguirmos repôr a justiça possível. Passaram vinte anos desde esse tempo que esta noite rememorámos, e comemorámos, repetindo um ritual de vida que só a paixão explica.
Hoje mesmo, no dia em que o Lico se reformou, a Escola Prática de Cavalaria, símbolo maior da democracia portuguesa, símbolo da liberdade e da tolerância, símbolo da diferença e da igualdade, passou definitivamente para a posse da Câmara Municipal de Santarém, ou seja, para as mãos do povo de Santarém.Foram quatro anos de trabalho. De insónia. De discussão. Muitas vezes de confronto. Tantas vezes de paixão envolvida nos argumentos e nas certezas e nas dúvidas. A verdade é que não existe prazer sem sofrimento. Mas também não existe coisa alguma, a não ser o nada, para quem teme o sofrimento e apenas vive a ânsia do prazer. A primeira vez que discuti a aquisição da EPC falaram-me de um projecto imobiliário. A riqueza, o dinheiro, antes da paixão. Fui muito duro. Não se pode trocar um pedaço de memória, ainda por cima da nossa memória mais rica e sonhadora, por meia dúzia de prédios de três assoalhadas. Não se pode trocar o símbolo maior do afecto por um baú cheio de patos-bravos. Não se pode deixar morrer, entre umas dúzias de tijolos, um bocado farto da herança cultural, civilizacional que os heróis da EPC entregaram a Santarém e ao País. Foi duro romper esse cerco inicial. Mas rompeu-se. Á força de teimosia, por força da paixão pelo trabalho contra as ambições de quem vive para o dinheiro e dele respira a pobre vida medíocre. Foram quase quatro anos de combate. De insónias, de angústias, de tantos silêncios, mas com a covicção profunda que a EPC só poderia ser o exemplo de uma terra de liberdade.Ou seja, propriedade de uma utopia maior que qualquer sonho. E ergueu-se passo a passo. Hoje deu um passo de gigante. Pertence difinitivamente ao Povo de Santarém. Em Janeiro estará construída a Cidade Judiciária. Em Janeiro arrancará a Fundação da Liberdade. Pedra a pedra. Com sacrifício, com sofrimento, com pouco dinheiro, mas com a paixão nos olhos e na alma. Hoje sinto-me feliz. Por momentos, é certo. Como naquele outro tempo, em que por duzentos escudos, lavrávamos os dias e as noites de Lisboa á cata de criminosos.
Sei que o Lico se reforma e não sai rico de algibeira farta. Mas sai da PJ com uma fortuna no lugar do coração. Infelizmente são muito poucos aqueles que gozam este prazer de uma vida tão intensamente vivida e, por isso, tão rica. Hoje mesmo, Santarém apropriou-se desse pedaço de chão que dá sentido á alma liberta do País, na sua pureza mais inocente. O chão da nossa memória que o trabalho abençoou.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Investimento, Cavalos e Futuro em Santarém


Passámos de um tempo em que se desprezava a despesa e o então Governo anunciava investimentos, atrás de investimentos, para o novo tempo que  a moda é falar no corte da despesa, sendo a palavra investimento quase crime, banida, escorraçada do lugar comum da política. E a verdade é que sem corte nas despesas o País entra em falência e se não investirmos o mesmo País não gera riqueza para criar emprego e pagar dívidas. É a procura deste ponto de equilíbrio que nos fará dobrar o Cabo das Tormentas deste verão tão cheio de inverno, do futuro tão cinzento que precisa de pelo menos um raio de sol.
Há cerca de um ano que trabalhamos, em Santarém, com este propósito no olhar, negociando com parceiros brasileiros investimentos e produção de riqueza que a depauperada economia portuguesa e escalabitana não consegue. Depois de várias visitas de criadores de cavalos e de equipas de técnicos de 'haras' (unidades de produção e criação de cavalos) que fizeram o estudo da região, depois das negociações com o Jockey Clube de São Paulo (uma das unidades equestres mais prestigiadas do mundo) a Câmara de Santarém assinou com esta agremiação um protocolo de cooperação que cria, em Santarém, uma sucursal do Jockey Clube. É um passo extraordinário para o futuro dos campos e da indústria cavalar na região, criando mais emprego, gerando maior produção e riqueza. O Brasil é, hoje, uma das maiores potenciais mundiais neste domínio e interessa-lhes o mercado europeu. Santarém é históricamente uma região associada ao cavalo (somos o distrito como mais cavalos a nível nacional) e precisa deste incentivo para reanimar uma economia rurural há muito tempo deprimida. Valeu a pena o esforço e a intensidade do trabalho desenvolvido pelos nossos técnicos com os técnicos brasileiros. Mas não podia deixar de sublinhar o entusiasmo do Governador Dr. Luis Fleury, a sua paixão por Portugal, e o seu empenho para que o trabalho desenvolvido pelas duas partes culminasse na assinatura deste documento de trabalho para o futuro. Também queria agradecer o interesse do senhor Consul Geral de Portugal em S.Paulo cuja disponibilidade e empenho foi um precioso alento.E um abraço especial a todos aqueles que, aqui e no Brasil, estão a esforçar-se para que esta caminhada seja um sucesso. São investimentos que ultrapassam os duzentos milhões de euros e que vão gerar perto de mil postos de trabalho nos campos e nas unidades de investigação e treino. E uma alavanca de extraordinária importância para que Santarém aprofunde a sua modernização e competitividade. É um orgulho servir com gente assim. Viva Santarém!

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Mais um Ditador em fuga

Mais um Ditador caiu.Kadhafi está em parte incerta. A rebelião popular deu cabo de mais um 'libertador', outrora estrela maior de revoluções sonhadas. É fácil passar de revolucionário a ditador. No caso até a assassino. O povo da Líbia reencontrou a sua Liberdade. Que esta lhe traga caminho de Paz e de Felicidade.

domingo, 21 de agosto de 2011

A Miséria Moral da Arbitragem

Hoje, no Correio da Manhã, publiquei uma crónica sobre a incompreensível recusa dos árbitros em apitarem o jogo Beira Mar-Sporting. Sendo publica e reconhecidamente sportinguista temia pelo resultado do jogo e por eventuais casos. O Sporting empatou e mereceu empatar. Continua a jogar mal, sem ambição, sem coerência. Não é uma equipa. É um grupo de bons atletas com um bom treinador. Mais nada. Pode ser que o futuro modele este barro que continua lamacento e mole.
Foi um árbitro de um escalão inferior que salvou a pesporrencia fascizante da élite da arbitragem nacional. E portou-se bem. Melhor do que as 'prima-donas' que fazem beicinho e birra por serem criticados. O que esta clique de homens amorais fizeram - fugindo ás suas responsabilidades por terem sido criticados por Godinho Lopes - espelha a miséria moral que teima em perpetuar-se no poder do futebol português. É uma atitude de uma arrogãncia sem limites e revela como a sua cultura cívica não vai além da arrogância dos seus actos dentro de campo. O que os árbitros da primeira liga fizeram foi confirmar as palavras de Godinho Lopes. A sua atitude demissionária só se explica por impreparação cívica, desportiva e técnica. E gente assim não serve o país, nem o futebol  que dizem amar. Dizem! Com actos de vedetas fúteis. Não prestam mesmo. Julgo que Godinho Lopes deve continuar a ser implacável com este miserabilismo patético de beatas indignadas para quem o futebol é, acima de tudo, um pretexto e não o texto das suas vidas.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Morreu um Mestre

Morreu o guitarrista Fontes Rocha. Habita agora no céu do panteão dos deuses da guitarra portuguesa em são convívio com Carlos Paredes. Glória aos mestres! Que não morram na memória dos Homens!

quinta-feira, 28 de julho de 2011

O Estado de Graça do Governo


Estamos a viver um tempo de ruindade. Uma crise aguda como esta que o país atravessa é uma porta que revela o que de melhor e de pior existe dentro de cada um de nós e á nossa volta. O egoísmo manifesta-se, o cinismo, são cada vez menos tortuosos os caminhos para a crueldade, para a chegar a qualquer lado sem olhar a meios. Chegámos a um tempo em que se manifestam os rancores, as raivas, as invejas, as amarguras, crescentemente a violência endémica vai crescendo, cada vez mais exterior. E a impaciência. A indignação sem cuidar de saber, sabendo apenas por ouvir dizer, sem inteligência, cada vez mais boçal e alarve.
É um tempo ruim. Da manipulação da verdade. Montaigne assinalava que o inverso da verdade tem mil formas e, eu diria, que de mil formas se mascara a raiva surda que escorre contra quem ou aqueles que procuram modificar a situação de aflição colectiva onde nos encontramos.
O governo de Passos Coelho não teve tempo para se sentar. Uma das máscaras do inverso da verdade é-lhe atirada como uma pedra: ele terá dito que não se desculparia com o passado. Mas não foi isso que ele disse. - Não me irei desculpar com o passado!...se falhar os seus objectivos.
Porém, nem tempo se lhe dá para colocar objectivos e já se acusa por ter falado de ter recebido um desvio colossal nas contas públicas.
Não sei se recebeu ou não. Sei, pois ouvi, que não se iria desculpar com o passado, caso falhasse. O problema maior é que ainda não teve tempo de falhar. E as beatas oficiosas, prontas para degolar quem surge com uma única ideia, mesmo que seja uma pequena ideia, já lhe atiram as primeiras pedras.
É impossível um governo, seja ele qual for, cortar com o passado. O passado é a memória. O instrumento mais poderoso para construir sonhos e deles fazer obras.Para o bem e para o mal, amputar ou rejeitar o passado é recusar a sustenção culta e sábia de um poder ou de qualquer acção. Mobilizar o passado é a alavanca essencial para projectar e construir.Espanta-me ouvir homens sérios acusar o actual primeiro ministro de ter cometido o pecado de falar no passado. É um sinal que estamos a produzir demência em vez de racionalidade organizada.
Vivemos mesmo um tempo propício aos homens ruins e este governo nem terá tempo de respirar. Os fariseus já começaram a atirar as primeiras pedras com uma terrível drama pelo meio: é que, perdidos de soberba, nenhum se reconhece como pecador. Como será daqui a seis meses? Não sei mesmo. Mas assim, não iremos muito longe. 

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Dia Histórico Para Santarém


Amanhã, dia 26 de Julho de 2011, o senhor Secretário de Estado do Ambiente está em Santarém.Vem inaugurar o sistema de ETAR's de Santarém, nada mais nada menos do que quatro, que põem um ponto final naquilo que era o contributo deste concelho para a poluição do rio Alviela.
São quatro. Póvoa de Santarem/Verdelho, Pernes, Amiais e Alcanede. Um investimento que vai chegar aos 12,5 milhões de euros mas que, finalmente, reforça a dignidade de Santarém, amiga do ambiente. É certo que o problema maior está em Alcanena, concelho vizinho, mas se tudo correr bem, brevemente também terminará as suas obras.
Agora, para nós, é um dia histórico. Que conclui muitos anos de luta, de combate, desde manifestações, a insurreições, a festivais, a abaixos-assinados, tudo valeu para que este dia chegasse.
Amanhã é o primeiro dia das nossas vidas. Libertos deste enorme fardo. Mais limpos e mais inteiros.
É uma obra gigante que está a ser realizada. Brevemente é a última Etar, a do Vale de Santarém, que vai arrancar para melhor proteger a bacia do Tejo e, para compôr o ramalhete, em 2013 estarão terminados 50 milhões de obras de saneamento e águas, colocando Santarém acima da média europeia de saneamento, ou seja, passa dos 62% que tinha em 2005 para 93%.
Hoje é a última noite que durmo com o pesadelo do Alviela. Valeu a pena. Por Santarém e por Portugal. Amanhã somos todos melhores. Bem haja a quem desenhou. Bem haja a quem construiu. Bem Haja a quem lutou durante tantos anos pela chegada deste dia. Bem hajam, aqueles que me acompanharam destes últimos cinco anos nesta árdua mas agora doce caminhada. É uma valiosa prenda que entregamos aos nossos herdeiros. Amanhã, já dormiremos todos mais livres e mais sossegados. O Alviela, nosso irmão, não será mais maltratado. Viva Santarém

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Um Crime contra a soberania do País

O governo anunciou as privatizações impostas pelas negociações com a troyka e no dia seguinte as Agências de 'Rating' começaram a despedaçar a credibilidade (a pouca que restava) das finanças portuguesas. Deixou de ser uma avaliação, pois nem deram tempo a que as medidas que o Governo tem obrigação de implementar fossem efectivadas. Ainda por cima sabendo que o novo Governo está em funções há duas semanas.
Aquilo que se passou é um verdadeiro ataque criminoso contra os interesses de Portugal. Deixou de ser um caso de política e passou a ser um caso de polícia.O golpe é claro, desvalorizar o património nacional, desvalorizar os bancos portugueses, expôr a nossa riqueza aos interesses de quem está por detrás destas Agências.
Sei que existe uma queixa-crime contra estes fulanos na PGR. Sei da ansiedade que procura corruptos, delapidadores das contas públicas, gente sem escrúpulos que enriquece á custa de Portugal e de países mais expostos. Sei que não é dificl fazer prova contra estas Agências. É preciso saber quem lhes paga, quem lhes paga e ao mesmo tempo se aproveita das nossas fragilidades. Pois isto deixou de ser um caso de endividamento ou mais ou menos liquidez. O acordo com a troyka permitiu realizar esse desiderato. Mas pelos vistos, essa canalha, mercenários da especulação, nem isso respeitam. Estes são os verdadeiros bandidos a quem deve ser dada caça implacávelmente e metê-los e cadeia por traição e terrorismo. Terrorismo, digo bem. Estas bombas usadas desta maneira provocam mais danos de que outras bombas que o anti-terrorismo persegue. E é preciso um escândalo. Com a UE de joelhos quando se sabe que esta crise é sobretudo um ataque ao euro para salvar a economia americana, neste momento com a sua dívida soberana nas mãos dos chineses, há muito que a UE deveria ter arranjado alternativas a estes mercenários. Fazer prova e prendê-los. É o maior acto de patrotismo que hoje Portugal merece para se salvar de criminosos sem escrúpulos.

terça-feira, 5 de julho de 2011

O Arranque do Cluster do Cavalo em Santarém


Quando começámos esta caminhada - construir um sonho velho - para a criação de um cluster do cavalo que promovesse a ressurreição dos campos, multiplicar o esplendor deste belo animal, por cem, por mil, sabíamos que qualquer passo seria difícil, cercado pelos discursos pessimistas, até por insultos, que neste tempo ruim que atravessamos presta-se ao fatalismo e á espera de um destino trágico. Combater por um sonho, transformá-los em realidade, é dos maiores prazeres que a existência nos proporciona, mas também obriga á escolha de trilhos dificeis de vencer.
Foram quase dois anos de negociações. Umas vezes discretas e serenas, outras vezes exaltadas. Da procura de parceiros, da procura do melhor.Santarém merece o melhor, pois ela será dos nossos filhos e netos. Merece todos os combates, até a solidão das humilhações, merece que se aposte com toda a genica e paixão no futuro. Pouca importa a insónia.Pouco importam as dificuldades. É urgente combater até ao tutano das forças.
Um dia contarei aos meus netos como se fez esta caminhada. Desde a terrível negociação para enriquecermos o património de Santarém com a ex-Escola Prática de Cavalaria, pela criação da Cidade Judiciária, pela recuperação de dezenas de milhões euros para saneamento e remodelação do espaço público. Um dia contarei aos meus netos como foi possível sonhar e transformar os sonhos em obras. Este que agora começa, com poderosos parceiros internacionais, entregando a Santarém uma das maiores alavancas do seu futuro, ainda vai no princípio mas é irreversível. Vai dar esplendorosos frutos. E sabe bem guardar no silêncio dos segredos as dores, o sofrimento, a ansiedade, o medo, a dúvida, assim como as certezas que devagar se vão descobrindo. Ressuscitar campos e prados, multiplicar a riqueza que escasseia,entregar esperança e mais esperança e objectivos de combate é coisa que nos torna mais vivos.
Neste dias ruins, sob o pesadelo das crises, dos temores, da miséria, das mil dificuldades, inventar um pedaço de sol sabe a mel e a romãs.
Um dia contarei aos meus netos como valeu a pena ser Presidente da Câmara, entregando todos os dias a alma inteira a uma comunidade que é muito mais nobre do que qualquer pobre umbigo. E sei, depois do arranque deste cluster do cavalo, que vou cumprir aquilo que lhes prometi no dia em que comecei esta jornada: O avô vai e vai fazer com que, um dia, quando olharem Santarém, tenham orgulho de cada passo que dei, de cada contributo que realizei por toda aquela gente. Foi um juramento com lágrimas de comoção. Hoje começa a ser um sorriso com ternura no olhar. E se, S.Francisco nos ajudar, S. Francisco do nosso Convento renascido, será um abraço de risos daqui por mais alguns meses. Falta apenas um outro grande passo: honrar compromissos financeiros. E pese as desculpas das crises, sei que não precisarei delas na hora da partida. Porque os cavalos não se abatem. Dão asas. Ganham asas quando a corrida começa e agora começou. É espantosa a força dos cavalos. E são belos. E fascinam. Talvez seja essa a razão que, desde ontem, recebemos contactos de mais gente do Brasil, para além do Jockey de São Paulo, da Alemanha, de Espanha e de Portugal, que querem associar-se a este desafio. Começámos agora a andar pelo sonho. Mais seguros. Com a certeza de que Santarém, mátria da Liberdade, vai caminhar para um futuro menos feio, até diria belo, como um cavalo a galope num prado primaveril.  

segunda-feira, 27 de junho de 2011

As Canelas de Miguel Relvas

Já se percebeu, embora não compreenda, que a indigitação de Miguel Relvas para ministro não é digerida pelo seu companheiro de Partido, o prof. Marcelo Rebelo Sousa. No seu habitual comentário televisivo, por duas semanas consecutivas, o prof. atirou-se a Relvas. Confesso que não percebo. Aquilo que seria inacreditável é que Miguel Relvas estivesse fora do governo.
Foi o primeiro apoiante de Passos Coelho. Apoiou-o activamente quando o agora primeiro ministro foi candidato vencido à liderança do PSD e se confrontou com Manuela Ferreira Leite e Pedro Santana Lopes. Fez sempre a seu lado o caminho das pedras, fez parte do grupo dos estignatizados e banidos deliberadamente das listas do PSD, partilhou com Passos Coelho todos os dias do novo caminho que que haveria de os levar á conquista do PSD no confrotno com Aguiar Branco e Paulo Rangel. Foi ao lado de Passos que Relvas esteve, como poucos, ao lado do seu líder como secretário geral, na termenda campanha eleitoral que haveria de levar o PSD á responsabilidade de governar o país. Relvas foi as costas de Passos Coelho. O apoio não só do partido mas na disputa externa contra os adversários políticos. Esteve em todas. Co-responsável nas derrotas e depois nas vitórias. Como não continuar a acompanhar o seu amigo, muitas vezes na caminhada solitária, para o poder? Como se faz isto sem que aquilo que é o vínculo mais importante que une os homens - o valor da amizade, da solidariedade? Relvas merece políticamente ser ministro. Merece-o pela experiência intensa vivida, inteira e solidária. Merece-o pela sua própria experiência política, bastante para perceber no ar que dividir só serve para outros reinarem. Que esta atitude do prof. Marcelo é incompreensível porque levanta problemas que imagina mas que não se prevêm. Aliás as suas duas grandes previsões sobre o governo falharam. Falhou a eleições de Fernando Nobre e borregou o seu anúncio de Bernardo Bairrão como secretário de Estado. 
Este desabafo magoa-me. Porque não percebo. Não percebo um homem que admiramos, como é o caso de Marcelo, não percebo. Pois é claro que alguma coisa escondida por detrás desta animosidade.Alguma coisa que tem a ver com anteriores ou com futuras memórias. E não faz sentido. Este governo tem uma semana. Nem respirou. Não valerá por este ou por aquele indivíduo mas pelo que, no seu conjunto, vai ou não fazer por Portugal. Começar a matar ministros antes de tempo é apenas lançar ataques ncompreensíveis que nem poupa o estado de graça.
Não sei se Relvas vai ser um grande ou pequeno ministro. É cedo para esse juízo. Mas é um homem certo no sítio que merece. Por acção. Por crença. Por lealdade. Esperemos que corra bem a Relvas, a Passos Coelho e ao governo a caminhada que agora iniciam. Portugal bem precisa. Precisa tanto e com tanta emergência que qualquer pedra posta perversamente na engrenagem não faz apenas mal ao´governo mas ao momento crítico que o país atravessa.    

quarta-feira, 1 de junho de 2011

O Voto no Programa do PSD

Tal como outras campanhas eleitorais, esta rolou sob a intensidade emotiva que procurava abraços e beijos e comentários cruzados sobre episódios produzidos pelo caudal informativo. Não houve um único dia que não se discutissem, e fossem ordem do dia, falsos acontecimentos.Aquilo que era importante não se discutiu. E importante mesmo, talvez o maior problema que temos de viver nos próximos anos, chama-se crise económica e financeira e responde pelo nome genérico de troika. Este é o problema essencial ao qual se junta o desafio essencial que é saber como saímos deste garrote que nos próximos dias vai estrangular as famílias, as empresas, o país.
Tive o cuidado de ler o programa de todos os Partidos. Nas última eleições votei em branco e decidi que, desta vez, não tornaria a fazê-lo. Não votar neste dia decisivo é comprometer o futuro dos meus filhos e dos meus netos. Sem um pingo de emoção, devo dizer que o PSD é o único partido que apresenta um programa que inscreve os dois desafios sem procurar culpados e sem desafio das reformas. Devo dizer que também li minuciosamente o programa da troika. É de uma dureza extrema e não tenho dúvidas de que vão ser grandes as dificuldades para o cumprir. É claro que destas eleições tem de sair um governo com grande força social e política e não deixa de ser claro, já que a camapnha se perdeu em folclores,que no dia 6 é preciso começar a trabalhar depressa para sairmos da curva apertada do nosso destino colectivo.
Julgo por outro lado, que a campanha não podia ser de outra maneira. Em Portugal cultivou-se o culto da irresponsabilidade. Isto é, se é mau, não queremos saber, mesmo que tenhamos de viver. Se é bom, todos queremos saber e partilhar. É esta fuga á má notícia que o célebre discurso do engº´José Sócrates proferiu quando terminaram as negociações com o FMI. O discurso do Não. Não aumenta isto, não aumenta aquilo, não se corta aqui, não se congela ali. E não disse uma única palavra sobre o que era necessário fazer. E até hoje não abriu a boca para o fazer.É genial do ponto de vista dos seus auditores.Sócrates percebe como poucos aquilo que as pessoas gostam de ouvir e esta intuição rara fez-lhe sempre arrecadar apoios inimagináveis.Mas uma coisa é aquilo que se diz e faz (é inesquecível a mensagem do último congresso do PS onde no final apenas se agitavam bandeiras nacionais em detrimento das bandeiras partidárias). Recordo, ainda, a forma hábil como durante meses, e já se sabendo em todo o lado, que era inevitável uma intervenção externa e ele recusava, apelidando de anti-patriotas e inimigos de Portugal aqueles, muitos deles do próprio PS, que reclamavam essa ajuda, e, de repente, quando se dá a reviravolta, ele conseguiu num passe de mágica ser o interlocutor do próprio FMI. Outro homem ter-se-ia demitido. Ele não. Aí está disponível para trabalhar com o seu inimigo declarado. Porém, esta capacidade táctica e esta intuição rara sobre aquilo que as massas gostam, não chegam para aquilo que está á nossa porta. Julgo que o próprio Sócrates, para o seu feitio e maneira de ser, não aguentaria dois meses de medidas austeras sem pelo meio trazer aquilo que ele chama 'de boas notícias'. Não vai haver boas notícias nos próximos anos. A única hipótese de salvação é cumprir planos de trabalho e objectivos. Dizer a verdade mas explicando-a. Ou seja, dizendo que vamos fazer isto que é ruim para que amanhã produza um bom resultado. O tempo não está para improvisos. Obriga ao método, á disciplina na acção política e a uma cultura de solidariedade para a levar a cabo este imenso desafio. E se é verdade que os programas do BE e do PC são verdadeiros tratados de autismo, sem a mínima consciência de que se fizéssemos o que propõem então é que a fome e a miséria se instalaria por muitos anos, não deixa de ser verdade que o programa do PS é igual ao engº Sócrates. É um programa que dá boas notícias, sendo certo, e nasta olhar o programa da troika para se perceber que não passam de boas notícias. É pura e simplesmente irrealizável. Mas agrada a quem o lê ou escuta. É um conto de fadas, só que se fosse aquilo a razão do país nestes próximos anos, o conto não terminaria com o eterno 'foram felizes para sempre'.
É por tudo isto que vou votar no programa do PSD. É frontal, por vezes duro, mas assume o problema e o desafio. É lúcido e sendo realista poupa-nos a piores tormentos. É coerente, tem uma estratégia definida para o País e, sobretudo, sem esconder as dificuldades entrega-nos esperança.
Sei que são poucos os portugueses que votam pelo programa. A esmagadora maioria nem os lê. Vota com emoção, seduzido por discursos vazios ou frases bombásticas, por revoltas ou por adesões afectivas. Porém, convido-vos a ler os vários programas, e claro, com o programa da troika ao lado, passado folha a folha. Façam o exercício de afastamento emotivo e político. Quem ler com olhar crítico tudo aquilo que nos é proposto, através dos programas, não tem alternativa se quer construir um futuro com maior dose de esperança e optimismo. Vota, seguramente, no programa do PSD. E não vale a pena o argumentário em que a nós próprios atribuímos um papel de mentecaptos, do género aquele é mais experiente, ou este é muito verde, e outras tificações pessoais que não falam dos candidatos mas falam de nós. É que, na verdade, todos somos eleitores e todos temos capacidade de ser eleitos. Todos nós temos o direito de aceder a qualquer cargo político. Não são apenas iluminados, os espertos de ocasião, ou aqueles que, por razões da sua vida, exerceram esses cargos.A Constituição dá-nos essa possibilidade por igual. Argumentar daquela forma, pessoalizando casos, a única coisa que estamos a fazer é diminuirmo-nos nos nosso direitos. É assim a democracia. É nosso dever/direito votar e ser votado.E agora, não há mais escolhas infelizmente. Vou votar no PSD. Os msues netos vão agradecer-me o gesto quando forem mais crescidos e me perguntarem o que de bom fiz por eles.

domingo, 8 de maio de 2011

Porque Voto em Passos Coelho


Sei que a situação do País e o desenho do nosso futuro está tremido. Que esta incerteza atinge milhares de famílias, milhões de portugueses, provocando angústia, potenciando paixões, alimentando animosidades pessoais, crenças intuitivas que com este não vamos lá, que com nenhum lá chegamos e que, chegámos à situação que vivemos por causa dos políticos, pois 'são todos iguais'. Tal desorientação abre a porta ao insulto fácil, ao preconceito, e também á idolatria, ao apoio ditado pela fé, pelo ser contra ou ser do contra. Como escrevi muitas vezes, a maior crise do país, a mais difícil de superar não passa pelas finanças e pela economia, apesar da terrível situação em que nos encontramos. Não é apenas necessário ser pragmático, como sublinha Paulo Portas. Não é apenas necessário determinação como anuncia José Sócrates e ele, é em si próprio, um exemplo de determinação.
São precisos sacrifícios, é certo. É preciso sair desta crise e confiar no futuro. Mas tal só se consegue com uma verdadeira alteração de paradigmas e de referências míticas. As novas sociedades, competitivas, cada vez mais agressivas, não se compadecem com os bons valores que habitam a saudade.Precisamos de saber acolher os bons valores que habitam o futuro. Neles se integram um novo olhar sobre o mundo que transforma a democracia em meritocracia. Que dignifica o trabalho e não toma a Nuvem por Juno, confundindo trabalhadores com calaceiros. Que abre os partidos políticos à sociedade e procura compromissos que vão para além do acto eleitoral. Que vê no ensino e na saúde bens essenciais mas que não os torna em verdadeiros antros de desperdício, privilégios, preguiça, impreparação e falta de produtividade. Que olha o País no seu todo e não o confunde com a fome jacobina, centralista, burocrata e clientelar que se instalou em Lisboa desde o arranque da reforma liberal de 1820. Que não olha a pobreza como anátema de exclusão mas seguindo políticas seguras de inclusão. Que não se alimenta do ódio, da corrupção, do compadrio, da preguiça dos clientes partidários sempre à espera de poder e incapazes de servir. Que recusa o conformismo rídiculo e falso de que 'eles são todos iguais', para a partir daqui lançar impropérios contra a honra, o carácter e a boa fé de quem se entrega ao serviço público. Que não aceita demissões e assume intervenção pública construtiva. Que procura soluções. Que Vê na qualidade da vida democrática o desafio a vencer. Que utiliza a cultura democrática para respeitar as ideias diferentes e faz esforços para as congregar. Que olha o país no seu todo complexo e variado e não o lê e apreende pelas manchetes dos jornais.
Esta crise obriga-nos a vivê-la e a vencê-la. Assim como venceremos a crise financeira e económica.
Acabei de ouvir o discurso de Passos Coelho sobre o programa que o PSD propõe para o país. E agora mesmo terminei a sua leitura. E sem faltar ao respeito às abordagens que os restantes partidos fazem da situação actual, não posso deixar de admitir que é uma profunda reflexão e um programa para o futuro que alia o pragmatismo de Portas com a determinação de Sócrates e incorpora os sonhos de justiça que são emblemas do PC e do BE (embora as suas narrativas radicais os transformem em pesadelos) marcando de forma decisiva esta eleição. Sobretudo é um programa realista, marcado pela firmeza da acção e com a margem de confiança que obrigatóriamente havemos de assumir para reconquistar uma nova vida bem longe dos problemas que enfrentamos. Por isto mesmo, vou votar no PSD. Não voto contra Sócrates, nem contra Portas, nem contra Jerónimo de Sousa, nem contra o Bloco. Voto, na consciência rigorosa da decisão, porque li o que cada um propõe e são propostas, meras propostas, e não são um projecto de vida. Nem ponho em causa a boa intenção de cada um. Mas não são projecto de futuro. E nós precisamos, o país precisa de um projecto/sonho pelo qual combata, trabalhe e se qualifique.
Não tenho dúvidas que Passos Coelho deu hoje um importante passo para a vitória nas próximas legislativas. Fez um discurso de grande qualidade sem recorrer ao insulto, á indignação da denúncia, ao grito de revolta revoltada que já não tem nada de revolucionário. Que os militantes do PSD saibam compreender a superior dimensão do programa que lhes foi apresentado e se libertem dos seus interesses pessoais. Há muito tempo que o PSD não tinha um projecto assim onde mais vale Portugal do que qualquer outro interesse particular. Que tenha sucesso. Será bom para todos nós, apesar de todas as dificuldades que temos de viver.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Contas e Politiquice

Na semana que terminou, a Câmara de Santarém apresentou as suas contas. Facções do PC e do PS decidiram, nos dias anteriores, emitir comunicados, conferências de imprensa, com disparates e insultos que são a expressão da dimensão ética e moral da politiquice no seu pior. Sem direito ao contraditório, levantaram uma onda de boatos e números manipulados. Por isso, decidi apresentar por escrito a defesa da honra da Câmara de Santarém e da minha própria dignidade pessoal, na Assembleia Municipal e cujo teor segue abaixo:

Senhor Presidente da Assembleia Municipal

Decidi escrever estas notas no início deste debate sobre as contas da autarquia, para esclarecer a onda de disparates postos a circular por alguma oposição e defender a minha dignidade pessoal que, quer o presidente da concelhia do PS, quer o comunicado e conferência de imprensa da CDU, procuraram denegrir através da mentira e de exortações infamantes.
Estou habituado, desde que tomei posse em Outubro de 2005, à liguagem medíodre e vulgar com que a comissão política do PS me trata pessoalmente. Para precisar melhor do que falo, diria de uma certa ala do PS, hoje capitaneada pelo senhor Pimenta Braz.
Devo dizer que desde o primeiro mandato decidi responder a esta arruaça politiqueira e tratamento alarve conforme me tratavam. Se era com delicadeza, respondia com delicadeza. Se reconhecia no trato a insídia, a grosseria ou a vulgaridade, respondia com o vocabulário adequado ao interpelante. É neste contexto que vou responder. Em primeiro lugar aos apontamentos ditados pelo presidente da concelhia do PS sobre as contas da Câmara.
O senhor Pimenta tem um problema de ressabiamento pessoal que o obriga a confundir os seus ódios com a realidade. É um homem amargurado que usa o PS para que a sua vozinha tenha algum eco. Desta vez, a propósito das contas públicas que vamos apresentar, procurou analogias com o Rato Mickey, o célebre detective de banda desenhada, exactamente o tipo de leitura que deve ser a predilecção do senhor Pimenta. Pois bem, daqui a pouco ao falarmos de contas, ajustaremos contas e veremos se a culpa é do rato Mickey ou se do seu inseparável companheiro - o Pateta - esse símbolo maior da tolice que, ainda assim, é simpático, amistoso, cordial. Por este conjunto de atributos ninguém nesta salapode acreditar que quando falo do Pateta, estou a falar do senhor Pimenta. Embora pessoalmente não releve a escrita do senhor Pimenta, o presidente da Câmara não se pode calar ao desrespeito com que a criatura trata o mais representante do executivo de Santarém.
O PS do senhor Pimenta não é o PS, eu sei. Nem o Pateta é o senhor Pimenta. E nem o senhor Pimenta é o PS e nem chega aos calcanhares do imbecil mas simpático Pateta. É apenas o senhor Pimenta, com mediocridade trindentina, a falar pelo PS.
Erro do próprio destino que a vida político-partidária do PS acabará por resolver.
Já a CDU abandonou a crítica política para também se apropriar da mesma linguagem insultuosa e, mais grave ainda, fazer da mentira a sua arma de argumentação. Através do Adjunto do senhor Presidente da Câmara de Alpiarça, o senhor José Marcelino e do deputado muncinipal Madeira Lopes, que faz de conta que é Verde, embora a soldo do partido comunista, decidiram na sua crítica pública às contas da autarquia, insultar-me porque sou escritor. Pediram mesmo a minha expulsão de Santarém, através do imperativo 'vá-se embora!', vá escrever para outro lado.
É bom não esquecer que o senhor Zé foi candidato à presidência da Câmara de Santarém, apoiado pela CDU, e que depois da estrondosa derrota eleitoral que o povo de Santarém lhe impôs, fugiu para Alpiarça para servir o seu partido. Dito de outro modo, foi fazer política para Alpiarça e ficou responsável pela propaganda do PC em Santarém.  Ele e o senhor Lopes, que é deputado municipal, querem expulsar-me de Santarém. Porque sou escritor.
Conheço o esquema de pensar. Intelectual que não sirva o aparelho burocrático do partido, é inimigo formado no velho ódio estalinista, pelo que o senhor Lopes e o senhor Zé, ainda sonham Arquipélagos de Gulag e campos de concentração na Sibéria destinados à reeducação de livres pensadores.
Compreendo este ódio. Mas não posso ficar indiferente quando, a pretexto da disputa política, procuram atingir a minha profissão, a minha vida literária, a minha vida pessoal. Em nome do combate político, dizem eles. Mas não é só a expulsão de Santarém. O senhor Lopes acusou-me de lançar impropérios contra ele, na última Assembleia Municipal, quando mentindo descaradamente sobre as condições dos trabalhadores desta autarquia eu contrapus os argumentos que demonstravam a falsidade do que afirmava.  Desta vez , obriga-me a ir mais longe.  Não acredito de haja maior impropério do que a mentira. E, agora, o senhor Lopes, está a ultrapassar o risco de ser reconhecido por pessoa, para ser apenas uma verdadeira mentira. O senhor Lopes tem de provar nesta Assembleia, perante os restantes deputados municipais, se algum pingo de dignidade lhe resta, quantos assessores tenho por minha conta, a tempo inteiro ou parcial, ao serviço da política do PSD. O senhor Lopes tem de provar quais os ordenados principescos que pagamos aos administradores das empresas municipais. Tem de provar que é gente. Prova de vida mesmo, pois quando fala, mente e quando mente, não fala. E bem poderia saber mais sobre o seu concelho e a administração pública da autarquia, onde foi candidato à Assembleia Municipal e a secretário da Junta de Freguesia de Vaqueiros. Foi aqui eleito, mas derrotado em Vaqueiros. E ainda bem que não chegou a secretário da Junta, pois que até sobre os duodécimos em atraso - e reconhecemos que estão atrasados - mente!
Senhor Presidente da Assembleia Municipal:
Devo informar esta Assembleia que nas quatro empresas municipais temos 12 administradores, de destes doze, apenas dois são remunerados. Dois! Os restantes dez não têm remunerações.
Devo esclarecer esta Assembleia que o Presidente da Cãmara não tem assessores. Que não tem chefe de gabinete e poderia ter pois a lei o permite. Que tem apenas um Adjunto, tal como o senhor Zé é Adjjunto do senhor Presidente da Cãmara de Alpiarça. É verdade que temos sete vereadores a tempo inteiro mas não é verdade que pague sete ordenados. O senhor vereador António Valente não ganha um tostão da autarquia e está aqui porque ama a sua terra, acima do seu partido, porque não é candidato derrotado que foge para Adjunto de outro município, porque tem um sentido de serviço público que deveria ser referência para o senhor Zé e para senhor Lopes, mas nem um nem outro sabem o que isso é, obcecados em servir o partido acima das populações.
Queria ainda informar que dos quatro secretários políticos que a lei permite, e que trabalham com os vereadores, também um deles não recebe qualquer remuneração. Assim como não estão providos alguns lugares de direcção por acharmos que não se justifica neste momento. Não há 'boys' ao serviço do PSD em Santarém.  Uma excepção, exactamente áquilo que são o senhor Pimenta, o senhor Zé e o senhor Lopes.
Queria ainda informar que este conjunto de falsidades, e de outras que não vêm aqui ao caso, servem apenas para lançar a confusão, provocar o boato, verdadeiros actos de má fé. Não admira. O valor residual deste partido, e desta gente, que apenas se serve do ódio e da manipulação, é tão pequeno que, por certo, a 'Coordenadora da CDU', como lhe chamam, deve reunir ao lado da outra mesa do W onde nascem os maiores disparates e infâmias sobre a autarquia de Santarém.
Quero, finalmente, informar o senhor Zé e o senhor Lopes que não deixo que me expulsem da cidade, desta cidade que é utero da Liberdade, cidade que adoptei e me adoptou, que amo e por ela lutamos sem desânimo. Que pese o ódio que nutrem pelos intelectuais não alinhados com a servidão imposta pelo partido, jamais verão do Presidente da Câmara resposta igual. Continuarei, continuaremos, a celebrar escritores, poetas, todos os intelectuais que contribuíram para o engrandecimento de Santarém e do país, sem olhar à sua cor política.
Permitam-me, agora, uma nota pessoal.
Desde muito cedo quis ser detective e escritor. Trabalhei muito para realizar os meus dois sonhos de infância. Sou estudante trabalhador desde os 15 anos. Comi o pão que o Diabo amassou, sofri aquilo que não se deseja aos nossos inimigos, e muito menos ao senhor Zé, ao senhor Pimenta e ao senhor Lopes. Vivi muitos dias entre a vida e a morte, servindo o meu país onde mais doía, mas sempre com a mesma determinação e a mesma cabeça levantada que aqui hoje mostro e realizei esses dois sonhos. Fui com prazer colega do Rato Mickey e sempre me diverti á custa do Pateta.
Ao longo de trinta anos fiz a minha carreira como escritor. Uma carreira que não me envergonha, premiada no país e no estrangeiro, com milhões de espectadores, com centenas de milhares de leitores, reconhecida pela crítica, e senti a maior honra quando foi reconhecida pela República portuguesa, distinguindo o meu trabalho com o grau de Grande Oficial da Ordem do Infante. Hoje mesmo respondi à International Raoul Wallenberg Foudation, uma das mais prestigiadas Fundações do mundo para a defesa da Paz e dos Direitos Humanos, que me convidou para membro do seu Conselho Honorário. Decidiu honrar-me com este convite tendo em consideração a minha actividade pública e política na defesa dos Direitos do Homem. Ali tomam assento dois Presidentes da República portuguesa, dois primeiros ministros portugueses, para além de um conjunto de chefes de Estado e primeiros ministros do mundo inteiro.
São reconhecimentos que confortam quem dedicou a sua vida ao serviço público, elegendo o trabalho como meio de afirmar o valor da vida e de servir o país, sem descanso, sem cansaços, indiferente á inveja e ao despeito, entregando toda a minha energia áqueles que sirvo e neste momento sirvo o povo de Santarém.
Não cuidaria de me preocupar com as desconsiderações que, em nome da política, o senhor Pimenta, o senhor Zé e o senhor Lopes fazem à minha pessoa, caso não fosse escolhido democráticamente pelo povo escalabitano para presidir aos seus destinos. Mas este Presidente da Câmara de Santarém, homem livre e de bons costumes, que criou e educou os filhos com orgulho na sua profissão, apesar de toda a aldrabice política onde estes senhores chafurdam, foi eleito com voto esmagador da população que sabe, sente e compreende as dificuldades deste concelho e do país.  Preferiu eleger um escritor em vez de homens amargurados com a vida que, por isso mesmo, só sabem espalhar armargura, tão infelizes nos seus ódios pessoais, que a fraternidade, a liberdade e a tolerãncia são causas desconhecidas. Servem o partido de cada um, ou dele se servem. Nada mais. É exactamente sobre esta gente que fala o meu próximo romance, que vai sair em julho, com o título A Opereta dos Vadios.
Sirvo esta cidade e este concelho, assim como os meus vereadores, com a mesma paixão e empenho com que, noutros tempos, servi o país. O país livre, tão livre que até permite que a mediocridade e a mentira sejam notícia de jornal.
Vejamos:
Diz o senhor Lopes, do alto da pesporrência, que o quadro de pessoal da Câmara aumentou de tal forma que é 'porventura incomportável'. E o senhor Zé assente com a displicência de quem fugiu para fazer política em Alpiarça e propaganda em Santarém. Se compararmos o quadro de pessoal da Câmara Municipal de Santarém de 2005 e 2010, ver-se-á que temos menos 35 funcionários! Porém, desde 2008, assumimos a delegação de competências que o Governo fez no âmbito das escolas, como é sabido por toda a gente. Já o ano passado isto foi explicado. Pelos vistos a 'Coordenadora' e o senhor Lopes não entendem. Essa delegação de competências representa um número de 234 auxiliares de educação. Sobretudo mulheres que, pelas escolas, cuidam dos nossos filhos com ordenados que pouco ultrapassam o salário mínimo. Basta amanhã rompermos esse acordo com o Governo e, de imediato, desaparecem dos nossos mapas de pessoal 234 auxiliares e os correspondentes salários que passarão para o Ministério da Educação. E se fizermos isto, então surgirá outra vez o partido comunista e os seus canoros manipuladores a ganir raivas porque não defendemos os trabalhadores. São sempre assim. Serão sempre assim.
Quanto á divida da autarquia, o senhor Zé vai mais longe. Revela que rápidamente esqueceu a sua antiga qualidade de bancário, embaralhando contas, embora lhe tenha reforçado o traquejo político para se candidatar a qualquer coisa que mexa. Nem sei como explicar os números que o homem apresentou com tanta ostentação indignada. Portanto, escolho a verdade e de maneira simples, pois pode surgir alguma criança que leia o documento e precisa de perceber aquilo que alguns adultos recusam perceber.
Há um instrumento contabilístico chamado POCAL. Nele existem duas colunas. Numa são lançadas as dívidas de médio e longo prazo e, na outra linha, são lançadas as dívidas de curto prazo.
Ora o POCAL impõe que a parte da dívida de longo prazo que é paga num determinado ano, passe da primeira para a segunda coluna.Isto é, a parte que foi paga desaparece da primeira coluna e surge na coluna dos pagamentos de curto prazo. É uma simples operação de subtracção que um aluno da primária conseguia fazer.  A 'Coordenadora' não sabe, nem o senhor Zé, nem o senhor Pimenta. Ora, o que resulta daqui? Que na segunda coluna surge essa parte da dívida de médio e de longo prazo que foi paga no decurso do ano e, ainda, a despesa que decorre da actividade normal da autarquia.
Se olharmos os documentos, percebem-se duas coisas. Primeira, que baixou o valor da primeira coluna, ou seja, a dívida de médio e de longo prazo. Segunda, separando os dois valores que se encontram na outra coluna, um por imposição do POCAL, outro pela actividade da Cãmara em 2010, conclui-se que pagámos 8 250 milhões de euros de dívida de médio e longo prazo e que a dívida a fornecedores baixou, em relação a 2009, em 65 141.30 euros.
Diga-se a este propósito que a despesa com salários desceu 4% em 2010.
Mas também desceram drásticamente outras despesas devido á necessidade de restringir gastos, mesmo que fossem importantes. A crise a isso obriga. As despesas com 'publicidade e propaganda' baixaram 72%. Ora o senhor Zé, em jeito fadista, recordava, jogando com comparações batoteiras, umas vezes com 2005, outras com 2008, outras com 2009, que o aumento da despesa por ele inventada se devia á campanha eleitoral, como se tivesse havido eleições. Como se as contas de 2009 não tivessem sido apresentadas e aprovadas. Os 'outros fornecimentos e serviços' baixaram 70.50%, os 'trabalhos especializados' foram reduzidos em 45% e os serviços da Cultura, ainda que estando muito esvaziados devido à existência da Empresa Cul.Tur, baixaram 74%.
Para além disto, temos uma das melhores execuções orçamentais dos últimos dez anos.
Chegados aqui, devemos dizer o seguinte. A actividade da Câmara de Santarém não se resume a um caderno de contas. É muito mais do que isto. É o aproveitamento de milhões de euros dos fundos QREN que estão a renovar o nosso parque escolar e a terminar o saneamento. É modernização de todo o espaço público da cidade, tornando-a mais atractiva e bela. É o arranque dos trabalhos da nova cidade judiciária e da futura Fundação da Liberdade, assim como outros projectos que em breve serão anunciados. O dinheiro está aí, à vista de todos, no crescimento da qualidade de vida e da competitividade, fazendo de Santarém, no espaço de cinco anos, uma das capitais mais proeminentes do território nacional. Ainda esta semana foi inaugurado um novo sintético desportivo em Vale Figueira e estão a arrancar as obras de outro, na Moçarria, para além da renovação de monumentos, de jardins e espaços de lazer para adultos e crianças.
Infelizmente, temos problemas de tesouraria. Temos sim, senhor. Sempre tivémos e, mesmo assim, não chegam aos problemas que herdámos em 2005, onde nos deparávamos com penhoras sucessivas de bens. E, ainda por cima, estamos mergulhados na maior crise destes últimos cem anos, perdendo receitas que caíram a pique, com uma população angustiada, preocupada, perante as ameaças que surgem com o futuro acordo com o FMI.
Mas isto, é coisa que a 'Coordanadora' e o senhor Pimenta ignoram porque o seu autismo é demasiado primário para perceberem que Santarém não escapa, nem pode escapar, ás sucessivas ondas da crise que afectam o país. Desconhecem como se trabalha e se motiva quem trabalha para lutar contra estas dificuldades. Não conhecem, e pior do que isto, recusam-se a conhecer. Falam e gritam. Insultam e inventam boatos. Discutem raivinhas e provocam notícias de má fé. São os verdadeiros herdeiros do Velho do Restelo ou, como escreveu Arrabal ao ditador Franco, são pessoas que devem sofrer muito. Sofrem tanto que á sua volta só podem espalhar sofrimento e apocalipses em nome das suas amarguras existenciais, das suas frustrações e da definitiva e total ausência visão crítica sobre a vida e o mundo. Quando muita gente se interpelava em 2005 porque razão parecia que Santarém tinha parado no tempo, não valia a pena procurar respostas complexas. basta olhar para a dimensão pequenina desta gente para se saber a resposta certa.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Fernando Nobre e os Independentes


Por democrática tradição é de bom tom os Partidos agitarem a quantidade de cidadãos independentes que aderem aos seus projectos e desafios políticos. Sobretudo uma certa esquerda, ressabiada e sectária, que mostra os seus independentes como o exemplo da 'ampla abertura às massas'. Mas também é sabido que estes partidos, sobretudo, dessa esquerda que gosta de reivindicar a maternidade democrática, verdadeiros donos austeros da democracia e da moral pública, adoram independentes desde que ....sejam dependentes. Ou dito de outro modo, esta qualidade que muitos cidadãos exigem para si (mais do que qualidade é um direito) só serve, se servir os objectivos deste ou daquele partido. E torna-se uma espécie de excremento social se, conforme José Régio, só forem por onde os levam os seus próprios passos. A independência não significa ser melhor ou pior do que o filiado partidário. Significa a opção por decisões externas à vontade de um colectivo.  Optar,escolher, decidir sem uma pré-determinação estatutária. Apoiar ou não apoiar de acordo com a sua consciência, intervir ou não intervir segundo a sua convicção e vontade. Uma atitude tão legítima quanto a decisão de integrar um partido, um grupo religioso ou clube desportivo. Ou não integrar.  Sei do que falo porque sou um presidente de câmara independente, embora com o apoio político do PSD. E sei como, por vezes, é difícil lutar e continuar com esse estatuto de homem livre e de bons costumes. Mas também sei que esta relação entre militantes e independentes, por vezes tensa, outras vezes comum, reforça e enriquece não só o contributo partidário como integra outras visões da política e do mundo.
Vem esta conversa a propósito do clamor que se levantou nessa esquerda preconceituosa e tonta por causa de Fernando Nobre ter aceite ser candidato independente nas listas do PSD. Inacreditável um candidato à Presidência da República aceitar tal projecto! Afinal a cidadania que proclamava era um logro! Que terá enganado os seus eleitores! Que não tem experiência para ser Presidente da Assembleia da República! Indignações que não falam de Fernando Nobre mas dizem muito sobre quem as produz. São exactamente os mesmos que consideraram natural e agradável ver Freitas do Amaral, fundador do CDS, candidato a Presidente da República como ministro dos negócios estrangeiros do 1º governo do engº Sócrates. E ainda bem que o foi porque é uma grande qualidade intelectual. São os mesmos que aceitam Basílio Horta, que foi candidato á Presidência da República, seja hoje o dirigente de uma importante instituição do ministério da economia e, pelo que sei, desempenha com exemplar competência esse cargo.E por aqui fora.
Fernando Nobre tem todo o direito de escolher e não sentir que traiu seja quem for, desde que não atraiçoe a sua própria consciência de homem livre e de bons costumes. E mesmo aqueles que vêm argumentar contra a sua inexperiência para liderar a Assembleia da República apenas demonstram a visão restritiva que têm da 'sua' democracia e da leitura que fazem do texto constitucional. A lei não é igual para todos? Ou existem lugares que só se ajustam a iluminados? A predestinados? A esmagadora maioria dos deputados que temos, não viveu, não conheceu, não chega aos calcanhares da experiência de serviço público conquistada por Fernando Nobre. Anos e anos, décadas de vida consagradas à causa pública e ao serviço dos que mais sofrem. Esse homem deixou de existir por aceitar defender os seus valores e crenças a partir de um Partido político? Não é o mesmo homem que com aplauso geral foi mandatário do Bloco de Esquerda? Pelos vistos, não. A independência tem estes custos. Mas, por outro lado, desnuda a hipocrisia e o cinismo que atravessa a política moralista feita por amorais.A liberdade não é um bem relativo, distintivo, classista ou propriedade de ninguém. É um bem absoluto que se vive ou não se vive. Fernando Nobre é um homem livre que preza a sua liberdade de escolher. E faz muito bem em escolher como entende.Recusa ser servo ou estar submetido ao critério deste ou daquele. Escolhe! E de pé. Porque o conheço, lhe conheço a dimensão humana, também sei que faz parte do grupo dos homens livres que enfrenta os outros homens de pé. De joelhos só perante Deus!

terça-feira, 8 de março de 2011

Festas de S.José - Apoteose de Santarém


As festas de uma Cidade, de qualquer cidade, vila ou aldeia, são sempre uma liturgia de evocação de memórias e de afectos que convocam o Sagrado e o Profano e lhes conferem uma dimensão transcendente - A festa é, pela sua natureza, pela legitimação identitária, o reforço da crença na imortalidade dos destinos colectivos.
O Dia 19 de Março é o Dia da Cidade de Santarém. Feriado municipal. Dia de S.José. Dia do Pai. A concreção desta carga simbólica produz efeitos paradoxais e curiosos. Por um lado, na ordem religiosa, celebra um Santo operário, que o Papa João XXIII consagrou como protector dos trabalhadores, um Santo que é símbolo de fé, de bondade e determinação. Celebra-se o Dia do Pai, que vindo da ordem do sagrado e do reconhecimento do bonus pater familia no quadro da família cristão, ganhou com o tempo uma dimensão secularizante e, até, mesmo laica que excede largamente os limites em que a Igreja o concebeu. O Dia do Pai, assim como o Dia da Mãe, massificou-se com as novas tecnologias - nesse dia, por maior que seja a distância - o telemóvel envia milhões de beijos a milhões de pais e de mães, recentrando figuras que a descristianização da família dotou de novos papéis sociais. Finalmente, é o Dia de Santarém, produção do poder político que decidiu, nos finais da década de sessenta do século passado, instituir um feriado que servisse para exaltar e glorificar os valores, a história, o passado de cada município. 
Não admira, pois, que esta concentração evocativa tenha vindo, paulatinamente, a transformar as Festas da Cidade de Santarém numa imensa multidão que, durante vários dias (este ano começam a 17 e terminam a 20 de Março) acorre à cidade para se encontrar, manifestar, celebrar, exorcizar angústias, legitimar expectativas existenciais e identidades, reforçando sociabilidades, deixando que a auto-estima se fortaleça na estima pela Cidade, reconhecendo-se nos símbolos que saem à rua: a gastronomia, os touros, os campinos e os cavalos, as manifestações religiosas em torno de S.José, a música sacra e profana, cortejos etnográficos que, afinal de contas, inscrevem uma ordem no imaginário individual e colectivo que representam sinais vísiveis da memória. A força da recordatória, evocativa e afectiva é tal que este ano, pela primeira vez, se esgotaram todos os espaços de comércio e ludismo, sendo necessário recorrer a leilões. A força da Festa é tal que o Município não gasta um cêntimo e oferece-se solidário e inteiro a quem o procura para celebrar Santarém ou, tão só, para celebrar a Vida. Uma cidade que se abre ao Tejo e ás estradas, que estimulou e aprofundou um sentido raro de hospitalidade, espera com alegria quem a visita por estes dias. E dá as boas vindas a quem vier a este magnífico encontro com os encontros da nossa existência comum. Crivada de ternura, de saudade, de alegria, de confiança, de fé, feita de anseios de Liberdade, de Paz e da certeza que a Vida vencerá sempre a traição da morte, e a Santarém celeste estará no horizonte desta santarém imortal. Bem vindos, venham de onde vierem. E tragam outro amigo também. Aqui, por estes dias, celebraremos o que de melhor a natureza humana produziu e que confere a Santarém um altar próprio nos campos da Liberdade. Viva Santarém!