terça-feira, 30 de novembro de 2010

Wikileaks: A Prostituta Coscuvilheira

O site Wikileaks anunciou durante as últimas semanas que surripiara 250 mil ficheiros secretos americanos.Entrara na base de dados diplomáticos dos EUA e conseguira informação que poria a segurança mundial de pantanas. A correspondência trocada entre diplomatas começou a ser divulgada e, até, agora aquilo que se conhece é rídiculo, próprio da mais ordinária revista cor de rosa, e tão vulgar como parece ser a Wikileaks. Revelam como diplomatas e funcionários de embaixadas tratam alguns dos lideres mundiais, num linguajar sarcástico, outras vezes irónico, outras vezes mais crítico. Comparado com a forma como os europeus em geral tratam os Estados Unidos é linguagem de meninos de coro. Conversas de prostíbulo sem sentido.Uma invasão da privacidade sem dignidade, sem interesse, digna do jornalismo mais rasca. ´
Não sou adepto da política externa americana. Repudio mesmo o seu imperialismo militar assumido. Acho mesmo que a invasão do Iraque e as atrocidades cometidas durante esta guerra inútil contra a Al-Qaedda mereciam colocar Bush a responder por crimes contra a humanidade. Mas a Wikileaks não quer isto. Quer arruaça. Coscuvilhice. Porcaria. Conseguisse entrar nos sistemas informáticos do Irão ou da Rússia e veríamos seguramente o mesmo género de linguagem.É mais uma encenação de jornalismo militante que não passa de jornalismo de vão de escada. Um lixo! 

domingo, 28 de novembro de 2010

O Ex-Secretário de Estado e o Bastonário




O Secretário de Estado da Justiça, dr. João Correia demitiu-se. Tenho pena. Para além da amizade pessoal é uma figura pública que considero e por a qual nutro admiração. Porém, foi infeliz na sua decisão, caso tenham sido verdadeiras as razões vindas a público. Ninguém se demite porque já fez tudo aquilo que tinha para fazer. Ainda por cima,apenas  após um ano de mandato. E sabe-se que não fez tudo. Por exemplo, os Tribunais para Santarém, anunciados pelo 1º Ministro em Santarém, na Escola Prática de Cavalaria, no dia 25 de Abril, continuam no papel. Fica essa sombra no seu curto, precipitado e rápido mandato como governante. Porém, sejam quais forem as razões que levaram ao seu pedido de demissão, não é possível transformá-la num processo de intenções ocultas como fez o meu amigo Marinho Pinto, Bastonário da Ordem dos Advogados. Confesso que não percebo como dois homens civilizados, educados, cultos, embora com perspectivas de vida diferentes, possam perpetuar-se eternamente numa discussão, por vezes insultuosa. Marinho Pinto não quer os Tribunais em Santarém. É a sua visão jacobina do poder. O que não for em Lisboa, não é poder. E acusa o outro de querer os tribunais nesta cidade para, mais tarde, ser seu presidente de câmara. Admito, que sendo eu presidente dessa mesma Câmara, não veja nesse putativo projecto pessoal nada de mal. Pelo contrário. Se Marinho Pinto tivesse razão, e a lei permitisse, de imediato eu entregaria o cargo a João Correia, desde que viesse com a certeza que os Tribunais começariam a ser construídos em Santarém. Como ele diz, e bem, numa entrevista publicada há dias, são uma grande âncora para o desenvolvimento desta região. E para a Justiça, já que se fixam num dos eixos de mobilidade estratégica do país. Porém, esse poder não pertence ao Presidente da Câmara. Pertence exactamente ao Ministério da Justiça que....João Correia abandonou.
Tenho pena que tivesse saído. Perdemos um bom Secretário de Estado. Tenho pena que Marinho Pinto persista numa visão jacobina, centralista, atávica das suas ideações sobre tribunais. Sobretudo tenho pena que estes dois homens brilhantes, que estimo, percam a compostura quando se atiçam publicamente. A ambos desejo felicidades.  Ao Dr. João Correia na sua vida profissional. A Marinho Pinto no novo mandato à frente da Ordem dos Advogados.Quanto aos Tribunais espero que o Governo cumpra os propósitos anunciados com pompa e circunstância em Santarém. Saberemos agradecer. Sentimento de gratidão não falta às gentes de Santarém.

sábado, 27 de novembro de 2010

O Amor é o Amor


                                                 O amor é o amor - e depois?!
                                                  Vamos ficar os dois
                                                  A imaginar, a imaginar?....
                                                 
                                                  O meu peito contra o teu peito
                                                  Cortando o mar, cortando o ar.
                                                  Num leito
                                                  Há todo o espaço para amar.

                                                  Na nossa carne estamos
                                                  Sem destino, sem medo, sem pudor
                                                  E trocamos - somos um? somos dois?
                                                  Espírito e calor!

                                                  O amor é o amor - e depois?
                                                 

                                                                                     Alexandre O'Neill

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Morreu Eduardo Camacho

Só era conhecido no seu círculo da amigos.A sua vida foi sempre investigar crimes. Primeiro nos Homicídios, depois no furto e assaltos à mão armada, falsificação de automóveis. Terminou a sua carreira na PJ de Portimão há dois ou três anos. É daqueles heróis desconhecidos que deu a sua vida à causa pública, metendo na cadeia centenas de bandidos, muito deles perigosos, que puseram o país em alvoroço. Vivia e gostava do anonimato.E do Benfica.
Este é o epitáfio que gostaria de ter. Discreto. Com um copo de uísque ao lado.
Porém, é um bocado mais do que isto para mim. Perdi um dos meus maiores amigos e embora não saibamos nunca definir o que é a amizade, o Eduardo era a substância mais densa desse valor. Companheiro de anos de combate, de investigação, de trabalho duro, tantas vezes entre a vida e a morte. Partilhávamos a vida e a morte.Os problemas de cada, da família, dos filhos, das mágoas e de sonhos. Muitas vezes sem tempo para estarmos lá, sempre embrenhados no sítio onde o Diabo amassou o seu pão. Corremos mundo. Vibrámos com paixões e pesadelos. Partilhámos os trocos ao fim da tarde para bebermos a última cerveja. Chorámos juntos muitas vezes, rimos juntos muitas mais vezes. E, hoje, quando sei que a morte chegou sem avisar e o levou sem um estrebucho, não deixo de limpar as lágrimas de saudade e, ao mesmo tempo, rir ao recordar o seu humor cáustico, a sua bondade natural, o seu sentido de solidariedade militante.
Sei que não nos voltaremos a encontrar aqui. Sei que estas palavras, que exorcizam o meu luto, talvez se esfumem sem que ele as oiça. Queria a abraçar os seus filhos. Hoje quando falei com os meus rapazes, ambos se sentiram traídos pela vida. O Camacho era da nossa família mais alargada. Dói em todos esta partida brusca cujas explicações a Morte nunca dá. Fica a saudade de um amigo e irmão. A Polícia Judiciária hoje está mais pobre. Perdeu um homem valente. E eu, sem vontade de mais palavras, deixo-lhe este abraço infinito feito do sangue da amizade perfeita. Adeus, Eduardo. Até um dia! Haveremos de voltar a discutir o Sporting-Benfica das nossas vidas. E das nossas mortes. Descansa em paz, meu amigo. Descansa em paz!

domingo, 21 de novembro de 2010

Santareno em Santarem


Em Novembro celebra-se Santareno em Santarém. A obra do grande dramaturgo como objecto de homenagem ao Teatro. Este ano, entre outros galardoados, a homenagem maior vai para os actores Rui Mendes e Anna Paula. Dois ícones da arte de representar que vão integrar a galeria de homenageados onde se incluem Ruy de Carvalho, Nicolau Breyner, Eunice Muñoz, Carmen Dolores, Carlos Avilez e tantos outros que se entregaram a nós de corpo e alma, dando-se ao Teatro. Esta noite, Santarém aplaude Bernardo Santareno e uma procissão de grandes actores e encenadores. Não vão sobrar aplausos para mais esta apoteose de talentos e figuras que nos pertencem pelas carreiras que legaram ao País. Viva o Teatro!

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

As Aventuras de Maresia do Mar


Está a entrar esta semana das livrarias. Hoje fui confrontado com a primeira sessão de autógrafos sobre este livro para putos. É uma experiência engraçadissima. Descobri um público novo. E fascinante. Até o autógrafo obriga a uma linguagem diferente. Fui ler os autógrafos que minha amiga Alice Vieira deixa nos seus livros para a Matilde, para a seguir de perto.Não há nada como aprender com os verdadeiros mestres! 

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Desemprego

Os dias já cheiram aos cinzentos da invernia. O sol empalideceu e o frio infiltra-se devagar, cada vez mais frio pela manhã, enquanto as árvores, os pássaros, a vida entorpece. Há menos chilreios no Jardim da República. O Natal procura contraditar este enclausuramento da Natureza e dos Homens, estimulando a fantasia de que virá o Menino Jesus ou um Pai Natal conduzindo renas cintilantes que anunciam o renascimento precoce da Primavera.
Porém, este ano o Inverno vem o mais rijo.Traz mais desemprego nas tempestades e as geadas fazem doer os ossos com mais intensidade.À Casa Solidária, que há três anos criámos em Santarém, adivinhando esta crise, são cada vez mais os pedidos de socorro. São poucos aqueles que pedem móveis restaurados, vestuário reparado. São cada vez mais aqueles que procuram alguma coisa para comer. Comer! O último patamar da miséria. E o desemprego não pára de subir. Cada vez são mais homens e mulheres aflitos, pais aflitos de crianças aflitas que, nesta altura do ano lectivo, continuam sem dinheiro para comprar livros escolares.É assim que o desemprego, a crise, gera futuros desempregados, crianças desarmadas perante a competitividade que amanhã os espera num tempo cada vez mais competitivo. Portugal está num estreito corredor, frio e carregado de penumbras, e confesso que não sei como dele se sairá.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Adeus, Senhor do Adeus

Era uma personagem estranha. A primeira vez que passei no Saldanha não liguei ao aceno amigável que aquele homem de cabelos brancos me dirigiu. Foi da segunda vez que me inquietou. Ali estava, silencioso e afável, acenando com prazer quem passava. Dei comigo a pensar que muitas vezes as palavras não são necessárias para que nos confortemos. Um gesto, um simples gesto na noite de Lisboa, tornava a cidade menos fria, acenando um cumprimento, acenando um sorriso.
Quando passava e não encontrava aquela mão que dizia, adeus, amigo, adeus!, faltava qualquer coisa na minha noite. Alguém com que trocava um adeus e um sorriso. E agora partiu de vez. O Saldanha tem agora menos luz e nós temos saudades daquele adeus. Adeus, bom homem, adeus!

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

A Cimeira da Nato e o Terrorismo

A próxima Cimeira da Nato em Lisboa fez explodir um grande falatório em torno do alto risco do encontro entre os Aliados. Aliás, a única grande explosão que vai acontecer por estes dias.Tretas! Basta saber qualquer sebenta ou manual barato sobre terrorismo para perceber que ninguém se atreve a testar a segurança de grandes/importantes encontros. A própria História confirma esta certeza. O elevado grau de segurança diminui todos os níveis da ameaça. É fácil. Não custa a aprender. Fica o falatório para o pessoal discutir o sexo dos anjos e acentuar a gravidade dos dias que agora correm. Mas são balelas. Algumas perigosas. Que podem querer amordaçar manifestações anti-Nato em nome da Sagrada Segurança. Uma espécie de santa amada, divinizada, mas escondida em parte incerta. Quando o securitarismo, em nome do medo terrorista, procura condicionar o exercício das liberdades torna-se numa coisa muito feia e escabrosa. Que os lisboetas gozem esse dia com tolerância de ponto, que a Nato chegue em boa hora e parta em hora ainda melhor, que se discutam coisas sérias. E sobretudo trabalhe-se. É disso que o país precisa. Que se trabalhe, que se crie trabalho para quem está desempregado, que se cuide da esperança para quem estuda e se prepara para o mundo do trabalho. O resto é falatório de coscuvilheiras sem destino.

O 'clown' Chavez

Este 'clown' esteve aqui e foi recebido com honras de Chefe de Estado. Espero que o 'palhaço Tiririca' seja recebido de igual forma. Ambos trabalham nas televisões dos seus países. Tiririca faz rir. Este faz chorar. Conseguiu reduzir a política do seu país, durante décadas uma referência importante da América do Sul, a um programa de televisão que nem o mais tenebrosos e patético dos programas da televisão portuguesa se lhe pode comparar. Impôs o mediatismo do populismo medíocre que serve uma política reles, sem princípios, cheio de frases ocas que defendem uma 'revolução(?) bolivariana' que ninguém sabe muito bem o que é. Passei por Caracas há poucos meses. Já conhecia a cidade de viagens antigas. É com um aperto no coração que se testemunha a decadência que este revolucionário de pacotilha impôs ao seu Povo. Com amigos destes, Portugal não precisa de inimigos. 

domingo, 7 de novembro de 2010

Fernando Nobre em Santarém

Mesmo sabendo do meu apoio à candidatura de Cavaco Silva, este português ilustre, também candidato à Presidência da República fez questão de me convidar para partilharmos o pequeno almoço, durante a sua digressão por Santarém, dando conta dos seus pontos de vistas e querendo saber das minhas preocupações com Santarém e a sua região. É um homem que nos honra com a sua candiatura. A simplicidade e o desprendimento, a seriedade e o rigor com se envolve num projecto tão diferente daquilo que tem sua vida, faz de Fernando Nobre um cidadão que nos orgulha e enriquece estas eleições presidenciais. Já nos conhecíamos. Razão porque não estranhei a sua forma apaixonada de viver os desafios. Que Deus o ajude nas mil batalhas em que se envolve, sempre com a solidariedade na vontade, a fraternidade nas acções, e um sentido de servir que é exemplar. Houvesse na política mais homens assim e, de certeza, que Portugal estava bem melhor.

As Luzes de Natal

Quando era puto, e comigo os outros putos da minha escola, esperávamos o Natl com uma brasa no coração.Chegava o Pai Natal ou o Menino Jesus e o conforto alegre da família que se reencontrava, nos doces da minha avó e nas luzinhas que tremelicavam no presépio e pelas ruas da vila. Cheirava ao fumo do azinho nas lareiras, o frio precipitava a noite, mas nós, os putos daquele tempo, já lá vai tanto tempo!, aqueciam-se no encantamento do brilho reluzente que empolgava as ruas e as praças. O Natal chegava muito antes. Exactamente quando as luzinhas começavam a brilhar mal caía o entardecer, à hora das pessoas saírem do trabalho. Anos mais tarde, revivi essas noites no brilho encantado dos meus filhos. Dos meus putos. Revia-me nesse mistério mágico que transforma estes tempos na convicção de que o munndo é bem mais bonito do que a ruindade que o come o resto dos outros meses. Lembro-me, como se fosse hoje, dos Natais difíceis. Onde o presépio era pequenio, tão pequenino como a ceia, porém com as barrigas confortadas de esperança. Poderia haver menos luzinhas, mas o brilho do olhar dos putos substituía a refulgência que as dificuldades tornavam cinzentas.
Quando entrei na Câmara de Santarém, há cinco anos, em véspera de Natal, decidi que ajudaria a que cintilassem os olhos todos iguais, pois os nosso putos são todos iguais na alegria, por esses dias que iluminavam a chegada dos presépios, das árvores de Natal, das prendas e, sobretudo, dos abraços e dos beijos, serão milhões de abraços e beijos com que por estes dias e estas noites repetimos: Feliz Natal! Em muitos casos, infelizmente, a única prenda para os nossos putos nessa noite da alegria redentora.
A crise económica e financeira tem destruído o que de melhor há em nós. Nunca se viu tanto fariseu reclamando todas as pupanças, todos os cortes, o fim de tudo aquilo que eles próprios não têm - sentido de fraternidade. Corte-se, esfole-se, insulte-se, entremos no luto final que a mesquinhez vence todos os dias. Sei que vivemos um ano ruim. Sei que neste Natal há muitos que sofrem. Sobretudo muitos putos a quem restam as luzinhas de Natal da sua vila ou cidade.
Sobretudo porque eles não não culpados da mesquinhez daqueles que nunca acenderam uma luzinha no coração, essa luzinha de esperança e combate com que daqui haveremos de renascer.
Por isso mesmo, que fique claro, em Santarém continuarão as iluminações de Natal, embora mais pobres, pois os nossos putos não têm culpa de que a cabeça de muitos homens, pretensamente cultos, viva na mais triste escuridão.

Francisco Moita Flores

in Correio da Manhã, 7.11.10

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Porque Apoio Cavaco Silva

Apoio Cavaco Silva porque é um homem íntegro. Porque é fiável. Porque se pauta por critérios de respeitabilidade e responsabilidade. Porque não constrói percursos ao sabor do vento. Porque sabe dizer não e sabe dizer sim. Porque o seu intervalo de dúvida para o 'talvez' que destrói vidas, projectos e o país, é muito reduzido. Porque falha. Porque erra. Porque é humano. Porque não gosta da política do folclore. Porque gosta da política onde as pessoas vivem, sofrem e sonham. Porque não se perde em caprichos. Porque conhece bem a realidade portuguesa. Porque na sua sobriedade espartana é uma referência de segurança. Porque não promete para fazer festim e depois não  cumpre. Porque sabe estabelecer pontes, mesmo com aqueles com quem não concorda. Apoio Cavaco Silva porque tem sido o referencial de segurança e de lucidez. Porque não tem medo. Porque não faz da política uma arma de cinismo. Porque é o único capaz de entregar estabilidade ao órgão máximo do Estado. Porque é boa pessoa. E, destruindo os mitos construídos por aqueles que não o conhecem, porque tem um sentido de humor apurado e só os grandes homens são assim. E com ele Presidente, Portugal está melhor.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

As Aventuras de Maresia do Mar

O meu primeiro livro de contos para miúdos. Saído dos contos que inventava para que os meus filhos aprendessem o ciclo da água, os microorganismos, os astros e por aí fora. Sabe-me bem escrever para os putos. Regressamos à meninice e às brincadeiras que os anos obrigaram a esquecer. Obrigado ao Ricardo Tércio pela magnifícia ilustração. Obrigado à Casa das Letras pelo bom gosto da edição. Divirtam-se!

Quando entramos em Novembro e a Memória renasce (Ary dos Santos) - Saudade

Esta palavra saudade
Sete letras de ternura
Sete letras de ansiedade
E outras tantas de aventura
Esta palavra saudade
A mais bela e a mais pura
Sete letras de verdade
E outras tantas, de loucura
Sete pedras, sete cardos
Sete facas e punhais
Sete beijos que são nados
Sete pecados mortais
Esta palavra saudade
Dói no corpo devagar
Quando a gente se levanta, fica na cama a chorar
Esta palavra saudade
Sabe a sumo de limão
Tem um travo de amargura
Que nasceu do coração
Ai palavra amarga e doce estrangulada na garganta
Palavra como se fosse o silêncio, que se canta
Meu cavalo imenso e louco a galopar na distância
Entre o muito e entre o pouco, que me afasta da infância
Esta palavra saudade é a mais prenha de pranto, como um filho nascesse
Por termos sofrido tanto

Por termos sofrido tanto
É que na saudade está viva
São sete letras de encanto
Sete letras por enqaunto,
Enquanto a gente for viva

Esta palavra saudade sabe ao gosto das amoras
Cada vez que tu não vens, cada vez que tu demoras
Ai palavra amarga e doce, debruçada na idade
Palavra como se fossemos resto de mocidade
Marcada por sete letras a ferro e a fogo no tempo
Ai, palavra dos poetas que a disparam contra o vento
Esta palavra saudade dói no corpo devagar
Quando a gente se levanta fica na cama a chorar


À minha Avó! Á minha Mãe!