domingo, 26 de fevereiro de 2012

Isto vai. Devagar, mas vai. Sporting 1 - R. Ave - 0

Um golaço de Izmailov  resolveu a coisa. Podem argumentar que foi só um. Mas foi uma 'bomba'. Encheu mais o olho do que dar três daqueles que se fazem ali á mama, sem graça nem espectáculo. E lá vamos acertado o passo. Pobretes mas alegretes. Ao menos que salvemos os dedos que os anéis já se foram.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

As Horas e os Dias IV


2ª feira - Passei o sábado e o domingo sem sair de casa, repartindo-me  entre a minha Luisa de Gusmão e a série que escrevo para a TVI. O frio acomoda-nos. abrigados, e sabe bem esta relação com a ficção. A realidade é bem mais dura e não admite tantos sonhos. Logo pela manhã, o presidente da junta de freguesia da Gançaria telefona-me para me dar conta que decidiram festejar o carnaval numa jornada de luta contra a extinção da freguesia.Várias dezenas de manifestantes vão almoçar em frente á Câmara Municipal e convida-me para  o almoço de terça feira. Assino as autorizações necessárias e peço perdão aos divertículos - cheira-me que vai ser um contigente de febras e entremeadas. Trabalhamos no Carnaval. Desde que tomei posse, em 2005, que sigo os governos no que respeita a pontes e a feriados. Nunca alinhei no populismo de mais uma ponte aqui, mais uma folga ali. Julgo que neste caso, o governo não foi feliz. O Carnaval tem implicações directas nas escolas, na vida de muitos miúdos e de muitos pais. É uma decisão que deve acompanhar o planeamento do ano lectivo e não cair, como caiu adruptamente sobre nós. Mas cumpriu-se a regra, ainda que grande parte dos funcionários tenha optado por meter férias. O dia passa mole, sem sobressaltos. Os telefones não tocam na vertigem habitual e o dia dá sinais que o frio está de partida. O sol ilumina, quente e doce, o casario de Santarém e os campos que dali, do meu gabinete, se estendem suaves para os lados de Almoster.O correio é pouco. O despacho do dia é irrisório comprado com os dias normais de trabalho. A Alberta Marques Fernandes manda sms. Nessa noite iremos discutir o caso do assassino de Beja que, entretanto, se suicidou. Triste caso, por sinal. Porém, desconfio que a sua morte vai fazer desaparecer as notícias. É como se a auto-punição saciasse a fome de vingança e revolta que virou as atenções para a tragédia ocorrida naquela capital alentejana. Devo confessar que me entristece. Gosto de Beja. Estudei lá. Os meus dois filhos mais velhos nasceram ali. Ainda hoje, tantos depois depois, encontro amigos desses tempos longíquos e a cidade é doce e calma, parece que sorri a quem chega. Não merecia esta atenção macabra.
3ª feira - Desde bem cedo que a população da Gançaria se concentra junto á porta da Câmara. Trazem adereços de outros carnavais, música, boa disposição e luta pela defesa da sua freguesia. Os meus temores confirmam-se. As febras ali estão, gulosas, desafiando qualquer dieta. A situação anormal chama a atenção de curiosos. Recebo a comissão que apresenta a petição contra a reforma administrativa que inclua a extinção da freguesia. Gente cortês, que palpita de emoção em defesa da sua terra, explico-lhe qual é a situação e peço ajuda para que levemos por diante esta reforma. È uma reunião calma, onde se sente a paixão, mas não existe animosidade. A seguir falamos ás dezenas de pessoas que estão no largo. Os braseiros lançam odores perfumados dos petiscos grelhados e o vinho escorre e um presunto infeliz é lascado até ao osso. Refugio-me nele para não sofrer as consequências dos danos da festa em luta ou desta luta em festa. A música aquece, as gargantas começam a desafinar e a cantoria ribomba no edifício. Ás 17.30 desisto de trabalhar. Não há concentração nem atenção que resista ao Carnaval. Vou para casa. Tenho vontade de escrever. Hoje vou terminar um episódio da série. Tenho a história alinhavada desde o fim de semana. Seja a que for, vou terminar.
Terminei ás duas da manhã e julgo que ficou bem.
4ª feira - Recebo um convite para participar num seminário sobre o poder local e a competividade. Pedem a minha presença e não recuso. Angola faz parte da minha memória e tenho curiosidade em ver como cresce aquele país que estreita cada vez mais os laços com Portugal. O dia é marcado por cinco reuniões.Uma delas, bem importante, para desenhar os próximos destinos do QREN. Janto com o deputado Nuno Serra e preparamos, em termos de informações, a Assembleia Municipal que vai decorrer na próxima sexta-feira. E espanto dos espantos!, o Porto leva quatro do Manchester.
5ª feira - É dia de anos. Os meus colaboradores directos quotizaram-se e ofereceram-me um livro sobre a História de Portugal. Sabem das minhas curiosidades e pesquisas em torno de João IV e Luisa de Gusmão e contribuem para o entusiasmo. Vou passar o resto do dia com a minha gente. Quando se chega aos 59 anos, já não precisamos de prendas. Gozamos muito melhor os afectos. E as flores que recebo. Rosas brancas. As flores sempre polvilharam as minhas adesões mais instintivas quer da vista quer do olfacto. Quem me conhece sabe como gosto de flores. A minha prenda preferida. Rezo a S. Francisco para ver crescer e construir-se aqueles que mais amo. Gostava que a morte me desse mais alguns anos de descanso antes de me tocar á porta do coração. Ver crescer filhos e netos dá-nos um apego á vida que nem o maior dos deprendimentos consegue conter.
6ª Feira - Passo o dia a preparar a Assembleia Municipal que começa ás 17.30. Sei que me vão fazer perguntas de algibeira. Exactamente aquelas que dão mote para a retórica e vão deliberadamente escamotear aquilo que é evidente nos problemas da autarquia. É um estranho jogo a que não me adapto. Adivinhar perguntas e reconheço que vulgarmente sou surpreendido. Desta vez acabou cedo. Contra a normalidade. Ainda não são vinte e três horas. Vou dormir. Amanhã vou estar nas comemorações dos 40 anos das Guias de Portugal em Santarém. E depois escrever. O resto do sábado e do domingo. Para apaziguar a alma. 



quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

As autárquicas e as pressas!


Está decidido que, de quatro em quatro anos, o dia do meu aniversário é dia de grandes emoções. Há exactamente quatro anos, quando almoçava com os meus filhos, um telefonema pôs a mesa a estremecer de espanto. Um jornalista perguntava-me, e confirmava antes de eu responder, que era o candidato do PSD á Câmara de Lisboa. Não nos engasgámos com o peixe por milagre.Perguntei a quem de direito, depois do café, que coisa era aquela. Ninguém sabia.  Não me admirou. Eu também não sabia.
Hoje, passados quatro anos, a história passou-se ao jantar. Fui informado por um jornal que sou candidato a uma autarquia limitrofe de  Lisboa. Desta vez nem tentei telefonar. Sei que o pessoal do PSD está embrenhado na preparação do Congresso. Também estava fresca a notícia de que a minha filha Matilde teve uma grande nota no teste de História e informavam-me que o Sporting ganhara o jogo e iria defrontar o Manchester City para, desta forma, desforrar o enorme desgosto que se tem vivido no Dragão. Está certo.Quando os aniversários têm este sal, a noite é mais animada.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

O meu Aniversário


Alguém decidiu há meia dúzia de anos que hoje seria o meu dia de anos. Desconheço que raio de informação motivou tal fé, mas enfim. Na verdade, quando se caminha para os 59 , todos os anos se evoca mais um ano de qualquer coisa. Hoje, o único aniversário natalício, ou pré-natalício que faço, é de que foi o último dia de gestação sem ainda ter visto a luz do Sol. A minha mãe teve a bondade e a grandeza de me achonchegar no seu ventre durante nove meses e foi bom de certeza absoluta porque ainda a amo como se estivesse viva, aliás sei que continua viva no meu coração e na minha memória. A verdade é que será a amanhã, dia 23, que se comemora o dia em ela, já cansada de suportar o artista, correu ao hospital de Moura e disse: Já chega. Vai ver o Sol.
E eu gostei do sol e das pessoas que se abrigavam na sua luz. Tem sido um bom lugar para viver.Ás vezes é agreste mas sobretudo é o sítio onde descobri a doçura e o prazer do combate. E vai sê-lo, seguramente, para morrer.Aliás coisa que também já comemoro pois pelo menos duas vezes já sucedeu ter recebido notícias sobre a minha morte. A última foi há cerca de um ano.Informaram-me que eu tinha morrido num terrível acidente numa estrada do Algarve e percebi que havia alguma desilusão, em alguns telefonemas, quando respondi que passara o serão tranquilo a ver o Dr. House. Mas ainda não tinha chegado o fim da minha gestação pela vida e cá estou.Razão porque amanhã tenho de fazer anos. Mas como todos os anos desminto esta história mas todos os anos ela regressa com a mesma desconcertante e imperturbável teimosia, agradeço a todos os amigos que desde as sete da manhã estão a enviar sms's e telefonaram que os parabéns estão aceites com agrado pelo que não precisam de repetir a dose amanhã. 

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Gançaria em Festa e Luta


A população da Gançaria (freguesia de Santarém) aproveitou o dia de Carnaval e veio almoçar, festejar e protestar junto ás portas da Câmara Municipal. Motivo: a reforma do mapa administrativo e o possível desaparecimento desta freguesia. Almoçámos em clima de festa num magnífico piquenique com sol. É capaz de ter chegado a altura da comissão destinada a este assunto, eleita pela Assembleia Municipal, passar a acertar o passo e a andar. As populações merecem respostas. Não basta a gritaria panfletária e tacticismos mais ou menos egoístas. Parabéns á Gançaria!

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Boas melhoras, Eusébio. Os teus amigos e admiradores torcem por ti!


Eusébio voltou a ser internado. A 3ª vez no prazo de dois meses. Boas melhoras. Os sportinguistas desejam as tuas melhoras assim como os teus amigos!

Desemprego é inimigo a vencer

De entre os sinais da crise, o Desemprego é o verdadeiro pesadelo.Ou se injecta dinheiro na economia para multiplicar postos de trabalho e riqueza ou o país transforma-se numa imensa fila de desempregados e mais pobre, cada vez mais pobre.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

As Horas e os Dias III



2ª feira começou cedo. Estou a recolher fotografias sobre estes anos de trabalho á frente da Cãmara de Santarém. Decidi que vou publicar um livro contra o esquecimento. O que éramos e aquilo que somos.Vai levar fotografias do Antes e do Depois. O meu testemunho contra a retórica vulgar e oca. E pela memória das coisas. Vão lá estar as escolas, os espaços públicos, os parques de recreio, as estradas, o saneamento e os grande acontecimentos que marcaram Santarém. O 10 de Junho, a história do Convento de S. Francisco, os tribunais, as grandes batalhas pelo Alviela, as grandes batalhas por Santarém e Santarém no mapa do país. Alguém ainda se lembra como era o ginásio do Seminário? e das prostitutas e dos toxicodependentes no jardim da República? e da degradação do parque escolar? Olho as fotografias e parecem memórias distantes e, no entanto, aqui tão perto.

A TSF transmite o programa a Soma das Partes a partir de Santarém. Convidaram-me para encerrar o debate. Logo hoje que é o Dia Mundial da Rádio.Aproveito para explanar a situação estratégica de Santarém e saudar a rádio, essa memória intensa que marcou a minha infãncia, bem antes da chegada da televisão. Do meu pai, em surdina, a escutar a Radio Portugal Livre, dos relatos de futebol do Artur Agostinho, das novelas radiofónicas, com o Henrique Canto e Castro a fazer de Tristão e a Carmen a fazer de Isolda.
Mais tarde tornámo-nos amigos. Grandes amigos. E um dos meus actores preferidos. Entrou em quase todos os meus grandes trabalhos.Foi vadio (o Grelinhos dos Filos do Vento) o médico anarquista, na Raia dos Medos, o Marquês impotente e devasso dos Ballet Rose, o Mestre no João Semana, o médico-legista dos Polícias, o Artur, sempre bêbado, da Esquadra de Polícia, o Cautelas dos Desencontros. Enfim, uma vida a trabalharmos juntos. Foi na rádio que o conheci. A Rádio que hoje se celebra pelo mundo inteiro. A voz do Luis Filipe Costa e do Joaquim Furtado, anunciadoras da Liberdade, a voz de todas as cantigas que marcaram as nossas vidas. O António Sala, o Fernando Alves e tantos e tantos outros que são parte de nós, da ra´dio e da vida inteira.
Esta terça feira veio uma grande notícia. Afinal, o governo vai recuperar o plano Ota-Alcochete. A primeira reunião é na próxima 5ª feira. Julgava estar morto e enterrado. Um bom pretexto para o PS de Santarém gritar contra nós as promessas não realizadas. Afinal, regressa! 5ª feira saberemos em que termos. Os jornais estão cheios com as notícias da chacina de Beja. Pedem-me duas estações de telivisão que vá comentar o caso. Recusei. Não percebo o que se passou. Não é caso único um tipo matar a família e a seguir dar um tiro na cabeça. Mas é único fazer uma chacina á catanada e passar a conviver com os cadáveres. Não percebo a cabeça deste homem. Faltou o suicídio para lhe identificar o momento de cólera, ódio, raiva e revolta. São 21 horas quando me despeço do Varejão. Esta noite vou agarrar-me a série para a TVI, arrumado que está o filme para a RTP. Vai ser uma história engraçada e acho que descobri meia dúzia de personagens bem conseguidos. Sei que o meu filho, o Luis, vai defender 6ª feira o planode tese de doutoramento em robótica. O júri é da Universidade Nova e da Universidade de Estocolmo. Gostava tanto de estar com ele, Santo Deus!
Julgo que a riqueza maior que podemos acumular é ver este caminhar dos filhos pela vida. Vê-los crescer, reconhecer-lhe as qualidades de trabalho, de dedicação, de força de viver. Não há riqueza maior, nem felicidade maior. Tornaram-se em dois engenheiros reconhecidos por esse mundo fora. Vi-os arrancar com a sua empresa de robótica pesada. Há dez anos. Eram quatro engenheiros portugueses. O Luis, o Nuno e mais dois colegas. Hoje são 61 engenheiros. A esmagadora maioria portugueses que se espalham pelas fábricas de automóveis e aviões do mundo. Levam a engenharia portuguesa bem longe. Parceiros das grandes marcas internacionais, reconhecidos pelo prestígio do seu trabalho. É um orgulho que não consigo disfarçar. Nenhuma das vitórias ou sucessos da minha vida me dá tanto prazer como esta afirmação dos meus filhos - os meus putos como ainda os trato - apesar dos quase quarenta anos de vida.
 5ª feira chega com a notícia da lei dos compromissos aprovada pelo governo. Toda a dmnistração pública proibida de fazer despesa sem receita cabimentada. Ou seja, a paralisação completa dos serviços das autarquias. Ou as autarquias são tratadas com a mesma consideração que o Governo da Madeira ou esta lei dos compromissos vai liquidar mais de dois terços do poder local. Com o crédito cortado, sem tesouraria, não há discursos de aperta o cinto que nos valham.E com o garrote, vão para o charco as economia locais. Uma coisa é viver com dificuldades, outra é ficar asfixiado. mandei preparar os documentos para o saneamento financeiro de Santarém. Entra a lei dos compromissos  em vigor e no dia a seguir o pedido de saneamento financeiro.Hoje o dia foi longo. Acabei numa conferencia em Lisboa sobre a crise a insegurança. Estavam cerca de seiscentas pessoas. Correu bem.
6ª feira - acordo com duas notícias. O último pacote de análises clínicas informa-me que o meu intestino grosso está a melhorar. E sei que o homicida de Beja se suicidou. Assim a história bate certa. Não é suportável para nenhum ser humana cometer aquela barbárie e continuar o prazer de viver. A TVI convida-me para comentar o caso e aceito. O acordo Ota-Alcochete que ontem foi discutido entre o Secretário de Estado e as autarquias está novamente em pé. Propõem o governo alterações em função das dificuldades do país. O Plano de Acção tem de estar actualizado até ao fim do ano. vamos propôr a alteração de alguns pontos daquilo que cabia a Santarém e incluir o cluster do cavalo. É uma boa notícia. Vem atrasado - quase ano e meio - mas vem a tempo. É sempre tempo de acrescentar competitividade á região e abrir um sinal de esperança na depressão em que mergulharam os dias do país.
Sinto-me cansado. A semana foi intensa mas produtiva. Com bons e maus momentos. Sempre com muito trabalho. São 21.30 quando saio de perto da Judite de Sousa e abandono os estúdios da TVI. Vou dormir, Este fim de semana vai ser dedicado á minha série para a estação de Queluz. Sem pausas. Talvez só com pausas para estar ou falar com os meus filhos. Para a semana faço anos e recuso-me a fazer mais de 18 anos, como escreveu o poeta José Gomes Ferreira. E por isso, vou tornar a fazê-los em paz com aqueles que mais amo. Saciado de trabalho e afecto.






segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Adeus, Domingos, até sempre! Bem Vindo, Sá Pinto!


É com pena que vejo partir Domingos. Um talento que não teve sorte. Apenas isso. Chega Sá Pinto. Esperamos que ponhas a fera a rugir. Boa sorte!

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Nuno Serra : Parabéns!

O deputado Nuno Serra venceu hoje as eleições para a Comissão Concelhia do PSD de Santarém sem um único voto contra. É com jovens deste calibre que se constrói o futuro. Gente sem medo do trabalho e de servir a causa pública. Gente que faz e sabe o valor do trabalho generoso e dedicado. Sem pensar no seu umbigo. Com as pessoas no coração. Parabéns!

Uma pessoa passa-se! Duas secas no Funchal!


Pára com as poses,pá!! Vais ao Funchal para seres comido por um borreguinho?! Levanta o rabiosque e corre, pá! Ou agora entraste no mundo dos que falama,falam e não fazem nada!? Faz-te á vida, pá!

João Leite - Parabéns!!


O Dr. João Leite, vereador da Câmara de Santarém, foi hoje eleito coordenador nacional dos jovens autarcas do PSD. É um prazer e uma alegria ver o valor deste jovem quadro reconhecido pelos seus pares. Parabéns, João! Como vê o trabalho, e só o trabalho, compensa as caminhadas ao serviço dos outros. É por ele que é reconhecido e pela sua verticalidade e determinação. E um exemplo de gente com categoria que Santarém tem estado a produzir. Parabéns!

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

As Horas e os Dias II


Segunda feira acordou fria. Uma aragem gélida varre a praça do Municipio e arrasta as folhas secas que se desprendem das águas sequiosas. Temo que os danos materiais da crise sejam agravados por esta crise meteorológica que traz frio mas afastou a chuva. A seca começa a ser uma ameaça séria e só Março e Abril nos trazem esperança. Os campos, os animais, as cidades necessitam de água como pão para a boca. E começa a ser tarde quando as notícias já nos informam de barragens com menos de 50% de armazenamento. É sobre água o comunicado do PS de Santarém que um dos vereadores me entrega de manhã. A eterna lengalenga de saudade sobre as Águas do Ribatejo, o mesmo sentido de traição em relação a Santarém e ao seu património. Um património que queriam alienar por tuta e meia tendo compensação fundos comunitários e uns trocos. Santarém ficou com o património, recolheu os fundos comunitários, consolidou a obra de saneamento, estrutural e estruturante e nem uma palavra de gratidão pela cidade e pelo concelho que juraram defender e servir. Nem uma! Ao serviço do Partido antes de qualquer interesse. Ao serviço dos designios pessoais antes de qualquer juramento. E como a banalidade é que dá boa conversa, vá de comunicar banalidades sem um pingo de sensatez. E muito menos de boa fé.
A reunião de Câmara correu normalmente.Durante a tarde decorrem as reuniões da agenda. Ainda recebo os presidentes de Vaqueiros e de Stª Iria que me apresentam abaixos-assinados contra a extinção das suas freguesias e pressinto que esta resistência vai continuar sem que se debata a fundo como fazer esta reforma sem ser imposta pelo Governo. Fico a saber que a comissão eleita pela Assembleia Municipal só ainda reuniu uma vez e dizem-me que o líder concelhio do PS, que lidera o grupo socialista, apresentou escusa da comissão. De facto, a retórica e o maldizer é bem mais fácil do que o trabalho sério de reflexão sobre a organização administrativa do concelho. Veremos no fim como estridem os gritos de protesto contra qualquer reforma ou qualquer alteração. Nos panfletos e nos protestos é que está a mais valia da política. Julgam eles.  
Recebo o sms da Alberta Marques Fernandes. Hoje, no Justiça Cega vamos discutir o Mapa Judiciário. Não tive tempo para terminar a leitura. São mais de trezentas páginas. Centro-me nas linhas mestras da reforma. Sinto, e penso, que o país tem demorado nestas reformas - autarquias e comarcas - adiando eternamente decisões. Duas delas são precisamente estas. Por cada dia que passam, degradam a funcionalidade da Justiça e não actualizam as competências territoriais do municípios, acrescentando-lhe escala e competitividade. Reformas sempre adiadas. Desde o tempo em que não havia metrópoles e os conceitos de organização da pólis ainda se fundavam nas teoréticas de Max Weber. Mesmo com os movimentos migratórios e as alterações demográficas enfiando-se pelos olhos dentro, com as novas reconfigurações urbanísticas e funcionais das cidades alterando centros e territorialidades.
Terça feira, o dia começa bem. Começou a ser construída a rosácea do convento de S. Francisco, oferecida, por mecenato, pelo Montepio. Está marcado o assentamento para 10 de Junho. Recebo o Dr. Conde Rodrigues. Não o via desde que foi Secretário de Estado.Gostei de o ver. É uma pena ter abandonado a vida política. É um homem de valor. A minha filha Matilde telefona-me. Vai entrar nas Olímpiadas da Química. É uma excelente ideia esta. Depois das Olimpíadas da Matemática, surgem as da Física-Química. Mobilizar os putos em torno da aprendizagem e do conhecimento, entregando-lhes passatempos úteis, é um projecto que tem vindo a fazer o seu caminho.Não tenho dúvidas que é a aposta mais séria no futuro: aprender, saber mais, conhecer mais nunca abandonado o caminho da solidariedade. Um caminho que hoje não tem norte. Crivado por angústias, ressabiamentos, amarguras. São os putos que vão salvar o país deste estado de espírito espúrio. O Comandante da GNR apresenta o novo dispositvo de policamento de proximidade. São sete horas da tarde. No salão nobre da autarquia expõe os principios metodológicos aos presidentes de Junta de Freguesia de Alcanede, de Tremez, do Vale de Santarém, da Póvoa da Isenta, de Almoster, de Alcanhões. É um modelo simples e eficaz que recebe o apoio de todos eles. Fico satisfeito por ver gente implicada no serviço público sem vontade de complicar. Quer as Juntas quer a GNR. Espero que os resultados sejam bons. O despacho persegue-me. Ainda falta dois montes de papel. São quase 21 horas quando me despeço do Vitor Varejão á porta do Palácio do Provedor das Lezírias. O frio continua a roer nos ossos e espera-se agravamento da situação. Sem chuva. Hoje vou agarrar-me ao meu filme 'A Festa'. Comecei e recomecei no fim de semana. Não batia certo. Á terceira tentativa arrancou. Esta noite dou-lhe um avanço grande. O meu romance sobre Luisa de Gusmão continua a olhar para mim. Mas o padre António Vieira, que entra na história, delicia-me. É um dos grandes mestres da nossa Língua. Lê-lo é um vício e uma grande aula de Português.
4ª feira - Dormi pouco. Talvez perto de quatro horas. Envolvi-me com o filme e não descolava. Saíram-me 15 cenas bem esgalhadas. No próximo ataque, fica despachado. Ainda bem que o café não faz mal ao intestino grosso e aos seus padecimentos. O vereador João Leite acaba de me informar que vai ser candidato a coordenador nacional dos jovens autarcas do PSD. Agrada-me a notícia mas não me surpeende. O João tornou-se num grande vereador, reconhecido dentro e fora do conselho. Este reconhecimento nacional que vai receber entre os seus pares é merecido. Almoço na Assembleia da República com o deputado Nuno Serra. Cumprimento muitas caras conhecidas. Algumas que não via há anos. Á nossa frente almoça a deputada Idália Serrão com o filho. Está um matulão. Os putos quando desatam a crescer, parece que são objecto de uma explosão que os estica em poucos meses. Cumprimento-a. No fim do almoço vem despedir-se e, a brincar, atiro: Temos estado a preparar a campanha contra si à Câmara de Santarém. Ela responde com humor e afasta-se. A verdade é que há necessidade de discutir a reforma administrativa do país e do concelho. Trabalhou-se bem. Dei os parabéns ao Nuno Serra pela recandidatura á Comissão Política do PSD. Outra das grandes mais valias, trabalhador e determinado, que se tem formado em Santarém. E regresso á cidade. Tenho reunião com os vereadores e funcionários superiores da autarquia. É dia de ponto da situação sobre os trabalhos da edilidade. Corre bem. Há trabalho bom em desenvolvimento. As escolas estão todas já equipadas com quadros interactivos, um salto qualitativo para aprendizagem dos miúdos. É uma verdadeira revolução no concelho.Todo o trabalho que podíamos fazer sobre as barreiras de Santarém, está pronto.Basta agora que o Governo queira avançar. E devia aproveitar os fundos comunitários. Ou consolida agora as barreiras com dinheiro europeu ou então...só quando houver mesmo uma tragédia. Preparo depois a reunião que vou ter no dia seguinte no Ministério da Justiça. É com o Secretário de Estado. Os tribunais continuam, agora, com mais vigor já que a Reforma do Mapa Judiciário está na rua. Tenho uma afinidade com ele. Fomos os dois condecorados no mesmo 10 de Junho pelo senhor Presidente da República. Um momento da nossa vida que ninguém esquece. E é um bom homem. Sério. Cauteloso. Preparo-me bem e vou para casa. Deixo o Varejão com a família que o foi buscar á Câmara. Passa das oito da noite e o filho mais novo, o Zé Pedro, um reguila de palmo e meio, brinca e corre indiferente ao frio. Tenho de estudar História com a Matilde.  E estou motivado para terminar o filme para a RTP. Não sinto a insónia da noite anterior. Vai ser outra madrugada.
5º feira - Terminei o filme ia para as 3,30 da manhã. Não conseguia largar. Os diálogos saltavam naturalmente. Quando as personagens começam a pedir acções, o escritor perde o comando do psicodrama. São elas que comandam. Nessa altura deixámos de ser autores. Passamos a encarregados de educação dos personagens. É o climax de uma narrativa. A tensão que se gera entre quem escreve e é escrito. Hoje vou revê-lo. Corrigir e enviar. Ficou pronto.
Duas reuniões de manhã. São  nove horas quando sei que o projecto de consolidação da igreja de Stº Iria está pronto. É preciso dar andamento áquela obra antes que um dos mais monumentais mosiacos de azulejaria do país caia por terra. Foram décadas de desleixo com a igreja a afundar-se. Chegou a hora. O IGespar aprovou. Liga-me o antigo Presidente Paulo Caldas. Quer saber da minha saúde e dar dois dedos de conversa. Está no banco. A trabalhar e, como depreendi, com prazer. Marcámos almoço para a próxima semana. Almoço, é como quem diz. Arremedo de almoço. Amanhã é dia de TAC e sei que vai correr mal.
A reunião com o Secretário de Estado foi amena e construtiva. Preencheu a tarde e umas boas horas de discussão. Que ficou a meio. Vai continuar em Santarém, ainda este mês, durante a visita que vem fazer ás obras dos tribunais.    São quase seis horas da tarde quando saio do Ministério. O Tejo está crispado pelo vento raso que gela quem atravessa o Terreiro do Paço. E encontro o Eduardo! Velho companheiro de faculdade que me anuncia a reforma. Há quanto tempo não via este companheirão!? especialista em múltiplas quando fazíamos totobolas a meias. Celebramos a reforma dele e o reencontro com um café no Martinho da Arcada. É sempre como um regresso a casa quando aqui entro. Os pastéis de nata fofos, caseiros. A omnipresença de Fernando Pessoa. A amabilidade de sempre dos funcionários, velhos amigos, passageiros comuns de encontros e desencontros que apaioaram tertúlias, conferencias e debates. Despeço-me do Eduardo. Comprou casa no Algarve e vai gozar a reforma para bem longe dos quase quarente anos de trabalhos e problemas. Que Deus lhe dê saúde e imaginação para as suas apostas múltiplas que continua a fazer.
O cansaço rói-me os ossos. Decidi que revejo o filme amanhã. Preciso de dormir. Levo as cartas de António Vieira para a cama. Sei que amanhã é um dia duro.
6ª feira - Já é a terceira vez que faço esta TAC.Deixa-me de rastos. Não por causa do exame, que não passa de um mero exame radiológico, mas por causa do contraste. Cinco copos enormes daquele líquido sabendo a aniz que se bebe em meia hora e depois nos passar o dia com vómitos, desfeito do estômago, desfeito da prostração, enjoado, desfeito em papas. Sem forças. Sem energia. É a razão pela qual as minhas horas e o meus dias vão ficar por aqui.   


quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Homenagem merecida a J.Louro


Este fim de semana é inaugurado o largo junto á igreja dos Amiais, obra levada a cabo pela autarquia de Santarém. Vai receber o nome do Comendador Joaquim Louro, um dos grandes exemplos de empresário, de humanidade, de espírito de inovação. Um homem raro, de invulgares qualidades, que merece esta homenagem que a população dos Amiais de Baixo lhe presta. Longa Vida, meu caro. Que Deus lhe contiue a dar esse dom da alteridade para com o próximo e muita saúde!

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Salvador em sangue..


Uma semana de greve da Polícia e numa das mais fabulosas cidades do mundo a segurança faliu. Mais de 90 assassinatos para além de uma multidão de outros crimes. A cidade dos cantores e do poetas, da pintura e da capoeira. A cidade dos Capitães da Areia. Do Jorge Amado. De Castro Alves. De Bethânia e Gal Costa. De Caetano Veloso e Gilberto Gil. Da igreja se S. Francisco e do padre António Vieira. Do Senhor do Bonfim e do Pelourinho. A cidade profusa de côres, de alegria, referência poderosa de Portugal e de África, a cidade de todas as côres ficou por uma semana nas mãos de bandidos. E dói para quem ama os sinais daquelas pedras, daqueles sons, daqueles cheiros brasileiros feito dos cheiros de muitas gentes. Das moquecas e dos acarajés. Da profusão íconográfica do sagrado e do profano. Terra de Yemanjá e do Candomblé. Perfumada com letras e palavras do que de melhor o Brasil produziu em português. Uma das cidades do meu coração. Estou ferido. Esses bandidos feriram esse pedaço da minha alma.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Deixa-te de tretas. Não estás a rugir. É um bocejo!


Salta da preguiça e trabalha. Levar baile do Gil Vicente? Deus nos valha!

Gralhas e Olhares



Esta manhã, abri o meu blogue e percebi que, desde que nasceu passou por aqui uma multidão. Hoje ultrapassou a fasquia dos duzentos mil. E relendo alguns textos, percebo porque continuo a resistir a escrever directamente em computadores. As gralhas mordem-nos sem escrúpulos as canelas dos dedos. A tecla que não imprime, o pensamento mais veloz do que a pressa das palavras e, depois, os verbos que crescem mal conjugados, as fórmulas gramaticais muitas vezes inadequadas e, acima de tudo, a falta de jeito para lidar com esta máquina que, simultaneamente, é infernal e mágica. Fico sempre impressionado com a facilidade de saberes dos mais jovens sobre os segredos que o computador encerra. Venho da geração da máquina de dactilografar. Hoje é uma peça arqueológica. Continuo fiel á caneta com que aprendi as primeiras letras. Dificilmente serei escolhido para gerir com facilidade os mistérios desta máquina que se nos colou á pele como pastilha elástica á sola dos sapatos. Peço desculpa a quem visita este sítio. Como não sei corrigir, prometo apenas que vou bater as teclas com o cuidado de um pequeno elefante.Até agora, a loja de porcelanas  foi quase toda estilhaçada. E obrigado pela vossa visita. Voltem sempre!

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

As Horas e os Dias



2ª feira - São oito da manhã. O tempo está arrefecer, embora seco. A Matilde foi para a escola de bicicleta. Não me agrada com este frio. Mas tem o vício do pai e dos irmãos.Infelizmente a minha hérnia discal não permite esse gozo particular que é pedalar e sentir a ligeireza do andar suave sobre duas rodas. Os meus convivas de pequeno-almoço são de origem angolana. Dois deles são mais reservados. O terceiro faz perguntas. Era uma conversa agendada há umas semanas.É directo das perguntas. Quis saber o que levou a Unicer a sair de Santarém. Como era a burocracia da Câmara. Procuram local para fazer produzir flores em regime intensivo. Com estufas. Dou as explicações que me pedem. Depois de 6 anos á frente da autarquia, já recebi dezenas de pessoas que querem investir nisto ou naquilo. Habituei-me a responder a perguntas descrevendo as vantagens de investir na região. A mobilidade, a proximidade a Lisboa, os eixos viários e ferroviários. Os preços dos terrenos. A qualidade de vida. Não sei quantas vezes repeti estes argumentos. Talvez fiquem entusiasmados. Talvez não. Se não for em Santarém que seja na região. Explico as vantagens do Vale do Tejo. Os dois que estiveram mudos, tiram apontamentos. Fala sempre o mesmo.Será estratégia? A sucessão de perguntas parecem organizadas. O interesse é profissional. Sabem o que querem. Despedimo-nos trocando cartões. Talvez nos voltemos a encontrar. É o eterno consolo: esperar que chegue um investimento em tempo de vacas magras.
O Comandante da GNR está á minha espera. É um bom homem. Inteligente. O projecto para reorganizar o dispositvo da Guarda no Concelho é brilhante e eficaz. Talvez por isso tenha tantas resistências. A reunião corre bem. Fica com a certeza de quem o meu apoio. Sempre apreciei a coragem e o espírito de inovação. Sobretudo a eficácia. E este Comandante tem essas qualidades.
Tenho quilos de papéis para despachar á minha espera. É terrível a burocracia que venceu todas as batalhas do 'simplex'. Não bastavam as assinaturas finais e as rubricas nas páginas. Agora surgem protocolos que exigem rubricas nas duas faces da mesma página. É um protocolo de 150 páginas. Três exemplares. Ao todo, seiscentas rubricas e três assinaturas. Uma hora de inutilidade.
O verador João Leite vem dar-me notícias das obras. O largo da igreja dos Amiais está quase pronto, assim como o da Igreja de Stªa Cruz em Stª Iria da Ribeira de Santarém. Quer um quer outro vão receber os nomes de dois homens notáveis de Santarém. O Largo Comendador J.Louro e o Largo Vitor Gaspar. Infelizmente este partiu. E que saudades, Santo Deus!
Já são duas horas da tarde. Damos um salto ao restaurante ali ao lado. Confesso que é das maiores dificuldades que vivi: mudar os hábitos alimentares. Sopa, fruta, iogurtes. Peixe grelhado e outras coisas inócuas. Mas nessa 2ª feira não resisti. O vereador Valente almoçava com o Zé Valentim. Mão de vaca do grão! Há três meses que fugia do pecado. E pedi. Soube-me a mel, soube a pouco e ainda por cima á pressa. Ás três começava as reuniões da tarde e antes ainda tinha de falar com a vereadora das finanças. Recebi o sms da Alberta Marques Fernandes. Nessa noite,na Justiça Cega, iriamos discutir o novo mapa judiciário. Ás seis e meia estavam terminadas as reuniões. Falei com a Matilde. O teste de Francês correu bem e esta semana iria ser dura. Testes de Inglês, Matemática e Português. Prometi que estudávamos juntos Matemática e Português. É um dos meus maiores prazeres. Estudar com a minha filha. Inventar maneiras dela perceber a matéria e divertir-se ao mesmo tempo. Mas tenho que despachar a papelada que chegou durante a tarde. São dezenas de cartas, de ofícios, de solitações do próprio serviço da autarquia. A maior parte vai para o Varejão despachar. Gente que aplaude. Gente que se queixa. Gente que pede. Gente assustada. Chegam cartas de todo o país. Alguns mesmo doidos.Ainda passa pelo meu gabinete o Ricardo para falar de um problema numa junta de freguesia.  Relativizo o problema. Sei que o grande problema está para chegar e nesta semana: a redução das freguesias. Problema essencial na reorganização administrativa da região e que não tem merecido o debate que precisa.Com cabeça fria e alguma sensibilidade á mistura. Vou conhecer 3ª feira a dimensão da reforma. E para já ficar em silêncio. Gosto de apreciar em silêncio o silêncio ou a pesporrência de quem passa por cima de um trabalho desta envergadura disparando ou um insulto ou um protesto.   São 20.18. A 2º feira terminou. Preciso de ver a minha filha e de ir cumprir o designio medíocre na minha oposição: do género ' ele passa o tempo na televisão'. O Justiça Cega começa ás 22.30. Dá tempo para falarmos de matemática e de equações.A mão de vaca obriga-me á disciplina. janto uma mação e um iogurte. O programa correu bem. Cinquenta minutos de boa conversa. Gosto de discutir com o Marinho e Pinto e com o Rui Rangel. Ágeis no pensar e na argumentação. Velhas raposas batidas em discussão pública.Dizem-me que o programa tem boas audiências. Não duvido que o debate vivo e sem preconceitos contribui para isso. É meia noite. Não escrevo. Estou cansado. Ando a reler o Faulkner. Agarro-me Á Fábula. Terça feira é dia rijo.

São 9.30 de terça feira. O frio continua a apertar. Os jornais que são meus fieis parceiros - o Público, o DN e o CM - anunciam mais frio para o fim de semana. A reunião da manhã é sobre a reforma administrativa. Percebe-se que o Governo, embora passando as decisões para as Assembleias Municipais vai apertando o cerco. Quer fazer desaparecer entre 1300 a 1400 freguesias. Sobre as Câmaras estimula as uniões, seduzindo com aumento de receitas de 15%. Vamos ver como reage a opinião pública. Ou muito me engano ou vai ser o silêncio ou meia dúzia de protestos sem outra razão que não seja explorar sentimentos primários de bairrismo. Vamos ver. O almoço, desta vez é sopa e peixe grelhado, reúno com os actuais responsáveis que estão a reunificar as empresas municipais. Estão a trabalhar bem e rápido. Sei que o nosso limite de endividamente aumentou. Apesar dos constrangimentos financeiros, das dificuldades de pagamento, aumentámos para quase dez milhões os nossos limites de endividamento. Noutros tempos, seria o suficiente para que um empréstimo pagasse aos credores de curto prazo. Agora é apenas o sabor do dever cumprido. Nem merece festejos, pois os bancos não emprestam. As reuniões da tarde começam com o António João, Presidente da Junta da Póvoa de Santarém. É um prazer. Apesar de truculento gosto de falar com ele. Aviso-o que muito possívelmente a Póvoa vai desaparecer como freguesia, Conta-me do levantamento que está a preparar. Não sei se a comissão eleita na Assembleia Municipal tem trabalhado este assunto. Duvido que tenha havido trabalho árduo. Não se podem atrasar. É uma reforma demasiadamente profunda para o absentismo de quem quer liderar políticamente o concelho. Sei que o PSD tem, por sua conta e risco, feitos muitos debates sobre o assunto. Mas reacção institucional, não existe. Pelo menos para já.
Reunião da Empresa das Águas. A revolução no saneamento prossegue. vamos atingir os 93% de saneamento para o ano que vem. É um orgulho. Quando cheguei estava nos 62%. É obra sem visibilidade, sem apoios, desprezada porque não se vê, porque é bom motivo para o populismo barato mas é um salto civilizacional. Só tem comparação com a chegada da electricidade e da água a todas as torneiras. Só por isto, valeria a pena os dois mandatos que cumpro á frente da Câmara de Santarém. E para mim vale mesmo isso. O tempo, as gerações mais novas, mais habituadas á assépsia, mais cultoras do ambiente, reconhecerão este imenso trabalho. O resto pouca importa, comparado com estes 50 milhões de obras para entregar dignidade a uma população inteira. O Alviela está mais protegido. As nossas linhas de água mais saudáveis. Não existe contra-informação que apague isto. Por mais que a dor de corno procure silêncios e vilanias. São quase oito horas e hoje não vou ver a Matilde. mas falei com os meus filhos. O Nuno chegou da Alemanha. O Luis ainda está em Colónia. Da escola da minha neta, pediram-me que fosse ler para os putos os meus contos do meu livro infantil Histórias da Maresia do Mar. Vou marcar. É um prazer imenso ler para a minha neta e seus coleguinhas. Os meus netos são os meus principes encantados. Nunca deixo de ter saudades eles. Mesmo que os tenha encontrado no dia anterior. Um fascínio! Esta noite aceite um convite para um colóquio sobre as reformas administrativa e judicial.Mais uma noite sem escrever. Despacharei o resto d'A Fábula.
4ª feira - A manhã começa com a reunião de trabalho sobre tribunais na EPC. Dizem-me que estão muito bonitos e agora nos trabalhos finais. A semana que vem vamos continuar este processo no Ministério da justiça. A reforma do mapa judiciário está na ordem do dia. Santarém vai reforçar o seu poder nesta área, a cidade judiciária tão maltratada pela oposição, pelas desconfianças, pelos desprezos dos pretensos amadores de Santarém vai ser uma realidade fortissima. Vão-se impôr á vida e com vida. Coisa que não tem piedade da efemeridade dos despeitos.
O desapcho é muito. Hoje não dá para almoçar. Isto vai ficar por um iogurte.É um princípio que me norteia há muitos anos. Não deixar trabalho atrasado em cima da secretária. Esta noite tenho que estudar com a Matilde. O meio tempo do meu trabalho que tanto escãndalo provocou entre aqueles que sempre trabalharam a um quarto de tempo, não chega para as encomendas. E sexta feira, tenho hospital de manhã. Justifico o meu meio tempo e dou ácido aos meus adversários. As reuniões da tarde começam com o Firmino, o agitado Firmino, presidente da Junta de Vaqueiros. Correu bem. Ele está um pouco em baixo. perdeu o pai e tenho pena. Conhecia-o. Era bom homem. Depois recebo a presidente de Tremez que me conta mais umas trafulhices do seu antecessor - esse novo/velho monstro sagrado de alguma cultura escalabitana -  e discutimos obras em curso. Também é dia de preparar o grande encontro que o Millenium BCP vai fazer no Convento de S. Francisco. O Nuno Ferreira explica os objectivos. Uma bolsa de imobiliário a preços muito baixos na região de Santarém. É importante que numa altura de crise um banco se lembre duma coisa destas. Aceitei o convite para abrir os trabalhos.

São nove horas da noite. O meu meio tempo tem-se cumprido. Mais doze horas por dia. Restam outras doze. Seis delas vão ser dedicadas á equações, ao meu romance e á série que estou a escrever para a TVI. Hoje, custe o doer, não me deito sem cumprir estes objectivos. E cumpri-os. Pouco faltava para as três da manhã quando adormeci.

5º feira - Passo as primeiras horas da manhã agarrado ao novo mapa judiciário e a perceber a dimensão da grande reforma da justiça. São amis de trezentas páginas. Fico satisfeito com o que vai acontecer a Santarém mas percebo que isto não vai ser fácil. Os propagandistas de ocasião vão levantar todas as cobras e lagartos que existem debaixo das pedras para criar protestos, insultos e raciocínios primários sobre o alcane desta reforma. O João Leite dá-me informação sobre os terrenos do novo cemitério e do caderno de encargos para o concurso. O João é um grande vereador. Um puto com muita qualidade e que não conta os tempo em meios tempos e quartos de tempo. Dedicado, empenhado, leal e muito trabalhador. E firme. Se a politiquice local não o destruir no mundo de lixo em que muitas vezes chafurda, este rapaz vai longe. Recebo o convite para escrever um outro filme para a RTP sobre a insegurança no mundo juvenil. Três putos que num dia de verão desatam a cometer disparates, julgando que são aventuras, e acabam enfiados num grande sarilho. Conheço bem o fenómeno. Aceitei escrever o argumento. Com estes desafios, as minha noites vão passar a meias-noites. Felizmente não preciso de pedir autorização, embora perceba que os mais radicais estejam convencidos que a obrigação do presidente da cãmara é a tempo tão inteiro que deve dormir na câmara. O teste de Matemática correu bem á Matilde. Hoje, temos de estudar Português. Sobre as narrativas e sobre personagens. Durante as reuniões da tarde, recebo o Luis Baptista que foi vereador da Câmara, representando o PS e durante muitos anos presidente da Junta da Romeira. Gostei de o ver. Tinha saudades dele. Continua o homem amistoso e simpático de outros tempos e outros combates. O dia autárquico vai fechar no Convento de S. Francisco ás 18 horas. Fico impressionado com as centenas de pessoas que o MIllenium BCP mobilizou. É um grande encontro.Tenho a honra de proceder á abertura dos trabalhos e repito, mais uma vez, todas as vantagens de investir em santarém e na região. O convento, assim cheio de gente, é magnífico e impressionante. Não me admiram já os elogios de quem vem de fora e o visita e fica de alma bem cheia. É uma jóia e um orgulho para santarém disfrutar daquele espaço. Um bem raro que tive a alegria de reconquistar para a cidade.
Ainda vou desapachar alguns papéis que ficaram em cima da secretária. São 20.20 quando me despeço do Varejão á porta do palácio do Provedor das Lezírias. Está mesmo muito frio e uma humidade que corrói as articulações.
Esta noite foi de estudo com a Matilde. Uma hora. Sabe mais de técnicas narrativas do que muitos pretensos jornalistas que cirandam na praça. Vai bem preparada. Se Deus quiser vai correr bem o teste. E dedico-me á escrita. A minha Luisa de Gusmão está a crescer a olhos vistos e sinto-a bela e grande. Tal como foi rainha.  
São duas da manhã. Vou 'recolher' como dizia um velho colega da PJ. Amanhã tenho de estar ás oito horas no Hospital.

6ª feira - Saí do espaço clínico. Cansado. Não me apetece comer apesar de serem duas horas. Tenho uma reunião ás três por causa da reforma admnistrativa. Espero estar ás seis horas em casa. Hoje, os tipos da sordidez têm razão. Foi um dia a meio tempo. E não foi bom. O fim de semana vou estar recolhido. Espero sentir-me com saúde para voltar á escrita. Segunda feira o dia vai começar cedo outra vez. Ás oito e meia tenho uma reunião no banco. Ás onze, reunião de Câmara.E está frio. O país está mesmo frio e não se vislubram sinais de regressar o sol que aquece a esperança nos corações.