quarta-feira, 1 de junho de 2011

O Voto no Programa do PSD

Tal como outras campanhas eleitorais, esta rolou sob a intensidade emotiva que procurava abraços e beijos e comentários cruzados sobre episódios produzidos pelo caudal informativo. Não houve um único dia que não se discutissem, e fossem ordem do dia, falsos acontecimentos.Aquilo que era importante não se discutiu. E importante mesmo, talvez o maior problema que temos de viver nos próximos anos, chama-se crise económica e financeira e responde pelo nome genérico de troika. Este é o problema essencial ao qual se junta o desafio essencial que é saber como saímos deste garrote que nos próximos dias vai estrangular as famílias, as empresas, o país.
Tive o cuidado de ler o programa de todos os Partidos. Nas última eleições votei em branco e decidi que, desta vez, não tornaria a fazê-lo. Não votar neste dia decisivo é comprometer o futuro dos meus filhos e dos meus netos. Sem um pingo de emoção, devo dizer que o PSD é o único partido que apresenta um programa que inscreve os dois desafios sem procurar culpados e sem desafio das reformas. Devo dizer que também li minuciosamente o programa da troika. É de uma dureza extrema e não tenho dúvidas de que vão ser grandes as dificuldades para o cumprir. É claro que destas eleições tem de sair um governo com grande força social e política e não deixa de ser claro, já que a camapnha se perdeu em folclores,que no dia 6 é preciso começar a trabalhar depressa para sairmos da curva apertada do nosso destino colectivo.
Julgo por outro lado, que a campanha não podia ser de outra maneira. Em Portugal cultivou-se o culto da irresponsabilidade. Isto é, se é mau, não queremos saber, mesmo que tenhamos de viver. Se é bom, todos queremos saber e partilhar. É esta fuga á má notícia que o célebre discurso do engº´José Sócrates proferiu quando terminaram as negociações com o FMI. O discurso do Não. Não aumenta isto, não aumenta aquilo, não se corta aqui, não se congela ali. E não disse uma única palavra sobre o que era necessário fazer. E até hoje não abriu a boca para o fazer.É genial do ponto de vista dos seus auditores.Sócrates percebe como poucos aquilo que as pessoas gostam de ouvir e esta intuição rara fez-lhe sempre arrecadar apoios inimagináveis.Mas uma coisa é aquilo que se diz e faz (é inesquecível a mensagem do último congresso do PS onde no final apenas se agitavam bandeiras nacionais em detrimento das bandeiras partidárias). Recordo, ainda, a forma hábil como durante meses, e já se sabendo em todo o lado, que era inevitável uma intervenção externa e ele recusava, apelidando de anti-patriotas e inimigos de Portugal aqueles, muitos deles do próprio PS, que reclamavam essa ajuda, e, de repente, quando se dá a reviravolta, ele conseguiu num passe de mágica ser o interlocutor do próprio FMI. Outro homem ter-se-ia demitido. Ele não. Aí está disponível para trabalhar com o seu inimigo declarado. Porém, esta capacidade táctica e esta intuição rara sobre aquilo que as massas gostam, não chegam para aquilo que está á nossa porta. Julgo que o próprio Sócrates, para o seu feitio e maneira de ser, não aguentaria dois meses de medidas austeras sem pelo meio trazer aquilo que ele chama 'de boas notícias'. Não vai haver boas notícias nos próximos anos. A única hipótese de salvação é cumprir planos de trabalho e objectivos. Dizer a verdade mas explicando-a. Ou seja, dizendo que vamos fazer isto que é ruim para que amanhã produza um bom resultado. O tempo não está para improvisos. Obriga ao método, á disciplina na acção política e a uma cultura de solidariedade para a levar a cabo este imenso desafio. E se é verdade que os programas do BE e do PC são verdadeiros tratados de autismo, sem a mínima consciência de que se fizéssemos o que propõem então é que a fome e a miséria se instalaria por muitos anos, não deixa de ser verdade que o programa do PS é igual ao engº Sócrates. É um programa que dá boas notícias, sendo certo, e nasta olhar o programa da troika para se perceber que não passam de boas notícias. É pura e simplesmente irrealizável. Mas agrada a quem o lê ou escuta. É um conto de fadas, só que se fosse aquilo a razão do país nestes próximos anos, o conto não terminaria com o eterno 'foram felizes para sempre'.
É por tudo isto que vou votar no programa do PSD. É frontal, por vezes duro, mas assume o problema e o desafio. É lúcido e sendo realista poupa-nos a piores tormentos. É coerente, tem uma estratégia definida para o País e, sobretudo, sem esconder as dificuldades entrega-nos esperança.
Sei que são poucos os portugueses que votam pelo programa. A esmagadora maioria nem os lê. Vota com emoção, seduzido por discursos vazios ou frases bombásticas, por revoltas ou por adesões afectivas. Porém, convido-vos a ler os vários programas, e claro, com o programa da troika ao lado, passado folha a folha. Façam o exercício de afastamento emotivo e político. Quem ler com olhar crítico tudo aquilo que nos é proposto, através dos programas, não tem alternativa se quer construir um futuro com maior dose de esperança e optimismo. Vota, seguramente, no programa do PSD. E não vale a pena o argumentário em que a nós próprios atribuímos um papel de mentecaptos, do género aquele é mais experiente, ou este é muito verde, e outras tificações pessoais que não falam dos candidatos mas falam de nós. É que, na verdade, todos somos eleitores e todos temos capacidade de ser eleitos. Todos nós temos o direito de aceder a qualquer cargo político. Não são apenas iluminados, os espertos de ocasião, ou aqueles que, por razões da sua vida, exerceram esses cargos.A Constituição dá-nos essa possibilidade por igual. Argumentar daquela forma, pessoalizando casos, a única coisa que estamos a fazer é diminuirmo-nos nos nosso direitos. É assim a democracia. É nosso dever/direito votar e ser votado.E agora, não há mais escolhas infelizmente. Vou votar no PSD. Os msues netos vão agradecer-me o gesto quando forem mais crescidos e me perguntarem o que de bom fiz por eles.

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