terça-feira, 28 de agosto de 2012

Curei-me! Um tipo chamado Stress ia dando cabo de mim!


Aquilo que escrevo foi uma experiência e que traduzo num conselho. Claro que é conselho de 'saber de experiência feito' e perdoe-me algum médico que se meto foice em seara alheia. Mas há um tipo que anda por aí a revolver as entranhas de muita gente, umas vezes tão discreto que mal se sente, outras vezes tão ordinário e tão atrevido que nos põe de rastos. Chama-se Stress, tem ficha policial por homicídio, longo cadastro como agente provocador de doenças que nem nos passam pela cabeça que podem existir. O artista não se vê. Pezinhos de lã, silencioso que parece bem comportado mas é um ordinário em todas as dimensões. Até porque gosta de ser desprezado para atacar melhor. Eu, por exemplo, não ligava a essa coisa, doença de ricos e de gente que não quer trabalhar. Desprezava-o, dizia para comigo mesmo que jamais seria morada de tal bicho e, depois, foi aquilo que se viu.
O tipo é manhoso. Entra sem pedir licença e vai por aí fora e quando estamos distraídos ataca sem hipótese de defesa. Muitos dos enfartes que enviam pessoal em barda para os cemitérios são da sua autoria. Mas, agora que o médico me mandou em paz, que me libertou deste macaco, que me sinto com asas para voar e pernas para dar a volta ao mundo, que descobri outra vez o que é estar de boa saúde, quero partilhar com os meus amigos as astúcias deste tipo.
Quando começar a pensar que o trabalho é a única coisa que existe na sua vida, que se desinteressa de um filme (se gosta de cinema) de teatro (se gostar de teatro) ou de qualquer outra das suas afeições porque ainda tem mais isto para fazer, e mais aquilo, e não tem tempo, e passa dezasseis, dezoito horas agarrado ao trabalho, esquece fins de semana e festas de guarda; quando o sono não vem e vem o recurso ao comprimido para dormir cinco ou seis horas, quando a ansiedade lhe retira o apetite, o computador não responder o irrita, assim como qualquer barulho fora do comum, começa a sentir dores difusas no corpo ou, começam a insistir em determinado local do organismo, está contaminado pelo tipo. Não tem hipóteses. Está entalado e lixado se não puser os mecanismos de defesa a trabalhar. Ou é enfarte que se aproxima, ou hipertensão, ou a ulcerazinha da ordem, ou a colite ou
distúrbios do sono ou outra coisa qualquer. A mim calharam-me divertículos. Coisa que nem sabia que existia e, mesmo sem saber que existia, eles cá estavam. Dores permanente nos intestinos, muitas vezes agudas, internamentos hospitalares, comboios de antibióticos, uma persistência que nós não queremos acreditar que mata. E até mata. O Stress é um natural assassino de distraídos.
Hoje o médico mandou-me á vida. Não quer saber de mim. E o remédio para me safar do tipo até tão simples que, após mês e meio de cura, depois de quase um ano de sofrimento. Exercício físico! Não é tonto ser uma coisa tão simples? Uma hora por dia a caminhar, a nadar, a fazer qualquer coisa que ponha o corpo a mexer e não há bandido deste tipo que entre dentro de nós. Por razões agudas da moléstia vi-me obrigado a recolher. A ficar fechado, uma ou outra ida ao cinema, um ou outro romance lido, e enfiado em casa a escrever ou dormir, ou ver televisão e exercício físico e se as dores regressassem um buscopan para sossegar. Há quinze dias que o Buscopan repousa plácido e quietinho na minha prateleira de medicamentos. E durmo! Os comprimidos foram á vida. E tornou a alegria de partilhar as coisas boas que, até podem ser trabalho, mas deixaram de ser esforço para se tornarem em alegria e prazer. Dei conta do tipo e aconselho-o a livrar-se dele. Corra com esse Stress da sua vida. Ponha-lhe uns patins e mande-o dar uma curva. Levante-se e ponha ao caminho. Uma hora de marcha, uma hora de ginásio, uma hora de piscina, destine essa hora àquilo que entender e mais gostar e, acredite, estou a ajudá-lo a salvar-se de morte certa (que o animal é mesmo assassino) ou doença chata e mal humorada.
Hoje, voltei as costas ao Hospital, com esta paz no coração. Venci o tipo. E foi tão estúpido ter sido agarrado por esse maldito Stress que não consigo deixar de partilhar com todos aqueles que, como eu, passaram anos, vidas, noites e dias, nessa ansiedade maior que é pensar que temos a salvação do mundo nas mãos. Não temos. E a tal horinha só para nós, não agudiza a crise, não altera os destinos da humanidade, e dá-nos alento, força e alegria para vencermos esses desafios que estão aí para serem vencidos.
Dê cabo desse parasita. E não se iluda. Sem saúde nada faz sentido. Com saúde, tudo faz sentido. Até a capacidade de gostarmos um pouco de nós e e muito mais dos outros. Adeus, ó Stress. Vai à vida, pá! 

domingo, 5 de agosto de 2012

PELA PAZ NO DIA DE HIROSHIMA

Faz hoje 57 anos que foi lançada a bomba atómica 'Little Boy' sobre a cidade de Hiroshima e os homens puderam assistir á dimensão grandiosa e brutal de um holocausto que, em minutos, arrasou uma cidade inteira.Um facto que marcou o princípio do fim da 2ª Guerra Mundial mas, também ás gerações futuras, nas quais hoje nos incluímos. O horror desse dia, a que se associou o horror das descobertas nos campos de concentração nazis, ficaram como um sinal que marcou o início da luta pela PAZ. Pela procura de horizontes de esperança onde a Liberdade se constrói na tolerância, no respeito pela diferença, na defesa dos direitos humanos. Aprendemos nesses dias de maior tragédia que, por mais que a vertigem do ódio possa abalar a inteligência e transformar os homens nos piores predadores da Terra, lutar pela Paz é lutar pela Vida. Recolho-me num silêncio de oração pela memória de todos aqueles que foram dizimados pela tragédia apocalíptica e reencontro no sacrifício de milhões de mortos inocentes, a força para lutar para que a nossa terra, a nossa gente possa construir o futuro com o direito á esperança. Por mais que doam os dias de crise que hoje vivemos, por mais que se soltem indignações e mágoas, a Paz criativa e exaltante, a Paz culta e libertadora, a Paz fraterna e crítica, será sempre fonte da Vida. Que os mortos descansem am Paz. Que a nossa vida se construa na PAZ.