segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Cem Anos Depois

Gostava de ter conhecido Miguel Bombarda. E Machado dos Santos. Gostava de ter falado com António José de Almeida e escutado Manuel Teixeira Gomes recitando os seus poemas.Teria um grande prazer se tivesse falado com Bernardino Machado e uma curiosidade enorme para ouvir Brito Camacho.Curiosamente Afonso Costa nunca me fascinou. Mas gostaria de ter conhecido José Relvas e Inocêncio Camacho. Assim como o António Granjo e o Carlos da Maia, ambos trágicamente mortos na mesma noite. Porém, dava um pedaço de mim para poder ter vivido as horas decisivas na Rotunda, ao lado do soldado raso Francisco, desertor das tropas de Paiva Couceiro, amante da República, embora não soubesse muito bem quais as suas maiores e reais virtudes. Anos depois seria pai de um outro Francisco e avô deste Francisco. Gostava de ter brincado com o José Rodrigues Miguéis e de me encontrar com Fernando Pessoas à porta do Martinho.Assim como cumprimentar Sebastião Magalhães Lima e Abel Botelho. E Egas Moniz. E Ricardo Jorge. Todos eles são a primeira grande galeria romântica do séc. XX que construiram uma República tão frágil como as paixões estivais. Cem anos depois estão no nosso coração e panteonizados na nossa memória. Viva a República! 

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