domingo, 11 de março de 2012

As Horas e o Foguetório de um PS populista

O PS de Santarém recorreu ao Anuário, ou melhor, á parte do Anuário que lhe convinha para fazer os seu estardalhaço. Lançou números, exigiu, protestou e, sobretudo, deitou areia para os olhos dos municipes. E deixou contradições profundas que dizem bem do estado de alma, mais ávido de poder do que de compreender ou analisar, que impera por aquelas bandas.
A ideia é esta: atirar com as contas da Câmara de Santarém para cima do actual executivo do PSD, lavar as mãos como Pôncio Pilatos, compôr um ar inocente, o mais cândido possível, tipo meninos da primeira comunhão e dizer: eles são os maus da fita e nós somos os cordeirinhos imolados na ara da má gestão do Moita Flores e do PSD.
É isto. Aproveitar o descontentamento geral com a crise, manipular a história, corrompê-la com o simplismo dos crentes, argumentar banalidades e indignações e, depois, aproveitar a ignorãncia em proveito próprio. Em nome dos valores da democracia e da cidadania.
Comecemos, então, pelo princípio que não é necessáriamente o princípio fundador, mas legitimador desta charla tão medíocre como de mau gosto.
Sábado, 9 de Março de 2002
Diz o então recem-empossado Presidente Rui Barreiro ao Diário de Notícias:
A Câmara de Santarém está tecnicamente falida (...) a capacidade de endividamento do municipio está práticamente esgotada (...) a execução orçamental de 2001, leva-me a dizer que se a câmara fosse uma empresa estava tecnicamente falida (fim de citação)
Deve dizer-se que o Presidente Rui Barreiro recebeu a autarquia de outro ilustre socialista e o mecanismo usado para se defender da 'falência' foi fazer empréstimos.
Nunca mais a dívida da autarquia saiu da boca mais pública que não quer dizer a boca do povo. Em 2005 o PSD ganhava pela primeira vez a eleições, com maioria relativa e, é verdade, levávamos connosco uma proposta para limpar a dívida da autarquia de curto prazo plasmada nas contas através de uma operação de 'leaseback'- a proposta foi apresentada e chumbada por quem? Pelo PS e pela CDU. Chumbada e desde então com uma forçada e esforçada campanha para esquecer esse triste e indigno episódio da vida pública de Santarém.
Desde então, a vida é mais simples que a conversa da treta. Gerimos dívida. Quinze dias depois de tomar posse, o meu gabinete foi penhorado duas vezes, e a história dos mandatos, em termos de tesouraria, foi gerir dívidas ao mesmo tempo que se agudizava a crise, que desapareciam receitas, cortadas pelos PEC's, pelos Orçamentos de Estado, pelos impactos nas receitas próprias que a crise gerou, levando a quebras inimagináveis. E o conflito interno, de todos os dias, foi sempre e,continua a ser o mesmo. Por um lado dívida, por outro  a necessidade de investir com recurso ao QREN.  E aqui, o PS de Santarém (que não confundo com o PS) não manipula a História. Omite-a e quer enfiá-la na gaveta do esquecimento. Com a ajuda da má-lingua pressurosa de maldizer e sem memória. Os vários Centros Escolares, as remodelações do espaço público, a revolução no saneamento, a modificação completa das escolas e dos espaços de recreio para crianças,as requalificações no centro histórico, a criação de novos espaços públicos, de estradas, de edificios públicos, tudo isto é metido na sargeta do PS local.
ÁGUAS DE SANTAREM
Para esta malta nada vale, embora tudo valha para mergulhar Santarém no torpor da vulgaridade. Começo com esta: Nunca esqueceram as bem amadas Águas do Ribatejo. Sempre quiseram ceder as Àguas de Santarém por tuta e meia. E agora, sem pudor, a propósito do Anuário vêm pedir a cabeça da Directora Geral. Do que é que a culpam? De ser responsável pelo falhanço do concurso para a parceria público-privada, quando esse dossier é da autarquia e nada tem a ver com as Águas de Santarém (empresa). Aproveitando o clima de descontentamento com a imensa obra de saneamento, que sabemos que incomoda, que perturba quotidianos, que aflige devido ao tumulto que se verifica nas redes, a propósito dos preços, das rupturas, do verdadeiro inferno em que se tornam estas empreitadas, vêm lançar farpas contra a Directora Geral. Porquê? No Anuário percebe-se porquê. É que as Águas de Santarém são a 9ª melhor empresa do ranking no que respeita a resultados. Uma empresa municipal sólida só poderia provocar esta ira ao PS de Santarém. Ah, mas nem uma palavra para as suas amadas Águas do Ribatejo incluída nas 15 com os piores resultados no que respeita ao endividamento.
ANUÁRIO E O SIMPLISMO
O Anuário analisa os Municípios segundo vários itens. São quinze ao todo. E o que diz o Anuário? Algumas das coisas que o PS local afirmou. Mas diz mais.
Diz que somos o 13º Municipio no conjunto de 35, aquele que maior peso apresenta de transferências para as freguesias;
Diz que não estamos nos 35 municípios com maior peso de receitas provenientes de impostos
Diz que estamos nos 44 munícipios de dimensão média que não recorreram a empréstimos bancários.
Diz que estamos nos 58 municípios que conseguiram amortizar a totalidade dos empréstimos de curto prazo.
Diz que não estamos nos 50 municipios com maior volume de dívida por habitante.
Diz muito mais. Só recorri a estes itens para mostrar que a verdade é um pouco mais complexo do que o populismo vulgar do PS local.
Isto é bom? Não. Não é. Mas volto a 2002 e á entrevista do Presidente Rui Barreiro, apenas para recordar que hoje temos uma capacidade de endividamento de 10 milhões de euros que não podemos usar porque o crédito está fechado. Aumentámos essa capacidade com a compra da Escola Prática de Cavalaria. Coisa que o PS local nunca viu com bons olhos. Democracia, Liberdade, Direitos de Cidadania, Valores da Cidade são coisas que lhes passa ao lado. Nem conseguem reconhecer a importãncia simbólica, política, local e nacional, que vale a EPC. Espetam com ela no endividamento da autarquia sem um olhar que seja, uma cautela que seja, uma prudencia que seja, para perceber que se comprou para cidade um património que, para além de toda carga simbólica, é um activo poderoso que enriquece o património municipal e que parte dele pode ser alienado por valores muito mais altos do que custou o seu todo.
Mesmo assim, a coisa não chegava aos seus desejados cem milhões de euros e, então, vá de manipular. Como é que chegaram lá? Argumentando com as facturas em conferencia. Nem sabem que elas estão incluidas nas contas oficiais da autarquia. Metem mais e mais até chegar, não á verdade, mas à verdade que desejam construir.
Quando é isto o que o PS local sabe fazer, então, muito pobre é esta pretensa élite política que quer tomar os destinos do concelho nas mãos.

1 comentário:

  1. VIVA A HISTÓRIA E A MEMÓRIA. De facto, é extremamente fácil destruir, o dificil é construir e ajudar, de uma forma assertiva, a construir.

    ResponderEliminar