sábado, 17 de março de 2012

As Horas de Santarem, a Festa e o PS daqui. Ah, e o Populismo!




Não gosto de hospitais. Não têm alma. São cada vez mais fábrica de reparações. Médicos e Enfermeiros manipulando técnicas e máquinas cada vez mais sofisticadas. Mais sábios, é certo. Transmitindo mais confiança a cada doente. Mas os sons metálicos, as luzes,os odores assépticos, o som de invisíveis motores, as falas, tudo contribui para que nos sintamos com vontade de sair dali. De regressar ao colo da nossa cama. Ao conforto da nossa almofada. A única. A almofada do conforto, amiga, irmã, aquela que conhece o nosso cansaço e os nossos sonhos.
Nesta última, e para já definitiva, convivência hospitalar - instituição que ao longo dos últimos cinco meses tem acompanhado os meus dias - tive por companhia o portátil. Passar os olhos por notícias. Sobretudo ansioso. As festas de S. José em Santarém tornaram-se numa poderosa manifestação de massas e tenho um prazer infinito de ter devolvido a auto-estima a uma cidade que perdera o sentido da sua própria celebração graças aos desleixo e á insensibilidade de quem a governou. Hoje vivem por si.São autónomas. Tem mais procura do que oferta que existe. Regressaram com mais esplendor e com a vitalidade do seu povo, orgulhoso, com a alma límpida, hospitaleiro e amigo. O PS cá da terra nunca perdoou esta espontaneidade popular. Décadas de poder absoluto fizeram-no medroso, embora arrogante. Fanfarrão mas desprezando a essência da soberania popular. A sua cultura, a exibição dessa cultura sem rebuços, nem acantonada nos conventículos dos apaniguados por conta do erário público. Cristalizado na sua verdade fechada, medroso dos espaços abertos. Não tenho dúvidas que se um dia tornar ao poder local uma das primeiras medida vai ser sufocá-las até morram outra vez.
Sei que o povo saiu ás ruas ignorando o ruído de quem só faz e vive do ruído. Com alegria. Bem longe dos sorumbáticos e dos ressabiados que não perceberam a História e não percebem a Vida.
A direcção do PS local tornou-se flatulenta políticamente. O seu prazer é o ruído.Vou dar três exemplos. Escrevi neste blogue, e disse-o na Assembleia Municipal, que a ir em frente esta Lei dos Compromissos, que irá sufocar todas as autarquias do país, accionava os mecanismos do saneamento financeiro da Câmara. Está dito, escrito, e mais que sabido. Suportámos viver seis anos com o fardo das dívidas. Não suportamos viver asfixiados. Eis que, de repente, o presidente do PS local (que eu nunca confundo com o PS, pois são géneros diferentes) faz uma conferência de imprensa exigindo rápidamente o saneamento financeiro da autarquia!!! Ora até esta exigência é uma imprudência, disparada sem jeito, numa altura em que a Associação Nacional de Municipios procura rectificar os seus aspectos mais escabrosos e fazer perceber ao governo que cortar e refrear despesa não é a mesma coisa que matar expectativas.
Outro exemplo: dias antes da tão bendita conferência, recebi vários telefonemas perguntado se neste dia da Cidade eu ia fazer o meu último discurso antes de abandonar o cargo. Alguns referiam que era dia 25 de Abril. Perguntei de onde tinha vindo esse disparate. Era um rumor que corria. Diz na cidade, explicavam. Este 'diz-se na cidade' aprendi com o tempo que é a melhor produção local do boato e da intriga. 'Diz-se na cidade' é a herança inquisitorial da caça ás bruxas, do estímulo de ódios e verdades fabricadas. 'Diz-se', logo é verdade absoluta para qualquer pingarelho armado em Varojão Távora, o célebre inquisidor. Percebi nessa conferencia quem 'dizia' esta. Exigia o presidente da dita que eu cumpirsse o meu mandato, o que não é irrazoável, mas exigindo que eu me recandidatasse. Exigia!!! Já não é um direito constitucional, nem um dever cívico. É uma exigência! Do PSD? Não. Do PS local.Aquele que sofreu a mais humilhante derrota de que há memória. Isto é para levar a sério? Claro que não. Escrevi dezenas de artigos a favor da limitação de mandatos. Tenho mesmo a convicção que os ciclos não deveriam ter mais de seis anos e, sabendo de tudo isto, a direcção do PS local exige que me recandidate. Exige!
Eu sei que começou a campanha eleitoral para este pessoal. Não têm mais nada para fazer.Não espanta o chorrilho de disparates.
3º exemplo: A senhora Idália Serrão não merece que eu lhe bata muito. Devo-lhe,quando era uma sobranceira Secretária de Estado, dois dos melhores escritos que alguma vez escrevi. Foram-lhe dedicados, correram mundo, via internet, recebi aplausos dos cantos da Terra por onde circulou. Eram sobre os seus sapatos de verniz e os meus chinelos. Ou, desfazendo a metáfora, sobre a sua soberba política e a forma desprendida como exerço o poder. Agora é putativa candidata á Câmara de Santarém. Faz bem. Desafiar-se, tentar ganhar, pelo menos uma vez, uma das muitas eleições que a promoveram calmanente sem nunca lhe exigir muito e lhe deram faustosa carreira política, merece apreço. Já não merece tanto aplauso, servir-se das minhas crenças religosas para propôr a chicana e o insulto. Mas estás-lhes na massa do sangue. Á falta de ideias, nada melhor do que o ataque pessoal. Continua exactamente como a encontrei Secretária de Estado.  Preocupada com os seus sapatos de verniz.

1 comentário:

  1. Caro presidente,

    O povo de Santarém não é burro, e, em meu nome, que mais não sou um cidadão de Santarém, preocupado com a minha terra, não quero deixar de vir aqui dar-lhe uma palavra de apoio.
    Não sou PS, nem PSD, pois acima de tudo, valorizo as pessoas, e o Sr. tem feito um bom trabalho por esta terra.

    É lamentável que alguns políticos, como, aparentemente, aqueles que agora lhe fazem oposição, não tendo nada de concreto para apontar à sua gestão, venham com pedidos irresponsáveis de "saneamento" financeiro da autarquia, ao invés de ocuparem o seu tempo a fazer algo de útil.

    Peço-lhe que ignore os ignorantes, e, como diziam os ingleses na 2ª guerra mundial, "keep calm and carry on".

    O seu trabalho e os resultados estão à vista.

    Repito: o povo de Santarém não é burro. Bom trabalho.

    E peço-lhe que, ignore também a sua modéstia, e publique este comentário.

    A internet está cheia de insultos, comentários idiotas, e coisas do género, não deixe que a modéstia o impeça de aprovar a publicação de um elogio merecido.

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