domingo, 10 de outubro de 2010
Paulo Bento e a Selecção Nacional
Depois do jogo com a Dinamarca percebeu-se a história. A verdade é que os jogadores agoram gostam de jogar futebol. E são excepcionais! A alegria da improvisação regressou, a fome de golos voltou, a tristeza foi-se embora. Queirós até tem um currículo mais rico do que de Paulo Bento. Mas a sua racionalidade excessiva, e por isso medrosa, retira o encanto que resulta do génio criador dos atletas que teve à sua disposição e desperdiçou sem proveito nem para o corpo nem para a alma. Não percebe a alegria da criação. O plano de jogo, à maneira da planificação soviética, acima de qualquer individualidade. O erro e a diferença entre grandes treinadores e treinadores. A Federação pagou caro o erro. Um erro demasiado crasso para que fique tudo na mesma. E agora é ganhar jogos, pontuar, e chegarmos onde merecemos em termos de futebol. Aqui, de facto, não estamos na cauda da Europa.
sábado, 9 de outubro de 2010
Pessoa na pele de Álvaro de Campos (às verborreias de ontem à noite)
O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada;
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.
A subtileza das coisas inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma
Os amores intensos por um suposto alguém.
Essas coisas todas.
Essas e o que faz falta nelas eternamente
Tudo isso faz um cansaço.
Este cansaço, Cansaço.
Há sem dúvida quem ame o infinito
Há sem dúvida quem deseje o impossível
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito
Porque eu desejo impossívelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um poucos mais, se puder ser
Ou até, se não puder ser...
E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada
Para eles o sonho sonhado ou vivido
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, profundo,
E, ah com que felicidade, um infecundo cansaço,
Um supremíssimo cansaço, ´
Issimo, issimo, issimo. Cansaço...
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada;
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.
A subtileza das coisas inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma
Os amores intensos por um suposto alguém.
Essas coisas todas.
Essas e o que faz falta nelas eternamente
Tudo isso faz um cansaço.
Este cansaço, Cansaço.
Há sem dúvida quem ame o infinito
Há sem dúvida quem deseje o impossível
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito
Porque eu desejo impossívelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um poucos mais, se puder ser
Ou até, se não puder ser...
E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada
Para eles o sonho sonhado ou vivido
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, profundo,
E, ah com que felicidade, um infecundo cansaço,
Um supremíssimo cansaço, ´
Issimo, issimo, issimo. Cansaço...
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
Cortes na Despesa - a Ruína das Autarquias
O Secretário de Estado da Admnistração Local, José Junqueiro, anunciou que os desabridos cortes na despesa que o Governo tem vindo a anunciar, mais uma vez, vai atingir as autarquias locais. O ano passado foram espoliadas de 100 milhões de euros. Agora, segundo contas da ANMP vão 'sacar-lhes' mais 150 milhões de euros. Enquanto isso, todos os institutos onde se albergam as clientelas partidárias desempregadas, direcções gerais e nacionais onde habita a mesma fauna, ficam de fora desta fúria. Compreende-se a táctita política. Onde estão os 'boys' fica tudo na mesma. Onde as populações confrontam o poder em primeira instância, nas autarquias, toca a a rapar o fundo do tacho até não haver mais. É vergonhoso e revoltante. Só quem é eleito numa Câmara Municipal ou numa Junta de Freguesia percebe o grau de desespero da população. De famílias desempregadas, com filhos a estudar em ritmo de sobrevivência, de pessoas sem condições para pagar a renda, a água, os medicamentos, com filhos desempregados, por vezes há anos, sem um túnel de esperança que não desemboque no poder local. E não é só isso. No seu conjunto, o poder local representa perto de 6% da dívida pública. 94% dela está nos Institutos e Direcções Gerais. Querem cortar e ajudar o país? Dou um exemplo. que já não é a inutilidade preguiçosa dos Governos Civis. Um PDM para ser aprovado, um Plano de Pormenor, um Plano de Urbanização, seja qual for o instrumento de ordenamento do território precisa de ser analisado e aceite por ....28 entidades diferentes!!! 28 institutos, comissões, direcções. A esmagadora maioria deles apenas com uma (in)competência: atrasar processos. Conheci ao longo destes cinco anos neste território de burocratas as piores e mais incapazes pessoas. Apeans interessadas no seu pequeno poder pessoal, apenas interessadas no seu umbigo com um desprezo absoluto pelo serviço público, pelas expectativas das populações, pela possibilidade de investimento que enriqueceriam o país e daqui fogem como o Diabo foge da Cruz amedrontados com esta engrenagem burocrática que nos tem levado à ruína. Não será possível um acto de gentileza à inteligência mediana e reduzir tudo isto a dois ou três entidades fiscalizadoras? Claro que é possível. Poupavam-se milhões e, mais, atraíam-se milhões disponíveis a acelerar o investimento num tempo em que cada vez mais tempo é dinheiro. Mas sobre isto o senhor Secretário de Estado da Admnistração Local não fala. Cala-se. Ignora. Cortar nas autarquias. Os autarcas que aguentem o descontentamento porque para estoirar dinheiro à tripa forra lá está o senhor Secretário de Estado e a equipa a que pertence. Pior do que a miséria física a que chegámos, é esta miséria moral. Este cinismo manipulador de números. Assim não dá. É que não dá mesmo!
terça-feira, 5 de outubro de 2010
Vinte Quatro Milhões de Euros para Santarém
Quando há cerca de três anos dissémos não ao negócio ruinoso que o PS de Santarém fizera com a cedência e rendição absoluta aos interesses das Águas do Ribatejo, numa coisa chamada CULT, instituição que serve de funcionária servil a três ou quatro municipios da região parecia que ia cair o Carmo e a Trindade. Era um negócio ruinoso. Santarém entregava todos os seus activos, avaliados em perto de 30 milhões de euros, em compensação recebia 7 ou 8 milhões, ia para uma empresa ficcionada onde o conjunto dos municípios representava 51% do capital e o parceiro privado 49%. Assim nem parece tão ruinoso. Mas é. Separando os capitais próprios, Santarém, conjunto dos municipios, era maior accionista com 16% e os restante vinham por aí abaixo com percentagens ridiculas.Ao privado bastariam os votos do menor deles para em conjunto deter o comando absoluto das águas do Ribatejo. Além de que era um processo cheio de embustes, artifcios e terrenos pouco claros que a Justiça um dia esclarecerá. Recusámos este projecto altamente lesivo dos interesses do munícipes, da sua riqueza própria, ponto termo ao processo já esquecido por alguns de que durante décadas não houve cão nem gato que não esbulhasse a Santarém qualquer coisa. Uma triste história de desleixo e empobrecimento cuja factura estamos e teremos de continuar a pagar durante muitos anos. Constituímos as Águas de Santarém e procedemos à escolha do parceiro privado que ajudasse nos investimentos para concluir o saneamento e a renovação do sistema de águas. Mesmo assim, precisávamos dos Fundos Comunitários para asegurar a componente nacional. O conjunto de caciques que manipulava no interior dessa CULT, comandada por um servo sem grandes escrúpulos, tudo fizeram para lesar os interesses de Santarém. Com uma manobra imoral, ilegal e desonesta 'sacaram' para si os Fundos Comunitários que nos pertenciam. Chegaram ao ponto de com cumplicidades no interior do Ministério do Ambiente a levar o ministro a assinar um despacho falso onde se diz que Santarém não integrava a tal CULT. Confundindo deliberadamente a instituição com as Águas do Ribatejo e assistiu-se ao que de pior e mas obsceno existe na política regional feita de pequenos poderes e acolitados por homens pequeninos e sem escrúpulos. Percebi que estava ali uma das batalhas decisivas por Santarém e pelas suas gentes. A imoralidade e a desonestidade não poderiam vingar se ainda houvesse um mínimo de vergonha na política. E confesso que foi a batalha que mais doeu mas que, finalmente, vejo recompensada. Numa primeira fase conseguimos desbloquear cerca de 16 milhões de euros para a primeira etapa do projecto. Conseguimos que o concurso para o parceiro privado chegasse ao fim.Aqui veio o choque com a realidade mais triste e mais pobre da política concelhia. O PS que votou a favor da cedência dos activos de Santarém para as Águas do Ribatejo, deixando que o munícipio fosse espoliado dos seus importantes activos, votou contra as Águas de Santarém, contra os interesses do seu concelho e de quem os elegeu numa atitude servil que me ficará como uma memória de traição sem escrúpulos aos juramentos que fizeram de defesa das populações que neles votou. Assisti a muitos momentos repugnates de baixa política ao longo destes cinco anos. Talvez nenhum tivesse sido tão baixo e inqualificável como este, pese o facto de continuada e pacientemente lhes estender a mão para não cometerem tamanho desaforo. Mas o PS de Santarém é esta miséria política e cívica. Não é possível esperar outra coisa.
A VITÓRIA
E ontem fomos informados que a nossa candidatura de 24 milhões de euros ao QREN fora aceite por Bruxelas. Fechámos assim a engenharia financeira para em 2013 estarmos na fase final da conclusão do saneamento em Santarém, passando a ser um concelho com total sistema de águas e saneamento e, confesso, uma das maiores alegrias da minha vida como autarca. Sobretudo pelo esforço discreto, por vezes clandestino, que me obrigou a fazer, mobilizando técnicos, contactos institucionais, negociações por vezes muito duras, muitas noites sem dormir, muitas viagens sem identificação, pois foi outra das mágoas que vim a descobrir quando o poder local desce às profiundezas dos esgotos. Há sempre alguém que procura boicotar o que de bom se faz ou quer fazer. Ou porque não é esse alguém que o faz ou por mera maldade. Aprendi esta lição cedo e ainda bem que aprendi. O esforço foi brutal e tenho consciência que esta vitória é de muitos. De todos aqueles que trabalham nas àguas de Santarém. Do PSD que apoiou este projecto desde o início e nunca deixou de ser solidário nos momentos mais dificeis. Da compreensão do então ministro Mário Lino ao inscrever este designio no ciclo da água das compensações Ota-Alcochete. Foi bem maior que a intriga política e interesseira e por isso está registado na minha memória como um dos grandes amigos de Santarém. Dos seus colaboradores Guilherme Dray e Pedro Abreu. Dos meus amigos em Bruxelas, o Miguel e o António. Da presidente do POVT nacional. Do responsável em Bruxelas pelos fundos comunitários para Portugal e que percebeu o dramático embuste realizado por essa coisa chamada CULT. Quero ver as conferências de imprensa daqueles que rugiam pragas a Santarém por não nos terem conseguido roubar profetizando a impossibilidade de recuperarmos os fundos comunitários ou se vão ficar escondidos nos seus esconderijos de predadores. Da minha parte não vão merecer uma palavra sequer. A dimensão e grandeza desta vitória para Santarém - o maior investimento público alguma vez aqui realizado - chega-me de consolação, prazer e satisfação política e pessoal. Pois também uma lição. Uma lição do 'ex-polícia' de como se faz política aos velhos profissionais da política. A partir de hoje suporto todos os insultos. Deixo a Santarém uma das suas maiores alavancas de desenvolvimento e bem-estar. Peço desculpa aos invejosos, aos profissionais da intriga, aos coscuvilheiros, aos velhos do Restelo, aos cobardes das picadas, aos engraçados, aos irónicos, aos que vão querer desvalorizar este acontecimento porque a História será sempre mais forte do que tudo isso. São 3.20 da manhã. Vou dormir em paz. Cumpri com o zelo leal e inteiro as funções que me estão confiadas e servi os meus munícipes que outros trairam. Pouco importa. Valeu a pena. Tinha razão Fernando Pessoa: Tudo vale a pena quando a alma não é pequena. Assim vale a pena a política. Assim faz todo o sentido. Obrigado, S. Francisco! Obrigado, meu Irmão por me deixares servir assim, recolhendo do sofrimento a alegria do dever cumprido
A VITÓRIA
E ontem fomos informados que a nossa candidatura de 24 milhões de euros ao QREN fora aceite por Bruxelas. Fechámos assim a engenharia financeira para em 2013 estarmos na fase final da conclusão do saneamento em Santarém, passando a ser um concelho com total sistema de águas e saneamento e, confesso, uma das maiores alegrias da minha vida como autarca. Sobretudo pelo esforço discreto, por vezes clandestino, que me obrigou a fazer, mobilizando técnicos, contactos institucionais, negociações por vezes muito duras, muitas noites sem dormir, muitas viagens sem identificação, pois foi outra das mágoas que vim a descobrir quando o poder local desce às profiundezas dos esgotos. Há sempre alguém que procura boicotar o que de bom se faz ou quer fazer. Ou porque não é esse alguém que o faz ou por mera maldade. Aprendi esta lição cedo e ainda bem que aprendi. O esforço foi brutal e tenho consciência que esta vitória é de muitos. De todos aqueles que trabalham nas àguas de Santarém. Do PSD que apoiou este projecto desde o início e nunca deixou de ser solidário nos momentos mais dificeis. Da compreensão do então ministro Mário Lino ao inscrever este designio no ciclo da água das compensações Ota-Alcochete. Foi bem maior que a intriga política e interesseira e por isso está registado na minha memória como um dos grandes amigos de Santarém. Dos seus colaboradores Guilherme Dray e Pedro Abreu. Dos meus amigos em Bruxelas, o Miguel e o António. Da presidente do POVT nacional. Do responsável em Bruxelas pelos fundos comunitários para Portugal e que percebeu o dramático embuste realizado por essa coisa chamada CULT. Quero ver as conferências de imprensa daqueles que rugiam pragas a Santarém por não nos terem conseguido roubar profetizando a impossibilidade de recuperarmos os fundos comunitários ou se vão ficar escondidos nos seus esconderijos de predadores. Da minha parte não vão merecer uma palavra sequer. A dimensão e grandeza desta vitória para Santarém - o maior investimento público alguma vez aqui realizado - chega-me de consolação, prazer e satisfação política e pessoal. Pois também uma lição. Uma lição do 'ex-polícia' de como se faz política aos velhos profissionais da política. A partir de hoje suporto todos os insultos. Deixo a Santarém uma das suas maiores alavancas de desenvolvimento e bem-estar. Peço desculpa aos invejosos, aos profissionais da intriga, aos coscuvilheiros, aos velhos do Restelo, aos cobardes das picadas, aos engraçados, aos irónicos, aos que vão querer desvalorizar este acontecimento porque a História será sempre mais forte do que tudo isso. São 3.20 da manhã. Vou dormir em paz. Cumpri com o zelo leal e inteiro as funções que me estão confiadas e servi os meus munícipes que outros trairam. Pouco importa. Valeu a pena. Tinha razão Fernando Pessoa: Tudo vale a pena quando a alma não é pequena. Assim vale a pena a política. Assim faz todo o sentido. Obrigado, S. Francisco! Obrigado, meu Irmão por me deixares servir assim, recolhendo do sofrimento a alegria do dever cumprido
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
Cem Anos Depois
Gostava de ter conhecido Miguel Bombarda. E Machado dos Santos. Gostava de ter falado com António José de Almeida e escutado Manuel Teixeira Gomes recitando os seus poemas.Teria um grande prazer se tivesse falado com Bernardino Machado e uma curiosidade enorme para ouvir Brito Camacho.Curiosamente Afonso Costa nunca me fascinou. Mas gostaria de ter conhecido José Relvas e Inocêncio Camacho. Assim como o António Granjo e o Carlos da Maia, ambos trágicamente mortos na mesma noite. Porém, dava um pedaço de mim para poder ter vivido as horas decisivas na Rotunda, ao lado do soldado raso Francisco, desertor das tropas de Paiva Couceiro, amante da República, embora não soubesse muito bem quais as suas maiores e reais virtudes. Anos depois seria pai de um outro Francisco e avô deste Francisco. Gostava de ter brincado com o José Rodrigues Miguéis e de me encontrar com Fernando Pessoas à porta do Martinho.Assim como cumprimentar Sebastião Magalhães Lima e Abel Botelho. E Egas Moniz. E Ricardo Jorge. Todos eles são a primeira grande galeria romântica do séc. XX que construiram uma República tão frágil como as paixões estivais. Cem anos depois estão no nosso coração e panteonizados na nossa memória. Viva a República!
domingo, 3 de outubro de 2010
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
As Indignações do PS de Santarém
Não sei se é assim noutras autarquias. Em Santarém vivo esta angústia. Falar, escrever ou argumentar perante a pequena comunidade política local foi sempre um desafio que não venci. Reconheço que não arrecado aí nem uma única vitória. Vim de um ambiente universitário exigente, onde a polémica, a discussão viva era obrigatóriamente um acto de inteligência pública. E também tenho na memória o tempo em que fui investigador criminal onde a crueza, e a firmeza, das palavras era usada para desvendar crimes. Mas não para insultar.Tenho uma carreira como escritor que não me envergonha, qualquer das minhas obras é objecto de edições e mais edições, estou traduzido em várias línguas, publicado em vários países, premiado pelo meu trabalho, quer como escritor quer como autarca, aqui e no estrangeiro, escrevo há mais de vinte anos em jornais de dimensão nacional, participei em centenas de debates televisivos, radiofónicos, em colóquios, em conferências, em Portugal e por esse mundo fora, argui teses e fui objecto de arguição em várias universidades. Discussões, por vezes, muito rijas, onde as palavras eram atiradas como pedras e onde a capacidade de argumentar e contra-argumentar podia recorrer livremente à metáfora, á antinomia, à hipérbole sem que alguém se ofendesse com alguém. Discuti com catedráticos, tive polémicas com grandes nomes da cultura, nunca senti no limite do limite dos argumentários. Na pequena comunidade política de Santarém é recorrente a crítica de que sou mal educado! Sobretudo o grupo dirigente do PS aponta sempre para esta conclusão definitiva: esta discussão é insuportável porque o presidente da Câmara é malcriado.Ponto final! Aos 57 anos fui classificado como o pior da turma. Mas isto não é o pior. O pior, e é terrível, é que os argumentos passam distorcidos para outras áreas do conhecimento. Durante muito tempo, julguei que essa distorção se devia à falta de escrúpulos e ao populismo barato. Mas não é. É muito pior. Eu explico com um exemplo:A última indignação teve a ver com uma discussão sobre conceitos de cidades competitivas.O PS de Santarém votou contra tudo aquilo que trazia inovação. Contra os espaços públicos renovados, contra a Fundação da Liberdade, desprezaram a conquista do Convento de S. Francisco, ignoraram deliberadamente toda a reconversão do parque escolar, a recuperação de património, etc. Numa intervenção que fiz, tendo em conta esta má vontade contra as novas cidades, comparei em termos metafóricos, as velhas cidades nascidas da revolução industrial e da concentração urbana com as novas cidades competitivas e do conhecimento. Tendo aprendido a lição que citar autores clássicos que estudaram as cidades seria o mesmo que estar a falar de metafísica, decidi usar outras expressões. Falei da velha cidade-fortaleza, da cidade-fortim, da cidade das cavalariças e das estrebarias e a nova cidade do espaço público, do conhecimento, sustentável. Quis fazer o contraste entre dois modelos de cidade. A cidade oitocentista e a cidade do séc. XXI. Entre a pólis herdada do romantismo e a nova cidade que para além de um tópus é, também, utopia. Que percebeu os meu grupinho de PS's? Que esta discussão não era sobre modelos e que eu afirmava que Santarém gostava de viver em cavalariças e vacarias. Não é má fé esta interpretação. Se o fosse, bastaria para circunscrever isto aos processos de vilania associados às lutas internas e externas pelo poder. Mas é ainda mais grave. Percebi que o grupo dirigente do PS não percebe.Não é porque não queira. Não é capaz. Estou vencido. A partir de agora vou falar como explico matemática à minha filha. A coisa passa a ser básica e simples, não molestam ninguém com intrigas e pronto!Afinal de contas, a preocupação deles nem é a cidade, nem o futuro. Apenas o tacho que o partido lhes pode arranjar. E eu deixo de ser malcriado! Fica para depois, com outra gente, uma boa polémica sobre modelos de cidades e Santarém não pára por estas ondas mais ou menos furiosas de ignorância voluntária.
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