terça-feira, 24 de abril de 2012

Miguel Portas partiu.

Era um homem afável e doce. Feliz nas sua convicções e intelectualmente poderoso. E fraterno. Soube da terrível notícia quando comprava cravos para levar a outro amigo que também partiu há pouco tempo - o Vitor, meu vereador e amigo, bruscamente interrompido - e que, tal como o Miguel, deixava que as flores despertassem nesta 'madrugada inteira e limpa' .
Fica aqui a memória magoada em forma desse cravo livre, liberto e quente que ele foi. Com um beijo comovido e perturbado à minha querida amiga Helena Sacadura Cabral, mãe enlevada nos seus rebentos e um abraço ao Paulo, que sei quanto sofre com a perda irremediável do irmão. Há um céu, mesmo para os não crentes, onde todos nos abrigamos e recolhemos. Fernando Catroga chamou-lhe o 'Céu da Memória'. Aí, nessa 'cidade dos pensamentos', na feliz expressão de Antero de Quental, haveremos sempre de encontrar para o abraço que agora faltou, para os 'bons dias' que não se tornarão a escutar. Mas no 'Céu da Memória' não se gastam as saudades porque aí a morte não habita.

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