sexta-feira, 6 de abril de 2012

Aos Meus Filhos Nuno e Matilde: Parabéns!

Hoje, o Nuno faz 38 anos. A Matilde faz 14. Quis o destino biológico que, com 24 anos de diferença, nascessem no mesmo dia.Acordei e penso neles e dou por mim a fazer contas. Quando ele nasceu, eu tinha 21 anos. Quando ela nasceu, o Nuno tinha acabado o curso de engenharia. Eu dava aulas quando o Nuno nos disse bom dia pela primeira vez naquele choro de despertar para a vida que nos comove até ao tutano dos ossos.Quando a Matilde nasceu, dava aulas, tinha acabado de escrever a série 'Ballet Rose' e preparava-me para escrever 'A Raia dos Medos'.E tempo passou veloz, implacável, mas essas imagens das primeiras horas de vida de cada um, ficaram. São relíquias que ficam na memória de todos os pais. Que sabem descrever, mas não sabem contar, pois o conto tem uma dimensão do coração tão única que só cada um de nós sabe sentir e por mais excelentes que sejam as palavras ficam incompletas por nelas não caberem tanta emoção.E agora tenho 59 anos.Um caminho andado com intensidade, com paixão desprendida, sempre no máximo esforço, um caminho que percorri deixando sinais que, agora, quando já olho com mais frequência os trilhos por onde aqui cheguei, lhe vejo o rasto. Está cheio de vitórias. E de derrotas. Mas que transborda de trabalho, de sacrifício, de dedicação a tudo e a todos aqueles que amei. Porém, nesta já grande caminhada, há três faróis que dão sentido ao caminho que falta andar até ao dia final. Têm nome de gente. São o Luís,(o outro filho que não nasceu a 6 de Abril) o Nuno e a pequena Matilde.E mais três faróis incandescentes: O Francisco, o Henrique e a Isabel, os netos, de quem o Luis e o Nuno são pais. E hoje, dei comigo, outra vez, a fazer balanços e posso dizer, porque sinto, que foram as balizas maiores, o sentido mais sublime, a força vital que me fez continuar, quando as forças fraquejavam, a marca mais profunda que condiciona definitivamente os meus estados de alma. Como de qualquer pai. A infelicidade deles, parte a nossa felicidade. A felicidade deles, destrói os dias da nossa infelicidade. E é por eles que recuso, e hoje bem sei como recuso com firmeza, as lamúrias fatalistas, os bramidos de rancores, os apocaplipses do país anunciados a eito, sem peso nem medida. Dou comigo a pensar, hoje em particular, que foram os meus filhos, são os nossos filhos, o país que iremos ter. O país que não me envergonha, e que assumo com orgulho, porque foi o seu berço, é a sua língua, é a raiz maior que nos prende á vida. E ás palavras. E ás emoções. Á emoção com que escrevo este texto, sabendo que não o deveria escrever. Mas hoje fazem anos dois dos meus filhos. Dois arautos do futuro. Tal como deve haver pelo país, muitos pais cujos filhos nasceram hoje e assim os sentem. E é esta alegria incontida que não me repime as palavras. É cedo. Ainda devem estar a dormir mas o sol já entra pela varanda do meu escritório. E tenho a certeza que, daqui a pouco, quando lhes escutar a voz para lhes dizer dos meus parabéns, ouvir as suas palavras, este sol que por aqui espreita,vai iluminar-se de alegria infinita. Palavras em português, da cor do berço que os viu nascer, neste eterno ciclo de vida amada e vivida, que legitima toda na confiança no futuro do meu país, do país deles,do nosso país com o coração carregado de esperança e determinação.
Neste dia tão especial, dirijo-me a ti, S.Francisco, nosso Irmão Francisco, meu Irmão intenso, para confirmar a tua oração sobre o amor, a vida e a morte e dar testemunho que valeu pena dar tudo para receber de dádiva esta benção divina. Chegou a hora. Não espero mais. Vou escutar a voz do Nuno e da Matilde e dizer-lhe que há sol, um sol pálido ainda, que nós iremos soprar para que nos aqueça os passos e a vontade por muitos mais anos de companhia por este caminhar apaixonado e transcendente pelos dias melhores do nosso país.  

2 comentários:

  1. gostei do texto.fico muito feliz pelas pessoas que podem falar assim,sinal que ainda têm os filhos para partilhar os bons e maus momentos.Eu infelizmente já não pertenço a esse grupo de pessoas.Estou muito triste ,a PASCOA é uma data em que celebramos a ressurreição de CRISTO !e eu gostava de a celebrar com a minha filha presente.infelizmente não pode ser...resta-me a esperança e acredito que ela está lá no alto junto aos anjos a olhar por nós.BOA PASCOA A TODO O MUNDO .

    ResponderEliminar
  2. Bonito e comovente texto.Os filhos dão-nos alegrias e tristezas, mas é por eles que vivemos e viveremos. São os nossos continuadores. Um dos meus três filhos nasceu no "próprio" 25 de abril de 74. E depois de amanhã vou ter o meu quarto neto... (Agora já é com dia e hora marcada)...
    Nós é que construimos a nossa FELICIDADE, mas os filhos vêm concretizá-la e dar um novo rumo à nossa vida. Com altos e baixos, é certo, mas sendo sempre o nosso alento, aquilo que nos faz mover. São o futuro do nosso país, como diz. Será que estamos a construir um país e um mundo melhor para eles herdarem? Esperemos que sim. Pelo menos que lhes deixemos as bases para o moldarem com inteligência e amor de forma a que todos possam viver felizes e em PAZ.

    ResponderEliminar