sábado, 12 de fevereiro de 2011

Santarém e a Liberdade


São poucos aqueles que sabem como doeu esta caminhada. Dor de angústia, dor física, dor de espera, de vigilias de insónia, de reuniões e mais reuniões sem publicidade, de negociações infinitas, de discórdia e concórdia. Poucos sabem a aflição dos dias de tensão, das noite de trabalho intenso para chegarmos onde acabámos de chegar. A ex-Escola Prática de Cavalaria vai ser devolvida ao povo de Santarém e à memória de Portugal. Esta segunda feira vai ser aprovado o documento final que permite o desenvolvimento dos projectos para ali já rubricados quer pela autarquia quer pelo governo. A cidade judiciária e a EPC - Escola Prática do Conhecimento - , embrião da futura Fundação da Liberdade vão dar o primeiro grande passo, âncora de desenvolvimento decisiva para Santarém, para a região e para o país. Foram três anos de trabalho intenso, três anos de fé, feitos de dezenas, talvez centenas de telefonemas, de discussões apaixonadas, de compromissos assumido com honradez pelo Governo e pela autarquia.
Sei, porque vivi já tempo suficiente e trabalhei muito mais do que precisava, para saber que esta foi a grande obra da minha vida. E dos meus companheiros de jornada. Sei que é o contributo maior que vamos deixar a Santarém. A porta de entrada para o futuro. Sem a ameaça do betão, com a esperança de que é um mundo que se abre voltado para a Justiça e para a Liberdade. Daqui por um ano, ano e meio, milhares de crianças estarão a aprender a sua memória de liberdade, vinda de todos os cantos do país. Daqui por menos tempo, a cidade judiciária vai estar a funcionar polarizando riqueza, emprego, e mais vida para esta capital que se agiganta e desconhece quem a quer aviltar ou amesquinhar. Esta cidade feita de feitos de guerra e de combate vai ganhar nova luz, uma nova idade, e instrumentos poderosos para enfrentar o destino.
Estou feliz. Há três dias que sinto um vazio no peito. A angústia desapareceu e deu lugar à paz. Sei que vou fazer parte do grupo de homens e mulheres que souberam honrar os seus netos e, sei que daqui por dez ou vinte anos, quando olharem Santarém vão ter orgulho no avô. É a maior dádiva desta conquista. E gratidão para tantos parceiros desta maratona. Gratidão ao engº Mário Lino, ao prof. Augusto Mateus, aos meus queridos amigos Pedro Abreu e Guilherme Drey, ao Dr. Almeida Ribeiro, ao Dr. José Magalhães, ao meu querido amigo João Labescat, ao Dr. Francisco Cal, ao primeiro-ministro José Sócrates e a tantos outros que têm trabalhado em projectos de produção e de planeamento desta obra grandiosa. Um abraço ao Dr. Gandarez que se bateu pela ideia, assim como ao Miguel Relvas, ao Presidente Durão Barroso que nos incitou a continuar quando tudo parecia ruir. E aos meus colaboradores da Câmara Municipal de Santarém que souberam lutar, partilhar, sofrer e amar o futuro que construíamos no silêncio dos gabinetes daqui e dos ministérios por onde andámos.
Embora sabendo que ainda há muito caminho para andar, estou feliz por Santarém. Por esta mátria tão amada por muitos e desprezada por poucos. Valeu a pena chegar aqui. Nunca imaginei que pudéssemos chegar aqui,apesar da fé. E agora vamos chegar mais longe. Ao infinito. À pátria onde a Liberdade é um corcel à solta pelas margens de todos mares e rios. Vou dormir em Paz. Obrigado, meu Irmão Francisco, por me ajudares a entregar esperança aos nossos irmãos homens. VIVA SANTARÉM!!!


3 comentários:

  1. Só eu sei quanto me custa ver essa escola ao abandono sem tropas, fui tropa ai em 89/90, que saudades

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  2. Com a Honra de Scalabitano quero expressar-lhe uma vez mais o meu agradecimento por tudo aquilo que tem feito pela minha cidade de berço que abandonei à 22 anos por opção de vida.
    Santarém Capital de um Distrito de gente humilde e trabalhadora teve durante muitos anos políticos que nunca perceberam ou não quiseram perceber o que significa ter orgulho em ser Scalabitano!
    Sem querer ser puxa saco, permita que por palavras breves lhe diga, quando e como pela primeira vez senti orgulho de ser Scalabitano; Foi numa tarde de Junho, em plena Feira do Ribatejo, quando o ouvia apelar ao sentimento do povo da antiga Scálabis, para que defendesse a continuidade da "Monumental Celestino Graça" quando dou por mim estou a aplaudir e a ver aplaudir de forma exuberante o Presidente do Município da minha Cidade.
    Caro Presidente Moita Flores não pelos meus sentimentos, muito menos pela emoção das palmas. Foi o que vi e senti nos rostos das milhares de pessoas que ali estavam, que pela primeira vez tinha um Presidente que teve a capacidade de perceber as gentes de Santarém e agora uma vez mais o Povo de Santarém deve-se orgulhar de ter este HOMEM à frente dos destinos de SANTARÉM!!!

    O meu muito obrigado,

    José Cruz Lopes

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  3. Há projectos maiores do que as suas épocas. E este será um deles!
    Viva Santarém começou com uma intenção que só poderia dar frutos. Um abraço

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