quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Adeus, Princípe!


És capaz de partir magoado connosco. Cansado, pois os campeões não suportam habitar num universo de vencidos. É da natureza dos vencedores. São implacáveis com a incompetência, com o conformismo, com a desculpa fácil. Os campeões precisam de sentir o sabor das vitórias, a adrelanina que surge nos grandes feitos desportivos, de morder a raiva de fome por golos e mais golos. Como sempre foste! Esfomeado de golos, a baliza sempre nos olhos, a procura da nesga ou do buraco impossível por onde a bola passava, mesmo que fosse de um ângulo agudo, quase fechado. Estavas sempre lá e deste-nos centenas de alegrias. Somando golos e vitórias, foram centenas. Mas não conseguite ser campeão, coisa que te vai no sangue e na alma, e podes crer que corre no sangue e na alma deste Leão, que encontraste adormecido, cansado, maltratado.
Porém, viveste demasiado tempo entre nós, conheces os recantos de Alvalade e sabes que não fomos sempre assim. Aquelas paredes respiram glória, mitos, heróis, campeões aplaudidos pelo mundo inteiro, homens e mulheres de fibra que prestigiaram a nossa casa e Portugal. Vais partir mas ficas. Ficas nessa galeria de memórias ao lado dos melhores, daqueles que como tu, tinham uma fome interminável de vitórias.
Deixas muitas saudades. Sem ti, ficamos ainda mais pobres. Mas percebemos. Queres mais quando nós, ou quem nos governa, quer tão pouco. E ficarás para sempre na galeria maior dos nossos heróis.
Que a vida te sorria, Campeão! Até um dia.

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