Em cada processo eleitoral assistimos, invariávelmente, a um esforço de interpretação política que tende a minimizar derrotas e a valorizar vitórias. Aliás, derrota é uma palavra proibida. 'Um resultado menos bom', 'não foi aquilo que esperávamos', 'ficámos aquém das expectativas', e por aí adiante, são expressões de ilusionismo e mistificação que afastam a força das palavras certas, e certeiras, com que se qualificam as verdades que todos vemos. O exemplo histórico é o PCP. De cada derrota estrondosa, há uma explicação vitoriosa. Desta vez propunha-se a forçar uma segunda volta, tal como os restantes candidatos que se opunham a Cavaco Silva, e, ainda, ser Francisco Lopes o lider desse combate final. Não só não conseguiu nenhum deste objectivos como foi arrasado em Beja, círculo onde há cinco anos o PCP ganhou as eleições, e nem por isso deixou de celebrar mais 'esta vitória' do Povo de dos 'trabalhadores portugueses'. Será o caso mais radical de autismo mas não é o único. Sobretudo quando se introduz a abstenção como argumento de preocupação e de alteração da composição percentual do resultado final. Sabe-se (o Jorge Sá explica os movimentos abstencionistas muito bem e estas eleições confirmaram-no) que o fenómeno atingiu todos os candidatos que possuiam histórico eleitoral a partir dos partidos que os apoiavam.
Vitória de Cavaco
A vitória de Cavaco Silva é expressiva e revela uma característica que é a centelha que ilumina este candidato desde sempre. Vale mais do que os partidos que o apoiam e entra em todos os eleitorados ditos de esquerda, não só no PS como nos eleitores do PCP(CDU) e é uma lição que o principal partido que o apoia (o PSD) por vezes esquece. As suas preocupações e o seu discurso político está afinado para intuir as expectativas do Povo e dos 'trabalhadores portugueses', despachando a retórica comunista para o território do lugar comum. E humilhando Carlos César, o seu mais consequente adversário ao longo do mandato o atingiu várias vezes, sobretudo, desde a polémica sobre o Estatuto dos Açores. Aqui ganhou em toda a linha.
Derrota de Alegre
Não é possível casar um Partido com a responsabilidade do PS com o Bloco de Esquerda, essa amálgama de revoltados, de trostkistas, maoístas, leninistas, críticos, sem outro objectivo ou outro combate que não seja estar contra. Um saco de gente que nunca contribuiu para um único acto sério para a saúde da República a não ser o protesto, a palavra redonda, o ódio com que atinge instituições e pessoas (os cartazes com caras desgarradas de pessoas que na sua óptica são os responsáveis pela crise é de uma baixeza moral e cívica inqualificável) o populismo dito de esquerda, que de tudo se serve para minar e atingir a estrutura do Estado democrático. Alegre sofreu com esta aliança e sofre uma derrota humilhante. Valeu-lhe o discurso austero de reconhecimento de derrota, onde o espírito do grande poeta regressou, e a ajuda magnânima de José Sócrates que no balanço final não ajustou contas com o seu principal adversário político, antes confortou o candidato (que não era o seu) esquecendo a forma como a candidatura se construiu em sistemática guerra contra o PS.
O resto é o resto. Defensor Moura veio à campanha dirimir ódios pessoais. Coisa feia para quem se candidata a um lugar com o rigor exigível a um presidente da República. Fica com mais razões para o ódio. É que não lhe ligaram puto. Lá continuará com a obsessão do pedestal de onde, segundo ele, tirou o presidente.Coisa que só significa decadência. Mais nada.
terça-feira, 25 de janeiro de 2011
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
A Vaidade e o Martírio
Começam a surgir os candidatos à Presidência do Sporting, um desfile de vaidades, tal como já se adivinhava, e os nomes que se ouvem, na sua maioria, não têm a mínima condição para a função. Podem dar boas entrevistas, fazer uns retratos interessantes, dizer umas coisas com sentido porém, vão buscar, mais uma vez, dividendos pessoais em vez de provocar a mudança necessária que o Clube precisa. Temo que o espectáculo mediático substitua o pragmatismo e os associados caiam mais uma vez na armadilha das laudatórias e discursos emocionados e não percebam que, neste momento, aquilo que se joga é tão só e simplesmente salvar o Clube da bancarrtoa e devolver-lhe dignidade.
O resto é treta. Muita declaração de amor, muito espavento, muita parra e pouca uva. Daí que o perfil do presidente, a sua capacidade de negociar, de influenciar, de afirmar autoridade e severidade na gestão, precise de um homem sólido na acção e na negociação. E só vejo um: José Maria Ricciardi. Discreto, sportinguista de alma e coração, conhece a vida financeira do Clube, domina o mercado financeiro como poucos, ama o clube e não gosta de espectáculo, nem desmaia de gozo e vaidade perante uma câmara de televisão.
Não há outro neste momento. O resto é uma procissão de vaidades, de espavento, de afirmação pessoal que vai atirar o Sporting para uma situação ainda dramática.
sábado, 15 de janeiro de 2011
Fraca Decisão, Uma Boa Decisão
A decisão, há pouco anunciada, de demissão de Presidente do Sporting por José Eduardo Bettencourt é o espelho da gestão desta direcção. Reagir à perda de um jogo (apenas mais entre tantos) batendo com a porta é o exemplo absoluto daquilo que um Presidente não pode fazer. Revela a ausência de força para liderar e um estado transtornado perante as dificuldades que o Clube atravessa. Um lider pode sair em qualquer hora do seu lugar, abandonar um projecto porque deixou de fazer sentido, pois os homens não são eternos nem insubstituíveis, mas jamais pode abandonar um barco no meio de uma tempestade, irritado, zangado, seja aquilo que for, porque perdeu um jogo de futebol. Minutos depois desta decisão, já um comentador desculpava a atitude, numa rádio, dizendo que isto era uma decisão a quente, que os amigos haveriam de mais tarde apaziguar o seu estado de espírito, que ser-lhe-ia pedido que voltasse a assumir as responsabilidades do Clube.
Nada mais errado. O amiguismo pode implorar afectos, lágrimas, conversões, birras, desculpas e os abraços da praxe para glorificar este ou aquele estado de alma, mas jamais farão um líder e um líder não se demite por causa de uma derrota, por mais humilhante que ela seja. Se fosse a humilhação um sinal de demissão outras derrotas o Sporting sofreu que mereciam esta demissão. E a grandeza e as dificuldades que o Clube atravessa não são compatíveis com este estados de alma, nem com fraquezas do momento.
A massa associativa confiou-lhe a liderança para liderar. Não foi para fazer birras. A auto-estima de um grande Clube precisa de rasgos de génio, os problemas que tem para resolver necessitam de mão firme. E é capaz de ter chegado a hora desse lider surgir e asumir os destinos deste emblema que ao longo de décadas honrou o desporto e o país. Ou então, de estado de alma em estado de alma, não demorará muito tempo para que esta caminhada para o abismo não resulte num situação igual áquela que viveram outros grandes clubes e que agora vegetam por aí, sem esperança nem vintém.
Nada mais errado. O amiguismo pode implorar afectos, lágrimas, conversões, birras, desculpas e os abraços da praxe para glorificar este ou aquele estado de alma, mas jamais farão um líder e um líder não se demite por causa de uma derrota, por mais humilhante que ela seja. Se fosse a humilhação um sinal de demissão outras derrotas o Sporting sofreu que mereciam esta demissão. E a grandeza e as dificuldades que o Clube atravessa não são compatíveis com este estados de alma, nem com fraquezas do momento.
A massa associativa confiou-lhe a liderança para liderar. Não foi para fazer birras. A auto-estima de um grande Clube precisa de rasgos de génio, os problemas que tem para resolver necessitam de mão firme. E é capaz de ter chegado a hora desse lider surgir e asumir os destinos deste emblema que ao longo de décadas honrou o desporto e o país. Ou então, de estado de alma em estado de alma, não demorará muito tempo para que esta caminhada para o abismo não resulte num situação igual áquela que viveram outros grandes clubes e que agora vegetam por aí, sem esperança nem vintém.
domingo, 9 de janeiro de 2011
A Morte de Carlos Castro
Há trinta anos, quando apresentei o meu primeiro romance, era um autor desconhecido que dava os primeiros passos no dificil mundo editorial e não esperava desse título - Bastardos - outra coisa que não fosse o entreabrir da porta que me levasse a realizar o grande sonho de ser escritor. A editora nem apostou no livro. Fui eu e uns amigos que organizámos o lançamento, pago da nossa algibeira. Foi através de outros amigos que procurei divulgar aquele livrinho, que na verdade não passava de um livrinho, mas que naquele tempo era tão grande, tão importante dentro dos meus sonhos, que mereceria farta divulgação. O Martins telefonou-me: Vai ao lançamento um tipo que pode ajudar-te na divulgação dos Bastardos. Chama-se Carlos Castro. E foi.Era o único jornalista presente.
Surgiu com um fotógrafo e assistiu com agrado à apresentação feita pelo Luis Filipe Costa.E sei que divulgou abundantemente o livro por revistas e jornais em que colaborava. Nunca mais esqueci este gesto de generosidade com um jovem escritor e livro após livro tornámo-nos amigos. Quando publiquei um dos meus últimos romances, ralhei com ele. - Eh, pá, deixaste de aparecer no lançamento dos meus livros.
Respondeu com uma gargalhada: Já não precisas de mim.
Na noite em que terminou a série a Ferreirinha, que escrevi para a RTP, e onde a Filomena fazia o papel de D. António (o episódio descreve a morte da senhora) e reconheço que foi um dos meus trabalhos com melhor carpintaria dramática, entre as dezenas de telefonemas que recebi, falou-me o Carlos. Com a voz embargada de emoção a dar os parabéns, pediu-me para passar o telefone à Filomena e ter-lhe-á dito elogios que a vi chorar em silêncio a agradecida pelas palavras.
A última vez que nos encontrámos foi neste verão, numa inciativa do Correio da Manhã. Continuava o mesmo homem rebelde, simpático,bondoso, amigo dos seus amigos, corrosivo, irónico, bem disposto. Sabia que era homossexual mas não tínhamos proximidade suficiente para conhecer o seu namorado/companheiro.Mas também sabia que impusera a sua presença, na comunicação social, através de muito sem preconceitos, através de muito trabalho e de muita paixão. Ainda não compreendi como foi tão barbaramente assassinado. Pior: ainda não me recompus da morte deste amigo que um dia, há muitos anos, chegou ao lançamento daquele livro, sozinho, sem tibiezas para incentivar o jovem escritor: se é este o caminho que escolheste, luta por ele. Sem desfalecimento.
Adeus Carlos. Não te queria dizer adeus, mas a brutalidade da tua morte obriga-me. Até um dia.
Surgiu com um fotógrafo e assistiu com agrado à apresentação feita pelo Luis Filipe Costa.E sei que divulgou abundantemente o livro por revistas e jornais em que colaborava. Nunca mais esqueci este gesto de generosidade com um jovem escritor e livro após livro tornámo-nos amigos. Quando publiquei um dos meus últimos romances, ralhei com ele. - Eh, pá, deixaste de aparecer no lançamento dos meus livros.
Respondeu com uma gargalhada: Já não precisas de mim.
Na noite em que terminou a série a Ferreirinha, que escrevi para a RTP, e onde a Filomena fazia o papel de D. António (o episódio descreve a morte da senhora) e reconheço que foi um dos meus trabalhos com melhor carpintaria dramática, entre as dezenas de telefonemas que recebi, falou-me o Carlos. Com a voz embargada de emoção a dar os parabéns, pediu-me para passar o telefone à Filomena e ter-lhe-á dito elogios que a vi chorar em silêncio a agradecida pelas palavras.
A última vez que nos encontrámos foi neste verão, numa inciativa do Correio da Manhã. Continuava o mesmo homem rebelde, simpático,bondoso, amigo dos seus amigos, corrosivo, irónico, bem disposto. Sabia que era homossexual mas não tínhamos proximidade suficiente para conhecer o seu namorado/companheiro.Mas também sabia que impusera a sua presença, na comunicação social, através de muito sem preconceitos, através de muito trabalho e de muita paixão. Ainda não compreendi como foi tão barbaramente assassinado. Pior: ainda não me recompus da morte deste amigo que um dia, há muitos anos, chegou ao lançamento daquele livro, sozinho, sem tibiezas para incentivar o jovem escritor: se é este o caminho que escolheste, luta por ele. Sem desfalecimento.
Adeus Carlos. Não te queria dizer adeus, mas a brutalidade da tua morte obriga-me. Até um dia.
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
Cavaco Silva e a Responsabilidade
Foto: 10 de Junho, 2008. Visita à Sé de Santarém
Os adversários de Cavaco Silva, nesta campanha eleitoral, são unânimes numa crítica. Começou com Manuel Alegre e os restantes tomaram-lhe o passo: Cavaco Silva, enquanto Presidente da República é co-responsável pela crise nacional. Sê-lo-á, na medida em que nenhum português se pode furtar a essa responsabilidade.Responsabilidade que não inclui a outra bem mais profunda, de âmbito europeu, diria mesmo mundial, que vai fazendo estremecer os pilares dos euro e das economias europeias. Porém, foi dos poucos, talvez o único, quando a economia parecia ganhar fôlego, que nunca deixou de alertar para as dificuldades do país, para o facto de produzirmos menos do que aquilo que consumimos. Nesse tempo, quando nos discursos públicos, nas visitas oficiais, nas declarações aos jornalistas falava sobre a matéria, era o profeta da desgraça, o pessimista, o Presidente que queria de alguma forma embaciar a acção governativa. A História deu-lhe razão. De vitória em vitória, entrámos na derrota final. E o Presidente da República, cuja magistratura de influência, não passa pela apropriação do poder executivo, veio a terreiro sempre que disso houve necessidade. Aliás, nessas alturas, enquanto Cavaco exprimia solidraiedade ao governo e dava sinais públicos de prudencia e contenção, as principais candidaturas, putativamente de esquerda, apelavam à greve geral, aplaudiam todos os boicotes, todos os protestos que, embora populistas e agradáveis de escutar, não tinham em conta a grave situação do País. A fome de votos colocou-os no terreno da irresponsabilidade política ou da política do quanto pior melhor.E no caso de Manuel Alegre e Defensor Moura a situação é ainda mais caricata. Gritam que Cavaco é co-responsável pela crise. Mas nunca citam o outro responsável ou os outros responsáveis.É demagogia pura, destilada. Não. Cavaco é co-responsável mas estes candidatos não conhecem a responsabilidade da co-autoria da crise. E como não são ignorantes, como ambos possuem um vasto conhecimento da vida política, fossem corajosos, da coragem das palavras ditas a tempo e das acções feitas a horas, diriam até ao fim o nome dos outros responsáveis. Não dizem. E assim, poderiam colocar os galões de todas as bravuras e feitos em combate. Mas não dizem. E eu também não digo. Apenas por uma simples razão: é que o tempo que vivemos, independentemente desta conjuntura eleitoral, é um tempo de combate pelo país, pela regeneração, pela sensatez, pela prudência para que o abismo por onde nos despenhamos não seja tão negro quanto se supõe e possamos redimirmos de erros, corrigir desvios, recuperar prestígio internacional, lutar por Portugal enquanto nossa terra e chão que vamos deixar de legado aos nossos filhos. Cavaco garante essa dimensão de responsabilidade e de ética política. De confiança e sem aventureirismos. Sem folcore, sem ressabiamentos, mas com rigor. Rigor! Coisa que é a antítese do populismo barato.
Os adversários de Cavaco Silva, nesta campanha eleitoral, são unânimes numa crítica. Começou com Manuel Alegre e os restantes tomaram-lhe o passo: Cavaco Silva, enquanto Presidente da República é co-responsável pela crise nacional. Sê-lo-á, na medida em que nenhum português se pode furtar a essa responsabilidade.Responsabilidade que não inclui a outra bem mais profunda, de âmbito europeu, diria mesmo mundial, que vai fazendo estremecer os pilares dos euro e das economias europeias. Porém, foi dos poucos, talvez o único, quando a economia parecia ganhar fôlego, que nunca deixou de alertar para as dificuldades do país, para o facto de produzirmos menos do que aquilo que consumimos. Nesse tempo, quando nos discursos públicos, nas visitas oficiais, nas declarações aos jornalistas falava sobre a matéria, era o profeta da desgraça, o pessimista, o Presidente que queria de alguma forma embaciar a acção governativa. A História deu-lhe razão. De vitória em vitória, entrámos na derrota final. E o Presidente da República, cuja magistratura de influência, não passa pela apropriação do poder executivo, veio a terreiro sempre que disso houve necessidade. Aliás, nessas alturas, enquanto Cavaco exprimia solidraiedade ao governo e dava sinais públicos de prudencia e contenção, as principais candidaturas, putativamente de esquerda, apelavam à greve geral, aplaudiam todos os boicotes, todos os protestos que, embora populistas e agradáveis de escutar, não tinham em conta a grave situação do País. A fome de votos colocou-os no terreno da irresponsabilidade política ou da política do quanto pior melhor.E no caso de Manuel Alegre e Defensor Moura a situação é ainda mais caricata. Gritam que Cavaco é co-responsável pela crise. Mas nunca citam o outro responsável ou os outros responsáveis.É demagogia pura, destilada. Não. Cavaco é co-responsável mas estes candidatos não conhecem a responsabilidade da co-autoria da crise. E como não são ignorantes, como ambos possuem um vasto conhecimento da vida política, fossem corajosos, da coragem das palavras ditas a tempo e das acções feitas a horas, diriam até ao fim o nome dos outros responsáveis. Não dizem. E assim, poderiam colocar os galões de todas as bravuras e feitos em combate. Mas não dizem. E eu também não digo. Apenas por uma simples razão: é que o tempo que vivemos, independentemente desta conjuntura eleitoral, é um tempo de combate pelo país, pela regeneração, pela sensatez, pela prudência para que o abismo por onde nos despenhamos não seja tão negro quanto se supõe e possamos redimirmos de erros, corrigir desvios, recuperar prestígio internacional, lutar por Portugal enquanto nossa terra e chão que vamos deixar de legado aos nossos filhos. Cavaco garante essa dimensão de responsabilidade e de ética política. De confiança e sem aventureirismos. Sem folcore, sem ressabiamentos, mas com rigor. Rigor! Coisa que é a antítese do populismo barato.
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
Os Bácoros do Regime
Estamos a assistir à decapitação do País. E os nossos principais coveiros são aqueles que durante décadas ocuparam cargos com responsabilidades no Estado, fizeram mil promessas de sentido de responsabilidade, se serviram do Tesouro do Estado para os seus cargos, profissões, reformas e interesses pessoais e agora, armados da sua erudição burlesca, revelam a maior irresponsabilidade, a maior sem vergonhice, alinhando em todas as campanhas de descrédito contra o País. Um verdadeiro nojo!
Conheço os mecanismos psicológicos que agitam os sentimentos de insegurança no que respeita ao crime e à criminalidade.Sabemos que a repetição dos discursos apocalípticos sobre a segurança aumentam os níveis de medo ao ponto dos mesmos se tornarem irreais e, bem se sabe, os danos que provocam na tranquilidade pública.
Está a passar-se o mesmo na doentia discussão sobre finanças e economia que, hora após hora, passam nas televisões, radios e jornais. Os putativos sábios que surgem de todos os escombros da economia e finanças, que eles ajudaram a destruir, a debitar sentenças de morte, de bancarrota, de miséria, de ausência de esperança. Uma autêntica vara de bácoros a refocilar na porcaria. E, hoje, duvido de tanta seriedade que nos aponta o Apocalipse. Sabendo da pressão dos especuladores, verdadeiros bandidos escondidos nessa coisa difusa que são os mercados, a vaga de discursos trágicos a que assistimos levam-me a pensar que ali há negócio. São, directa ou indirectamente, estes putativos sábios, os melhores aliados dos especuladores, traindo o seu País, a sua Pátria, a terra que lhe garantiu vida farta, sem apresentarem uma única solução que seja que diga a quem paga, que diga a quem sofre, que diga a quem está desempregado: Aqui há um caminho de esperança.
Vejo e oiço estes catedráticos,ex-ministros, especialistas, meliantes de farta vida e não posso deixar de me indignar com esta visão destrutiva do País. Querem convencer-nos que não temos futuro. Que os nossos filhos não têm futuro. Como é possível? Depois de séculos de resistencia e afirmação de identidade, depois de parir uma Língua, depois de mil guerras e hecatombes, dizem-nos estes tipos que não temos futuro.
Já nem sabemos o que dizem os Partidos. Já nem sabemos o que cada um propõe. Os sábios dissolveram-lhes a voz. E o negócio deve ser grande a alto. Não é possível alguém que ama a sua terra, discutir uma tragédia - e a situação do País é trágica - sem procurar soluções. Propôr soluções. Enfatizar caminhos de solução e parar de choramingar, como velhas tontas, sobre a tragédia. Ao ouvi-los percebo a mediocridade na sua inteireza mais pura. Tratam dos mortos. Nenhum deles sabe cuidar dos vivos. E está decidido. Na televisão da minha casa não falam traidores nem aliados de especuladores. Para os escutar prefiro o National Geografic. Aos menos aqui, os animais são sinceros.
Conheço os mecanismos psicológicos que agitam os sentimentos de insegurança no que respeita ao crime e à criminalidade.Sabemos que a repetição dos discursos apocalípticos sobre a segurança aumentam os níveis de medo ao ponto dos mesmos se tornarem irreais e, bem se sabe, os danos que provocam na tranquilidade pública.
Está a passar-se o mesmo na doentia discussão sobre finanças e economia que, hora após hora, passam nas televisões, radios e jornais. Os putativos sábios que surgem de todos os escombros da economia e finanças, que eles ajudaram a destruir, a debitar sentenças de morte, de bancarrota, de miséria, de ausência de esperança. Uma autêntica vara de bácoros a refocilar na porcaria. E, hoje, duvido de tanta seriedade que nos aponta o Apocalipse. Sabendo da pressão dos especuladores, verdadeiros bandidos escondidos nessa coisa difusa que são os mercados, a vaga de discursos trágicos a que assistimos levam-me a pensar que ali há negócio. São, directa ou indirectamente, estes putativos sábios, os melhores aliados dos especuladores, traindo o seu País, a sua Pátria, a terra que lhe garantiu vida farta, sem apresentarem uma única solução que seja que diga a quem paga, que diga a quem sofre, que diga a quem está desempregado: Aqui há um caminho de esperança.
Vejo e oiço estes catedráticos,ex-ministros, especialistas, meliantes de farta vida e não posso deixar de me indignar com esta visão destrutiva do País. Querem convencer-nos que não temos futuro. Que os nossos filhos não têm futuro. Como é possível? Depois de séculos de resistencia e afirmação de identidade, depois de parir uma Língua, depois de mil guerras e hecatombes, dizem-nos estes tipos que não temos futuro.
Já nem sabemos o que dizem os Partidos. Já nem sabemos o que cada um propõe. Os sábios dissolveram-lhes a voz. E o negócio deve ser grande a alto. Não é possível alguém que ama a sua terra, discutir uma tragédia - e a situação do País é trágica - sem procurar soluções. Propôr soluções. Enfatizar caminhos de solução e parar de choramingar, como velhas tontas, sobre a tragédia. Ao ouvi-los percebo a mediocridade na sua inteireza mais pura. Tratam dos mortos. Nenhum deles sabe cuidar dos vivos. E está decidido. Na televisão da minha casa não falam traidores nem aliados de especuladores. Para os escutar prefiro o National Geografic. Aos menos aqui, os animais são sinceros.
terça-feira, 30 de novembro de 2010
Wikileaks: A Prostituta Coscuvilheira
O site Wikileaks anunciou durante as últimas semanas que surripiara 250 mil ficheiros secretos americanos.Entrara na base de dados diplomáticos dos EUA e conseguira informação que poria a segurança mundial de pantanas. A correspondência trocada entre diplomatas começou a ser divulgada e, até, agora aquilo que se conhece é rídiculo, próprio da mais ordinária revista cor de rosa, e tão vulgar como parece ser a Wikileaks. Revelam como diplomatas e funcionários de embaixadas tratam alguns dos lideres mundiais, num linguajar sarcástico, outras vezes irónico, outras vezes mais crítico. Comparado com a forma como os europeus em geral tratam os Estados Unidos é linguagem de meninos de coro. Conversas de prostíbulo sem sentido.Uma invasão da privacidade sem dignidade, sem interesse, digna do jornalismo mais rasca. ´
Não sou adepto da política externa americana. Repudio mesmo o seu imperialismo militar assumido. Acho mesmo que a invasão do Iraque e as atrocidades cometidas durante esta guerra inútil contra a Al-Qaedda mereciam colocar Bush a responder por crimes contra a humanidade. Mas a Wikileaks não quer isto. Quer arruaça. Coscuvilhice. Porcaria. Conseguisse entrar nos sistemas informáticos do Irão ou da Rússia e veríamos seguramente o mesmo género de linguagem.É mais uma encenação de jornalismo militante que não passa de jornalismo de vão de escada. Um lixo!
Não sou adepto da política externa americana. Repudio mesmo o seu imperialismo militar assumido. Acho mesmo que a invasão do Iraque e as atrocidades cometidas durante esta guerra inútil contra a Al-Qaedda mereciam colocar Bush a responder por crimes contra a humanidade. Mas a Wikileaks não quer isto. Quer arruaça. Coscuvilhice. Porcaria. Conseguisse entrar nos sistemas informáticos do Irão ou da Rússia e veríamos seguramente o mesmo género de linguagem.É mais uma encenação de jornalismo militante que não passa de jornalismo de vão de escada. Um lixo!
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