sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Unicer - Uma amarga estalada!

A notícia colheu o país de surpresa e Santarém ficou perplexa. Sem outra razão que não sejam critérios de gestão há muito definidos, a Unicer vai suspender a sua actividade de produção de cerveja em Santarém no ano de 2013. Foi-me explicado pelo presidente da empresa que, apesar desta decisão a longa distância, decidiram torná-la agora pública para preparar condições empresariais e dos seus trabalhadores para encerrar a produção. Segundo a mesma fonte, a ideia é concentrar a produção de cerveja na empresa mãe, deixando em Santarem a produção de refrigerantes e a plataforma logística. Ao todo, mais de uma centena de trabalhadores vai perder o seu lugar de trabalho neste concelho, deslocalizando-se para os centros que a Univer conserva abertos por esse país fora. Transmiti ao presidente da Unicer a minha profunda desilusão e estupefacção. Ainda por cima quando não é a crise, nem quaisquer dificuldades da empresa que justificam a decisão. Apenas um critério de gestão interna. Admito,ainda, que outro critério de gestão mais humano possa rectificar esta decisão. 2013 ainda vem longe e a esperança não deve morrer.
No entanto, esta decisão unilateral da Unicer, da sua exclusiva responsabilidade, não é caso único pelo país e deve colocar os autarcas, e incluo-me neste grupo, a reflectir sobre a necessidade, e o esforço muitas vezes suplementar que é feito pelas autarquias para fixar empresas, em nome da defesa de empregos e do fortalecimento do tecido empresarial. Em Santarém conhece-se inditoso caso da Cerveja Sintra que levou a autarquia a investir milhões de euros para depois surgir, meia dúzia de anos depois, um fogo fátuo. A grande obra gemia sob a ameaça de fechar. Aconteceu o mesmo com a Lactogal. E agora, ainda que com pressupostos diferentes, pois a história das útimas década da Unicer está associada a este concelho, aconteceu este caso. Quanto investiu o município para que este projecto se afirmasse? Seguramente muito investimento técnico, muito esforço, muita dádiva. Porém, chegada a hora do corte radical, a 'decisão de gestão interna' despedaçou esforços de décadas e atira para as urtigas com o discurso encantatório do emprego. A visão economicista da empresa vale muito mais que um, dois ou cem postos de trabalho e o destino desses homens e mulheres.
Esta é a dura realidade com que se defrontam as autarquias. Ávidas por criar riqueza e postos de trabalho. Investindo em planeamento, licenciamentos, apoios de toda a ordem. Quando chega a hora da decisão tudo isto valeu menos que um saco de lixo. E daqui não há saída. Sei que várias empresas na região estão para fechar ou para falir. Outras, pesem as grandes propostas, nem chegaram a passar de projectos, desistindo ainda antes de começarem. E a autarquia sempre a jeito. Disponível para que se realize a miragem do emprego. Disponível a todos os esforços para defender postos de trabalho. Triste e pesado fadário este, no dia em que a dívida portuguesa foi classificada de lixo pelas agencias de 'rating'. Mas é preciso resistir. É necessário que estas desilusões não dobrem vontades e continuar. Continuar porque o futuro não se constrói com mágoas, lágrimas e pesporrência. E merece toda a energia e vontade.

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