segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Em favor do elogio a Nuno Serra

Vivemos num tempo em que elogiar alguém obriga a ser corajoso. O tempo é do destempero, do bota abaixo, da invenção da torpeza, do desprezo como vómito. Descarregar a ira, a ausência de conhecimento, o culto da incompreensão e das ideias preconcebidas, proclamar verdades indemonstradas segue em passo certo com o servilismo, a bajulice e o calculismo, tornando-se a mistura numa concreção de uma certa canalhice nacional e políticamente correcta. Sempre nutri um profundo desprezo pela bajulação e pela pesporrência e procuro fazer de cada momento da minha vida, quer como presidente da câmara, quer como escritor, quer como pessoa um acto de coragem para reconhecer aquilo que os outros fazem de bom, pensem como eu ou pensem de forma diferente. Tenho,até, a convicção que o livre pensamento, a diversidade de pensares e de opiniões tornam mais rico o nosso mundo.
Recebi reacções de aplauso à saudação que neste blogue fiz ao Deputado Nuno Serra. E recebi reacções de cepticismo. Algumas de desconfiança. Por isso, volto á carga. Sei que é difícil elogiar. Que é difícil reconhecer as qualidades dos outros, quando estamos tão fortemente concentrados no nosso próprio umbigo. Que é mais fácil ignorar virtudes e publicar defeitos, por vezes supostos. Que é mais fácil, por ser simplista, a arrogância e a indiferença, as armas mais queridas dos medíocres disfarçados de proclamadores de princípios.
Mas Nuno Serra é um caso de estudo em Santarém. Tem a inteligência dos sábios para fazer as sínteses de vida que só a idade proporciona a alguns. E ele é um jovem. Tornou-se Deputado por mérito, trabalhando incansávelmente pela sua eleição. Tem-se revelado um Deputado emérito não esquecendo os seus eleitores e pugnando pelos interesses de Santarém e da região. É um autarca atento e sensato. Longe da retórica de redondilha dos seus oponentes. Solidário e responsável. É seguramente o político mais destacado, saído de Santarém, o mais activo  e que é de uma injustiça profunda metê-lo no mesmo saco onde se enfiam os medíocres que usam o poder por razões pessoais e conjunturais. E com um futuro promissor, se continuar assim e estiver avisado. Quando a política perde a nobreza e se transforma em politiquice bem se sabe como o punhal de Brutus assassina quem lhe está mais próximo. É frontal, crítico e franco.E sério. Santarém merece-o.

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