segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Das Conferencias do Casino até hoje

Estamos a viver um tempo ruim. A dimensão da crise económica e financeira desnuda outras crises. Agora mesmo. No centenário da República.Vem ao de cima o que de pior deixámos que proliferasse e mourajasse com o nosso silêncio. Silêncio que foi consentimento. Não quisémos saber. Desinteressámo-nos.Deixámos que os sapos e as cobras saíssem dos seus buracos e permitimos que uma política amoral, militante, apostada na mediocridade tivesse um passo e um reconhecimento imerecido. Voltei às Causas da Decadência dos Povos Peninsulares, de Antero de Quental, que me obrigou a reler durante o fim de semana O Labirinto da Saudade do Eduardo Lourenço. É arrepiante o desleixo com que andámos. É deprimente perceber que sabíamos e não fizémos. Esquecidos da revolução espiritual proposta, ignorando a exigência de saber e de conhecimento, permitindo que o País não se municiasse com as armas que desbravam futuros. Temos milhares de licenciados. Multiplicámos universidades e escolas. Porém, nada disto foi potente para transformar os gestos e os actos de milhões em acções culturalmente elevadas, o único padrão que pode aguentar uma política ou políticas sólidas. As élites partem, a iliteracia domina, impera, fustiga cultivando a ignorância, a mesquinhez, a trica, como ervas daninhas destruindo searas de esperança. É difícil vencer esta pobreza espiritual. Possívelmente a única saída da crise. Um combate duro pela cidadania. Que estamos obrigados a vencer. Pelo país que é a nossa terra e a nossa língua. Antero tinha razão. Há 140 anos. E agora! Aconselho a consulta da sua conferência. Um regresso á poderosa inteligência generosa de um dos nossos maiores filósofos.  

2 comentários:

  1. Pois é....estamos mesmo a bater no fundo....será que este País alguma vez se tornará a levantar?
    è pesada e triste a herança que vamos deixar aos nossos filhos....
    resta-me a esperança de que ainda apareça por cá alguém capaz de levar o barco a bom rumo...
    Mibá

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  2. É muito difícil manter ideais e não cair no cinismo. Por vezes desanimo e tenho vontade de desistir. Passaram 140 anos e só a fina camada de verniz mudou - há mais títulos académicos a encobrir uma consistente barbárie.

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