segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Desemprego

Os dias já cheiram aos cinzentos da invernia. O sol empalideceu e o frio infiltra-se devagar, cada vez mais frio pela manhã, enquanto as árvores, os pássaros, a vida entorpece. Há menos chilreios no Jardim da República. O Natal procura contraditar este enclausuramento da Natureza e dos Homens, estimulando a fantasia de que virá o Menino Jesus ou um Pai Natal conduzindo renas cintilantes que anunciam o renascimento precoce da Primavera.
Porém, este ano o Inverno vem o mais rijo.Traz mais desemprego nas tempestades e as geadas fazem doer os ossos com mais intensidade.À Casa Solidária, que há três anos criámos em Santarém, adivinhando esta crise, são cada vez mais os pedidos de socorro. São poucos aqueles que pedem móveis restaurados, vestuário reparado. São cada vez mais aqueles que procuram alguma coisa para comer. Comer! O último patamar da miséria. E o desemprego não pára de subir. Cada vez são mais homens e mulheres aflitos, pais aflitos de crianças aflitas que, nesta altura do ano lectivo, continuam sem dinheiro para comprar livros escolares.É assim que o desemprego, a crise, gera futuros desempregados, crianças desarmadas perante a competitividade que amanhã os espera num tempo cada vez mais competitivo. Portugal está num estreito corredor, frio e carregado de penumbras, e confesso que não sei como dele se sairá.

3 comentários:

  1. Pois é! E calha a (quase) todos! Durante doze anos dei aulas de Português e de Francês: centenas largas de alunos enriqueceram os meus dias de vida e saberes vários; durante dez anos fiz Jornalismo e animação de Rádio. não sei quantas notícias divulguei nem quantas pessoas entrevistei, mas foram muitas que enriqueceram também os meus dias. Fui depois Assessora de Imprensa e Chefe de Serviços; mais tarde, fui Mãe e aí conheci a verdadeira riqueza dos tempos e também o desemprego. Não baixei os braços e das literaturas, do Latim e do Grego, entreguei-me ao conhecimento do mercado imobiliário e dediquei-me nos últimos seis anos a angariar e vender casas... e agora, com tanto desemprego e falta de confiança no futuro, poucos são os que se atrevem a comprar e dos que se atrevem, poucos são os que têm crédito bancário...
    Pois é, há tanta forma de desemprego e os dias de (quase) todos nós são agora cada vez mais frios!

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  2. Creio mesmo ser esse o nosso grande problema! Como saírmos disto? Será que aqueles que nos disseram não haver outra salvação para Portugal que não fosse a entrada na Comunidade Europeia, se enganaram? Ou fomos nós que não soubemos caminhar de forma diferente daquela a que estávamos habituados? "Vendemos" a troco de dinheiro fácil, as nossas pescas, a nossa indústria, até a nossa agricultura, e agora? Que ferramentas temos para evitar a quase dependência total dos bens de consumo?

    Não!! Assim, com estas regras económicas, o Mundo tende a ficar cada vez mais desigual!!!

    Parafraseando Cavaco Silva, esta ordem económica tem de ser alterada.

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  3. Boa Noite,
    não venho aqui comentar o que o senhor escreveu, mas sim pedir a sua ajuda.
    Sou aluna da escola Campos Melo na Covilhã e estou no 12º ano, ano em que temos área de projecto.
    O meu grupo, constituído por mais duas raparigas, escolheu como tema as ciências forenses.
    Como sabemos que foi investigador na polícia judiciária, vimos pedir-lhe um auxílio no nosso projecto.

    Deixamos aqui o nosso e-mail: areadeprojecto1escm@hotmail.com

    Agradeciamos que nos mandasse um e-mail com uma resposta.

    Os melhores cumprimentos,
    Cátia.

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