quinta-feira, 22 de novembro de 2012

O Poder e a Fraqueza

Deter o Poder, seja porque foi eleito, seja porque lhe foi delegado, não é condição de força, nem de autoridade. A força e a autoridade assentam na razão, nas convicções humanistas que servem que serve a causa pública. A força imposta e autoritária nunca é fonte de saber e de decisão. Nem de acção política com grandeza. É o maior sinal de fraqueza, o sinal do medo, a incompetência para servir. É servir-se. Servir os projectos pessoais e colocá-los ao serviço de ódios pessoais, de ambições pessoais, de retaliações pessoais. É o Poder ao serviço do egoísmo.Do exercício despótico do poder pessoal. É o verdadeiro lixo político que domina grande parte da vida pública do país. Que enoja pela desumanidade, que causa repulsa pela desumanidade, que provoca vómito pela mediocridade absoluta. Nenhum líder que jura servir pode transformar esse poder que lhe foi conferido para a discricionariedade, para o uso abusivo da arbitrariedade, para violar direitos de cidadania. Sobretudo quando se trata daqueles que servem a mesma causa comum que é o serviço á comunidade. Quando a política chega a este patamar de enxúndia, gordurosa e mediocre ilustra, não a política, mas a fraqueza de quem a usa para esconder a sua propria mediocridade. Dou um exemplo. Ontem dois quadros superiores foram despedidos. Não se lhe explicou porque o foram. Não se lhes uma explicação. Não se lhes deu tempo para reorganizarem as suas vidas. Gente com prestígio curricular e trabalho sério e honrado. Tratados como se fossem cães vadios. Decisão tão arbitraria quanto cruel. Que não fala sobre os despedidos. Diz tudo sobre quem brutalmente o decidiu sem olhar a condições de dignidade humana. É este o caminho de quem usa o Poder para o arbítrio e para a pesporrência. Os medíocres adoram estar rodeados de medíocres. Temem os homens superiores e com qualidade. E isto faz a grande diferença entre servir a Política com nobreza e alteridade ou torná-la no covil da maior miséria moral.Que Deus lhes perdoe a bestialidade.

2 comentários:

  1. Caro Francisco ,

    Os políticos que refere são um reflexo da sociedade , e da sua crise de valores.
    Este culto da mediocridade , que premeia a ignorância , a incompetência , é
    algo que já vem de longa data , e que de facto continua a ser o grande pilar do
    atraso a que chegámos.

    Por isso , num país destes , em que se valoriza a mediocridade , não podemos
    certamente esperar grandes mudanças no imediato , até porque fere interesses instalados , que convém defender a todo o custo.

    Vivemos numa sociedade de consumo , em que o indivíduo é cada vez mais
    desprezado , é cada vez mais uma peça numa organização , um “número” ,
    um custo , descartável se necessário . O medíocre para competir , fá-lo com o
    recurso à intriga , ao “ chico espertismo “ , ao desenrasca ; e é assim a vida
    desta gente inútil rumo ao sucesso , a uma promoção , a mais poder .

    A base da mediocridade é a inveja .
    Os medíocres estão sempre atentos à vida do vizinho , do colega , e preocupam-se
    que eles tenham êxito . O êxito dos outros reflectem a sua pequenez , entorpece
    a sua douta imagem , o seu ego .

    É neste clima que Portugal vive faz muitos anos , décadas , séculos !
    Lá de vez em quando , surge um iluminado a dirigir o país ,mas é logo trucidado pelas
    hordas inúteis , não é compreendido , nem aceite .

    São líderes efémeros , demasiado bons para esta corja.

    Agora , com a crise , muita gente sofre em silêncio , com sede de justiça ,
    vítimas dos cortes desumanos , dos despedimentos arbitrários . Estas pessoas são vítimas do apodrecimento da sociedade como um todo , na medida em que esta
    deixou-se engrenar na imbecilidade dos seus líderes .

    O meu caro tocou na ferida , e fez bem fazê-lo , porque qualquer mudança
    em Portugal , não deve assentar em radicalismos , ou em caminhos desprovidos
    de estratégia e sensibilidade humana , mas sim nos valores perenes da solidariedade,
    do reconhecimento do valor do indivíduo , do desejo de partilha de conhecimentos.
    Portugal precisa de uma revolução , não nas ruas , mas de mentalidades.

    Somente um caminho de humildade pode reverter a situação actual.
    Temos que ter esperança que mais pessoas como o Dr , com voz activa , se pronunciem nos mesmos termos do seu artigo - que identifiquem e expressem a repugnância
    destas mentalidades , e exijam um despertar colectivo – “ uma nova ambição “ .
    Falta gente com ideias , e há no entanto muitos “revolucionários” .
    É o paradoxo dos nossos tempos.

    Cumprimentos,

    Luís Gonçalves

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  2. O exemplo que refere deu-se na Empresa Águas de Santarém, em que foram demitidos os “boys” que V.Exa lá colocou á pressa, já na hora da sua despedida. Lamento que o ano passado, na altura em que a "sua" directora geral despediu cabouqueiros, administrativos e a técnica de Laboratório Mónica (que mais tarde até se verificou que muitos deles faziam falta ao normal funcionamento desta casa), de uma forma em que “Não se lhe explicou porque o foram. Não se lhes uma explicação. Não se lhes deu tempo para reorganizarem as suas vidas. Gente com prestígio curricular e trabalho sério e honrado. Tratados como se fossem cães vadios. Decisão tão arbitraria quanto cruel. Que não fala sobre os despedidos. Diz tudo sobre quem brutalmente o decidiu sem olhar a condições de dignidade humana.”. Nessa altura V.Exa remeteu-se ao silêncio, tendo assobiado para o lado. Provávelmente estaria a “apertar os atacadores” ou então ainda não tinha atingido o nível de moral que possui hoje.
    È verdade que essas pessoas despedidas não são filiadas em nenhum partido, não são licenciadas e dificilmente poderão oferecer-lhe a si alguma mais-valia de importância na sua ascensão política.
    É verdade que todos eles eram scalabitanos, pertencentes aquele grupo de saloios que até pagam impostos e votam em Santarém, e não possuem casas no Brasil, logo nunca serão seus vizinhos.
    É verdade que, ao contrário dos quadros que refere, essas pessoas estavam no início das suas vidas e não possuíam “cunhas” ou habilitações literárias suficientes, ficando sujeitos a sofrer durante bastante tempo até se integrarem de novo no atual mercado de trabalho. Por isso talvez seja sua opinião que é assim que devem ser tratados.
    Quando V.Exa refere que “É este o caminho de quem usa o Poder para o arbítrio e para a pesporrência.“, recordo imediatamente o saneamento político que V.Exa executou nos extintos Serviços Municipalizados de Santarém, retirando quadros superiores competentíssimos que eram fundamentais para que a Empresa não se afundasse da maneira como se afundou, sendo agora necessário socorrerem-se do Engº Atouguia para tentarem resolver todos os problemas que vocês arranjaram com o vosso amadorismo. Enfim, Deus lhes perdoe porque vocês não sabem o que fazem.
    Assina alguém que só tem o 9º ano de escolaridade mas que não aceita lições de moral de pessoas que só a têem para servir os seus amigos. Boa sorte para os Oeirenses e que na hora de escolher vejam bem o que vão fazer. Nunca o compadrio em Santarém atingiu os níveis daquilo a que os Scalabitanos assistiram nos últimos anos.

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