terça-feira, 28 de agosto de 2012
Curei-me! Um tipo chamado Stress ia dando cabo de mim!
Aquilo que escrevo foi uma experiência e que traduzo num conselho. Claro que é conselho de 'saber de experiência feito' e perdoe-me algum médico que se meto foice em seara alheia. Mas há um tipo que anda por aí a revolver as entranhas de muita gente, umas vezes tão discreto que mal se sente, outras vezes tão ordinário e tão atrevido que nos põe de rastos. Chama-se Stress, tem ficha policial por homicídio, longo cadastro como agente provocador de doenças que nem nos passam pela cabeça que podem existir. O artista não se vê. Pezinhos de lã, silencioso que parece bem comportado mas é um ordinário em todas as dimensões. Até porque gosta de ser desprezado para atacar melhor. Eu, por exemplo, não ligava a essa coisa, doença de ricos e de gente que não quer trabalhar. Desprezava-o, dizia para comigo mesmo que jamais seria morada de tal bicho e, depois, foi aquilo que se viu.
O tipo é manhoso. Entra sem pedir licença e vai por aí fora e quando estamos distraídos ataca sem hipótese de defesa. Muitos dos enfartes que enviam pessoal em barda para os cemitérios são da sua autoria. Mas, agora que o médico me mandou em paz, que me libertou deste macaco, que me sinto com asas para voar e pernas para dar a volta ao mundo, que descobri outra vez o que é estar de boa saúde, quero partilhar com os meus amigos as astúcias deste tipo.
Quando começar a pensar que o trabalho é a única coisa que existe na sua vida, que se desinteressa de um filme (se gosta de cinema) de teatro (se gostar de teatro) ou de qualquer outra das suas afeições porque ainda tem mais isto para fazer, e mais aquilo, e não tem tempo, e passa dezasseis, dezoito horas agarrado ao trabalho, esquece fins de semana e festas de guarda; quando o sono não vem e vem o recurso ao comprimido para dormir cinco ou seis horas, quando a ansiedade lhe retira o apetite, o computador não responder o irrita, assim como qualquer barulho fora do comum, começa a sentir dores difusas no corpo ou, começam a insistir em determinado local do organismo, está contaminado pelo tipo. Não tem hipóteses. Está entalado e lixado se não puser os mecanismos de defesa a trabalhar. Ou é enfarte que se aproxima, ou hipertensão, ou a ulcerazinha da ordem, ou a colite ou
distúrbios do sono ou outra coisa qualquer. A mim calharam-me divertículos. Coisa que nem sabia que existia e, mesmo sem saber que existia, eles cá estavam. Dores permanente nos intestinos, muitas vezes agudas, internamentos hospitalares, comboios de antibióticos, uma persistência que nós não queremos acreditar que mata. E até mata. O Stress é um natural assassino de distraídos.
Hoje o médico mandou-me á vida. Não quer saber de mim. E o remédio para me safar do tipo até tão simples que, após mês e meio de cura, depois de quase um ano de sofrimento. Exercício físico! Não é tonto ser uma coisa tão simples? Uma hora por dia a caminhar, a nadar, a fazer qualquer coisa que ponha o corpo a mexer e não há bandido deste tipo que entre dentro de nós. Por razões agudas da moléstia vi-me obrigado a recolher. A ficar fechado, uma ou outra ida ao cinema, um ou outro romance lido, e enfiado em casa a escrever ou dormir, ou ver televisão e exercício físico e se as dores regressassem um buscopan para sossegar. Há quinze dias que o Buscopan repousa plácido e quietinho na minha prateleira de medicamentos. E durmo! Os comprimidos foram á vida. E tornou a alegria de partilhar as coisas boas que, até podem ser trabalho, mas deixaram de ser esforço para se tornarem em alegria e prazer. Dei conta do tipo e aconselho-o a livrar-se dele. Corra com esse Stress da sua vida. Ponha-lhe uns patins e mande-o dar uma curva. Levante-se e ponha ao caminho. Uma hora de marcha, uma hora de ginásio, uma hora de piscina, destine essa hora àquilo que entender e mais gostar e, acredite, estou a ajudá-lo a salvar-se de morte certa (que o animal é mesmo assassino) ou doença chata e mal humorada.
Hoje, voltei as costas ao Hospital, com esta paz no coração. Venci o tipo. E foi tão estúpido ter sido agarrado por esse maldito Stress que não consigo deixar de partilhar com todos aqueles que, como eu, passaram anos, vidas, noites e dias, nessa ansiedade maior que é pensar que temos a salvação do mundo nas mãos. Não temos. E a tal horinha só para nós, não agudiza a crise, não altera os destinos da humanidade, e dá-nos alento, força e alegria para vencermos esses desafios que estão aí para serem vencidos.
Dê cabo desse parasita. E não se iluda. Sem saúde nada faz sentido. Com saúde, tudo faz sentido. Até a capacidade de gostarmos um pouco de nós e e muito mais dos outros. Adeus, ó Stress. Vai à vida, pá!
domingo, 5 de agosto de 2012
PELA PAZ NO DIA DE HIROSHIMA
Faz hoje 57 anos que foi lançada a bomba atómica 'Little Boy' sobre a cidade de Hiroshima e os homens puderam assistir á dimensão grandiosa e brutal de um holocausto que, em minutos, arrasou uma cidade inteira.Um facto que marcou o princípio do fim da 2ª Guerra Mundial mas, também ás gerações futuras, nas quais hoje nos incluímos. O horror desse dia, a que se associou o horror das descobertas nos campos de concentração nazis, ficaram como um sinal que marcou o início da luta pela PAZ. Pela procura de horizontes de esperança onde a Liberdade se constrói na tolerância, no respeito pela diferença, na defesa dos direitos humanos. Aprendemos nesses dias de maior tragédia que, por mais que a vertigem do ódio possa abalar a inteligência e transformar os homens nos piores predadores da Terra, lutar pela Paz é lutar pela Vida. Recolho-me num silêncio de oração pela memória de todos aqueles que foram dizimados pela tragédia apocalíptica e reencontro no sacrifício de milhões de mortos inocentes, a força para lutar para que a nossa terra, a nossa gente possa construir o futuro com o direito á esperança. Por mais que doam os dias de crise que hoje vivemos, por mais que se soltem indignações e mágoas, a Paz criativa e exaltante, a Paz culta e libertadora, a Paz fraterna e crítica, será sempre fonte da Vida. Que os mortos descansem am Paz. Que a nossa vida se construa na PAZ.
segunda-feira, 16 de julho de 2012
Suspensão de Mandato e Politiquice
Vai fazer um ano que me foi diagnosticado um problema de divertículos e polipos intestinais. É daquelas doenças que não matam, se formos cautelosos, mas moem. Moem mesmo muito. Ao longo dos últimos nove meses tive três internamentos e períodos dificeis de convalescença. E tenho 59 anos.
Fui preparado numa escola - a PJ - que a doença não é coisa a que se ligue. Quando se trabalha e se vive numa brigada de assaltos á mão armada não há tempo para problemas de saúde. A não ser aqueles que ameaçam com a morte. Mas tenho 59 anos. Esse tempo já passou e a saúde precisa de cuidados que, confesso, não me habituei a ter, vivendo sempre no limite com toda a intensidade, sem olhar a horas nem a noite, nem a cansaços.Quem trabalhou comigo e me conhece , sabe que foi sempre assim. Ainda há poucos meses, saí do hospital directamente para uma Assembleia Municipal. Foi em Dezembro e não fui capaz de aguentar até ao fim. Saí desfalecido, semi-morto de cansaço e dores. Mas ainda assim, fui lá defender os projectos do executivo perante aquela velha retórica do simplismo que vê árvores mas mal lobriga a floresta.
Mas tenho 59 anos e a recuperação desta moléstia obriga a fugir do stress, ao recolhimento, á calma. Em dezembro percebi que não conseguia manter a pedalada que estava habituado desde os velhos tempos. Procurei abrandar e senti-me culpado por isso. Quem viveu 41 anos de serviço público com tanta intensidade não se reconhece quando desacelera. Embora tivesse entregue tudo a Santarém, incluindo este pedaço de saúde que me tem faltado, sentia-me mal. Pedi para me pagarem metade do ordenado. Eu jurei lealdade ás funções que me foram confiadas e sentia que essa lealdade passava por menor retribuição voluntária. Fosse mais cínico e teria continuado como se nada tivesse acontecido. Mas não chego a essa manjedoura da canalhice sem me repugnar. Na altura fui acusado das coisas mais disformes. Eu olho e vejo gente que não sabe o que é isso de viver no limite, longe do conforto, longe da preguiça, sem relógio, sem paixão pelo serviço público e percebo que para cabeças formatadas para essas regiões da modorra espiritual e intelectual seja incompreensível que alguém se voluntarie a perder metade do ordenado porque se sente mais frágil. Compreendo e desculpo. Não somos todos iguais e o império da fortuna manda mais do que qualquer bem espiritual, logo quem acredita noutros valores é importante que seja fustigado pela mediocridade. Aceitei esse castigo sem uma única palavra de protesto.
Mas tenho 59 anos e os médicos que me perseguem os passos, e fiquem a saber que a coisa mais chata do mundo é ter médicos a perseguir-nos os passos, dizem-me que ou abrando ou isto vai dar para o torto. E ameaçam que o torto pode ser muita coisa e nenhuma delas é boa. Abrando a velocidade durante uns tempos, a coisa recompõe-se, e há muita vida e muitos projectos para viver.
Foi neste contexto que chegou a minha reforma, que é menor que o ordenado de presidente da Câmara mas suficiente para viver com a frugalidade com que se habituou a viver um velho polícia, e o honroso convite para, daqui a 16 meses. Ou seja daqui a mais de um ano, concorrer á Câmara de Oeiras.
Pensei com os meus botões que tinha chegado a altura de respeitar as indicações dos chatos dos médicos. Foram sete anos intensamente vividos e a minha saúde já não é o ferro e o aço de outros tempos. Chegou tempo de parar que 59 anos não pesam muito mas pesam o suficiente para pensarmos que a vida ainda tem muito para nos dar e para nós darmos. Por outro lado, tenho um romance entre mãos que procuro terminar e uma série televisiva para escrever. Sossegado. No abrigo da minha casa sem o tal stress que, garantem os clínicos, é o inimigo maior dos meus queridos divertículos.E disto fui sempre dando conta pública. Não escondi que estava prestes a tomar esta decisão. Basta consultar este blogue.
Meti a suspensão do mandato e sei que hoje houve orgia na sessão de Câmara onde foi apresentado. Que isto é poeira para os olhos. Que isto é Oeiras (aquela rapaziada que quer ser opositora nem sabe quando são as eleições num calendário com mais de um ano de distância). Que isto é isto e mais aquilo e mais tantos disparates que auguro que se vão prolongar por uns dias. Mas tenho 59 anos no BI mas de vida vivida julgo ter chegado á idade de Moisés. Talvez nem tanto. Mas que ando pelos 159 anos não tenho muitas dúvidas. Por isso, que escute o ruído com compaixão e com a mesma frontalidade que investi nos meus actos. E a mesma verdade. Não preciso de desculpas de mau pagador para assumir vitórias, derrotas e decisões dificeis. Esta foi difícil mas tenho 59 anos, uma filha com catorze, três netos fabulosos, e quero, preciso de viver mais um bom punhado de anos para os ver crescerem e serem felizes. E grandiosos no pensar. Bem longe das balelas ridículas que tenho de escutar.
Devo dizer que hoje estou contente. O meu neto Henrique faz oito anos e dei um bom avanço no meu romance. Que Deus nos proteja e proteja Santarém do ser e do pensar pequenino, velha e terrível herança da qual presumo que se libertou, pese o ruído e a vulgaridade de alguns dos seus mais activos arautos.
Fui preparado numa escola - a PJ - que a doença não é coisa a que se ligue. Quando se trabalha e se vive numa brigada de assaltos á mão armada não há tempo para problemas de saúde. A não ser aqueles que ameaçam com a morte. Mas tenho 59 anos. Esse tempo já passou e a saúde precisa de cuidados que, confesso, não me habituei a ter, vivendo sempre no limite com toda a intensidade, sem olhar a horas nem a noite, nem a cansaços.Quem trabalhou comigo e me conhece , sabe que foi sempre assim. Ainda há poucos meses, saí do hospital directamente para uma Assembleia Municipal. Foi em Dezembro e não fui capaz de aguentar até ao fim. Saí desfalecido, semi-morto de cansaço e dores. Mas ainda assim, fui lá defender os projectos do executivo perante aquela velha retórica do simplismo que vê árvores mas mal lobriga a floresta.
Mas tenho 59 anos e a recuperação desta moléstia obriga a fugir do stress, ao recolhimento, á calma. Em dezembro percebi que não conseguia manter a pedalada que estava habituado desde os velhos tempos. Procurei abrandar e senti-me culpado por isso. Quem viveu 41 anos de serviço público com tanta intensidade não se reconhece quando desacelera. Embora tivesse entregue tudo a Santarém, incluindo este pedaço de saúde que me tem faltado, sentia-me mal. Pedi para me pagarem metade do ordenado. Eu jurei lealdade ás funções que me foram confiadas e sentia que essa lealdade passava por menor retribuição voluntária. Fosse mais cínico e teria continuado como se nada tivesse acontecido. Mas não chego a essa manjedoura da canalhice sem me repugnar. Na altura fui acusado das coisas mais disformes. Eu olho e vejo gente que não sabe o que é isso de viver no limite, longe do conforto, longe da preguiça, sem relógio, sem paixão pelo serviço público e percebo que para cabeças formatadas para essas regiões da modorra espiritual e intelectual seja incompreensível que alguém se voluntarie a perder metade do ordenado porque se sente mais frágil. Compreendo e desculpo. Não somos todos iguais e o império da fortuna manda mais do que qualquer bem espiritual, logo quem acredita noutros valores é importante que seja fustigado pela mediocridade. Aceitei esse castigo sem uma única palavra de protesto.
Mas tenho 59 anos e os médicos que me perseguem os passos, e fiquem a saber que a coisa mais chata do mundo é ter médicos a perseguir-nos os passos, dizem-me que ou abrando ou isto vai dar para o torto. E ameaçam que o torto pode ser muita coisa e nenhuma delas é boa. Abrando a velocidade durante uns tempos, a coisa recompõe-se, e há muita vida e muitos projectos para viver.
Foi neste contexto que chegou a minha reforma, que é menor que o ordenado de presidente da Câmara mas suficiente para viver com a frugalidade com que se habituou a viver um velho polícia, e o honroso convite para, daqui a 16 meses. Ou seja daqui a mais de um ano, concorrer á Câmara de Oeiras.
Pensei com os meus botões que tinha chegado a altura de respeitar as indicações dos chatos dos médicos. Foram sete anos intensamente vividos e a minha saúde já não é o ferro e o aço de outros tempos. Chegou tempo de parar que 59 anos não pesam muito mas pesam o suficiente para pensarmos que a vida ainda tem muito para nos dar e para nós darmos. Por outro lado, tenho um romance entre mãos que procuro terminar e uma série televisiva para escrever. Sossegado. No abrigo da minha casa sem o tal stress que, garantem os clínicos, é o inimigo maior dos meus queridos divertículos.E disto fui sempre dando conta pública. Não escondi que estava prestes a tomar esta decisão. Basta consultar este blogue.
Meti a suspensão do mandato e sei que hoje houve orgia na sessão de Câmara onde foi apresentado. Que isto é poeira para os olhos. Que isto é Oeiras (aquela rapaziada que quer ser opositora nem sabe quando são as eleições num calendário com mais de um ano de distância). Que isto é isto e mais aquilo e mais tantos disparates que auguro que se vão prolongar por uns dias. Mas tenho 59 anos no BI mas de vida vivida julgo ter chegado á idade de Moisés. Talvez nem tanto. Mas que ando pelos 159 anos não tenho muitas dúvidas. Por isso, que escute o ruído com compaixão e com a mesma frontalidade que investi nos meus actos. E a mesma verdade. Não preciso de desculpas de mau pagador para assumir vitórias, derrotas e decisões dificeis. Esta foi difícil mas tenho 59 anos, uma filha com catorze, três netos fabulosos, e quero, preciso de viver mais um bom punhado de anos para os ver crescerem e serem felizes. E grandiosos no pensar. Bem longe das balelas ridículas que tenho de escutar.
Devo dizer que hoje estou contente. O meu neto Henrique faz oito anos e dei um bom avanço no meu romance. Que Deus nos proteja e proteja Santarém do ser e do pensar pequenino, velha e terrível herança da qual presumo que se libertou, pese o ruído e a vulgaridade de alguns dos seus mais activos arautos.
sábado, 30 de junho de 2012
Parabéns, Sporting!!!
Estás velho. Cento e seis anos de vida é muito para um leão. Eu, que tenho mais ou menos metade da tua idade, já ando em briga com dores tresmalhadas que ora nascem nos joelhos ou nos ombros ou nas costas, sem origem séria nem diagnóstico certo, bem me espanto com a tua longevidade. Tens sido companhia da minha vida. Celebrei a minha idade e o meu tempo, celebrando-te. Posso até dizer que nasci das fintas do Albano e o meu primeiro choro está ligado ao estrondo dos pontapés do Peyroteo e do Travassos fazendo golos que impressionavam o mundo. E lá estavam o Vasques e o Jesus Correia nos dribles e passes de morte. Poderia dizer de outra maneira e proclamar, narcísico, que nasci ao som destes Cinco Violinos. Mas não chego a tanto. Falo de memórias, dessas memórias que palpitam no peito e nascem vitórias e alegrias e comunhões. E por vezes, derrotas. Assim como é a vida. Feita de sonhos, pesadelos, cansaços e canseiras. Cresci, amadureci e comecei a envelhecer assim como tu, meu leão de estimação. Que também te chamaste Seminário e Hilário, ou Carvalho e Damas ou Yazalde e Manuel Fernandes. Ou mesmo Figo. Ou Futre. Ou Cristiano Ronaldo. E que foste olímpico como Carlos Lopes ou recordista mundial como Fernando Mamede ou um galgo de montanhas como Joaquim Agostinho. E tantos outros, e tantos outros, que a minha vida, feita metade da tua, está cheia destes heróis e muitos mais, que construiram irmandades de vencedores, de conquistadores, embora, por vezes, também vencidos. É esse o cerne da alma sportinguista - a dimensão humana. Capaz do melhor. E do pior. Capaz de golear o Manchester e ser sovado pelo mais obscuro clube. De se alcandorar aos píncaros do Olimpo com o seu panteão de deuses, por nós venerados, e depois de soçobrar em qualquer praia quando já a terra está bem á vista.
Mudei de opinião muitas vezes. Descobri formas de pensar que me levaram a pensar de outra forma. Olhei o mundo e a minha rua com olhos diferentes, conforme a idade escorria célere e invisivel entre os dedos. Mas nunca deixei de te ter sempre, em todos os lugares do meu caminho como o entusiasmo que se renova na esperança de mais vitórias e com tolerância (cada vez maior) para os dias de pouca alegria. Estás velho mas és um Leão. Há sempre mais uma alma a despertar em cada rugido e em cada passo da nossa vida comum. Obrigado, fiel companheiro, por tantos anos de viagem. A imortalidade está á tua espera. Quanto a mim, por aqui vou, contigo na lapela e no cachecol, na voz e no coração até que a minha hora chegue e já não haja mais cânticos dentro de mim para te celebrar. Lado a lado, companheiro. Até que a morte nos separe. Viva o Sporting!
quarta-feira, 13 de junho de 2012
Justiça Cega : passou para as quartas na RTPi
Quase um ano volvido desde o seu começo, o programa Justiça Cega da RTPi conquistou o seu espaço e passa agora a estar em antena, ás 4ªs feiras pelas 22 horas. Vai de férias em finais de Julho e regressa em Setembro. Tornou-se num dos programas de maior sucesso da RTPi, multiplicou as audiências, ganhou vida própria e uma referência de debate. Estou satisfeito por contribuir para este êxito mas sobretudo deixo um abraço de apreço e parabéns á RTP pela forma como promoveu a um programa de culto e de larga divulgação um conteúdo que visava apenas um nicho do mercado audiovisual.
segunda-feira, 11 de junho de 2012
Convento de S.Francisco - Uma paixão
Este é o mistério da fé.E dos sonhos. Há três anos era um moribundo. Um saco de entulho. Uma estrumeira. E um indiferença. Quem te memória recorda-se que o Convento de S. Francisco era uma ruína enxovalhada. Tão maltratada que do interior retirámos mais de 10 toneladas de lixo.Era o lugar da visita oficial que terminava invariávelmente no desabafo: isto não pode continuar assim!, e acabava por continuar e sempre pior.Da disputa dos grupos de defesa do património. Havia sempre um projecto que saía do discurso e da bravata. Adjectivado com uma indignação. Muito intelectual a debitar ideias. E pior: muito pretenso intelectual a debitar pesporrência. E no final sempre o mesmo resultado: a impotência, o suspiro dos vencidos.E depois a revolta. Não havia nada a fazer.
Em 2009 enfrentámos o problema.Não queríamos continuar a velar um moribundo á espera do golpe de misericórdia dado pelas intempéries ou pelo espinha dobrada dos vencidos, embora campeões do blábláblá. As élites culturais produzem estes subprodutos que são apenas o blábláblá. Pequeninos, mixordeiros, inutilmente opinativos mas blábláblá. Nem uma acção. Apenas um blábláblá.
Foram três anos de trabalho intenso, de negociações complicadas - até com gritaria histérica e indignada pelo meio - pois ainda há quem se lembre da medalha de Sócrates e dos insultos e beatérios de galinhas cacarejantes a gritar sem perceber aquilo que estava por detrás desse episódio. Os reis do blábláblá quiseram trucidar o presidente da cãmara. Incapazes de perceber a cidade, ridiculos na forma como a pensa á dimensão do seu umbigo calculista, profundamente insensíveis face á memória da cidade e á sua monumentalidade, embora muitos dos bláblás batam penitencias no peito e amor ao património. Mas a caravana avançou! a requalificação realizou e S.Francisco é hoje uma jóia do país. Faltava tapar aquele buraco secular. Um buraco que era a degola do convento e um rasgão na beleza da cidade. E porquê esta teimosia com a rosácea? Sobretudo para dar unidade estética ao espaço público da cidade. Fui eleito para servir Santarém.Não foi para ficar de joelhos, inerte,amesquinhado perante o blábláblá. E lá foi colocada ontem á noite e agora, para quem tiver olhos para ler a cidade compreenderá essa coesão que começa naquela obra bela, grandiosa, renascida e se prolonga com coerencia e uniformemente pelos espaços públicos revitalizados. Não há contabilista de ocasião que não perceba que a cidade é maior que discursos obsessivos, não há noticiário mesquinho, daquele que procura apenas enxovalhar, enlamear e extorquir prebendas, que resista a este testemunho diário, vivido, visitado por milhares. Nunca a pequenez do bláblá submergiu uma cidade. Nem o tacticismo de grupinhos, facções e compadres.E de negociantes de ambições. A cidade agiganta-se desprezando o ruído e ergue-se formosa e bela. Agora ainda mais bela depois deste encontro com a história. E eu tenho o grande orgulho de lhe ter pertencido durante sete anos de paixão sem fim. Porque Santarém permitiu que eu lhe partilhasse a sua gloriosa imortalidade.
segunda-feira, 4 de junho de 2012
Um abraço á Selecção!
Não há grande euforia em torno da selecção. O resultado contra a Turquia mirrou entusiasmos. Os nossos heróis, de há umas semanas atrás, partiram para a Polónia sob o olhar desconfiado dos adeptos que não queriam assobiar nem refilar contra os mestres da bola. Contra o governo, contra a troyca, contra qualquer coisa, a malta está disposta a alinhar em protestos, indignações e inquisições várias. O futebol, e em particular a selecção, foi sempre o sonho de glória. Nunca percebi onde se sedimentava este sonho que alimenta o imaginário colectivo já que nunca ganhámos nenhum campeonato senior. Nem Mundial, nem Europeu. Aliás, o único campeonato Europeu que tivémos mais á mão, aqui, no estádio da Luz, deixámo-lo fugir, vejam bem!, para os...gregos.
Enfim, sem grandes paixões nem grandes expectativas, desejo boa sorte á nossa selecção. Que pelo menos, marquem uns golinhos. Sei de abundantes arcas frigoríficas prenhas de cerveja á espera da celebração de um golito. Ao menos que a malta refresque a alma já que os sonhos da selecção ou acabaram em inesperados despertares ou em pesadelos. E, além disso, quer ganhe ou perca, a nossa esperança maior é que a troyca aprove o próximo empréstimo. Não traz grande alegria, é certo, mas sempre vai dando para a bucha.
Enfim, sem grandes paixões nem grandes expectativas, desejo boa sorte á nossa selecção. Que pelo menos, marquem uns golinhos. Sei de abundantes arcas frigoríficas prenhas de cerveja á espera da celebração de um golito. Ao menos que a malta refresque a alma já que os sonhos da selecção ou acabaram em inesperados despertares ou em pesadelos. E, além disso, quer ganhe ou perca, a nossa esperança maior é que a troyca aprove o próximo empréstimo. Não traz grande alegria, é certo, mas sempre vai dando para a bucha.
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