quinta-feira, 29 de março de 2012
Millôr Fernandes (1923-2012) Era assim...
" A ocasião em que a inteligência do homem mais cresce, sua bondade alcança limites insupeitados e seu carácter uma pureza inimaginável é nas primeiras 24 horas depois da sua morte"
quarta-feira, 28 de março de 2012
Tribunal Nacional da Concorrência em Santarém: feito de pedras e sonhos
De quantas pedras se faz um sonho? De quantos olhares e cansaços? De quantas memórias? De quantos silêncios e canseiras? Hoje lembro-me de ti, António Gedeão. Tu que nos ensinaste que o sonho comanda a vida. Que os sonhos podem trazer no útero, oiro, canela e marfim. E pára raios e locomotivas. E tudo aquilo que uma nau feita de sonhos pode abarcar quando a vontade é maior que todas as tempestades a que ela aproa. Os Tribunais começaram a chegar á antiga Escola Prática de Cavalaria. Vindos do dia em que uma decisão tonta mandou de Santarém partir soldados para Abrantes. Como se fosse uma raivinha de dentes de ressabiados porque, um outro dia, bem mais luminoso por sinal, os mesmos soldadinhos, liderados por capitães, dali saíram para Lisboa para nos entregar a cidadania e a liberdade. Nesse dia do disparate, enquanto as tropas de Cavalaria se despediam de Santarém, sabes, Gedeão, que foi jurado este sonho. Este sonho de fazer renascer as pedras dessa enorma praça da liberdade que ficou tão vazia, tão silenciosa, habitada pela solidão, olhando nostálgica a torre esguia de louvor a S. Bernardo. Eu sei que o sonho comanda a vida.Faço parte do grupo dos crentes. E sei que o mundo pula e avança cada vez que nós sonhamos e, aqui, deu o primeiro grande salto com a requalificação do convento de S. Francisco. Essa jóia que se transformara em lixo. E agora cintila, chamando gente, que sonha, vinda de todas as partes do país e, agora mesmo, Gedeão, neste dia, o sonho ganhou mais pedras e estendeu-se ao colo da ex-EPC, acrescentando vida á vida, entreabrindo novas portas ao novo futuro de justiça e cidadania que ali se revela. Mesmo em frente á parada Chaimite. Á parada militar onde o nosso capitão abriu a fonte da liberdade e deixou as águas escorrerem, libertas, por todas as ruas e praças do nosso país.
Pouco importam, hoje, António, os gemidos ressabiados dos velhos de todos os Restelos, rosnando rancores e venenos. Pouco importa tudo aquilo que não é sonho feito de pedras e com esperança no olhar. Tal como 'esta pedra cinzenta/ em que me sento e descanso' escutando o 'ribeiro manso' que passou por todos os dias andados, feitos de combates, de negociações, de avanços, de recuos, de medos, de coragens, de tudo aquilo que uma pessoa pode viver e não conta porque sabe bem acarinhar memórias ao colo e deixar que o ribeiro se liberte 'em sereno sobressalto'. A ex-EPC torna-se cada vez mais EPC (Escola Prática do Conhecimento) e anda. Anda sempre como aquela nau de sonhos feitos, transformando cada pedra num caminho que se abre ao futuro. Sim, ao futuro, digo bem. Áqueles que por aqui voltarem a passar e perceberem, tal como nos ensinante, Gedeão, que quando queremos, quando sonhamos, quando aceitamos os riscos dos temporais, chegamos sempre sãos, salvos e prontos para outras viagens ao porto em que o 'mundo pula e avança/ como bola colorida/ entre as mãos de uma criança' - a este coração de Santarém que de novo pulsa para a vida.
segunda-feira, 26 de março de 2012
O Braga á frente? Ao menos também é Sporting
Quem havia de dizer? A oito jornadas do fim o Braga salta, num fim de semana, por cima do Benfica e do Porto?! Com o Sporting a milhas, claro. Torço pelos bracarenses. Se ganharem o campeonato é um tiraço na rotina e, ainda por cima, têm 'Sporting' no nome. É pouco o consolo mas a crise não dá para muito mais.
quarta-feira, 21 de março de 2012
DIA MUNDIAL DA POESIA - Evocação do Génio
Do Poema História do Meu Menino Jesus
A Criança Nova que habita onde vivo
Dá-me uma mão a mim
E a outra a tudo que existe
E assim vamos os três pelo caminho que houver,
Saltando e cantando e rindo
E gozando o nosso segredo comum
Que é o saber por toda a parte
Que não há mistério no Mundo
E que tudo vale a pena
...................
Quando eu morrer, filhinho,
Seja eu a criança, o mais pequeno.
Pega-me tu ao colo
E leva-me para dentro da tua casa
Despe o meu ser cansado e humano
E deita-me na tua cama.
E conta-me histórias, caso eu acorde,
Para eu tornar a adormecer.
E dá-me sonhos teus para eu brincar
Até que nasça qualquer dia
Que tu sabes qual é
............................................
segunda-feira, 19 de março de 2012
Dia do Pai: A S. José, ao meu pai, ao pai do meu pai...
Hoje Santarem vive o seu feriado municipal. No dia do Pai.E não posso deixar de evocar o meu pai, o pai do meu pai - o meu avô Francisco -, o pai da minha mãe, o meu avô António e neles, todos os pais, que nos ensinaram a Vida e a fazer dela uma caminhada para a paz, para a fraternidade, para a tolerância. Queria saudar os pais de Santarém, que século após século, pedra a pedra, construíram o sentido colectivo da imortalidade; que dia a dia, hora a hora, tiveram e têm os filhos como horizonte eterno.
Hoje é o dia do Pai.Um dia como qualquer outro para partilhar afectos. Um dia especial para os celebrar. E para agradecer. Obrigado, pai. Hoje que estás já velhote e paradoxalmente és mais meu filho do que pai quero dizer-te que aprendi contigo o valor do trabalho, da dedicação a causas, o valor da humildade perante os grandes desafios da vida. E a não ter medo. A saber que a coragem não é um acto mas uma potência que nos habita. E a desafiar o futuro. E, hoje, grande velhote, meu pai eterno, deixo-te este abraço de amor e gratidão porque foi na tua decência que aprendi o valor da decência e amar os outros como se nossos fossem. E a firmeza. De carácter e de determinação. E a olhar o longe e senti-lo tão pequeno que cabe no nosso abraço. Um bom dia do pai para ti. Um bom dia do pai para todos os pais. E para as mães sem as quais os pais não fazem sentido. E para os seus filhos, a síntese maior do amor perfeito.
sábado, 17 de março de 2012
As Horas de Santarem, a Festa e o PS daqui. Ah, e o Populismo!
Não gosto de hospitais. Não têm alma. São cada vez mais fábrica de reparações. Médicos e Enfermeiros manipulando técnicas e máquinas cada vez mais sofisticadas. Mais sábios, é certo. Transmitindo mais confiança a cada doente. Mas os sons metálicos, as luzes,os odores assépticos, o som de invisíveis motores, as falas, tudo contribui para que nos sintamos com vontade de sair dali. De regressar ao colo da nossa cama. Ao conforto da nossa almofada. A única. A almofada do conforto, amiga, irmã, aquela que conhece o nosso cansaço e os nossos sonhos.
Nesta última, e para já definitiva, convivência hospitalar - instituição que ao longo dos últimos cinco meses tem acompanhado os meus dias - tive por companhia o portátil. Passar os olhos por notícias. Sobretudo ansioso. As festas de S. José em Santarém tornaram-se numa poderosa manifestação de massas e tenho um prazer infinito de ter devolvido a auto-estima a uma cidade que perdera o sentido da sua própria celebração graças aos desleixo e á insensibilidade de quem a governou. Hoje vivem por si.São autónomas. Tem mais procura do que oferta que existe. Regressaram com mais esplendor e com a vitalidade do seu povo, orgulhoso, com a alma límpida, hospitaleiro e amigo. O PS cá da terra nunca perdoou esta espontaneidade popular. Décadas de poder absoluto fizeram-no medroso, embora arrogante. Fanfarrão mas desprezando a essência da soberania popular. A sua cultura, a exibição dessa cultura sem rebuços, nem acantonada nos conventículos dos apaniguados por conta do erário público. Cristalizado na sua verdade fechada, medroso dos espaços abertos. Não tenho dúvidas que se um dia tornar ao poder local uma das primeiras medida vai ser sufocá-las até morram outra vez.
Sei que o povo saiu ás ruas ignorando o ruído de quem só faz e vive do ruído. Com alegria. Bem longe dos sorumbáticos e dos ressabiados que não perceberam a História e não percebem a Vida.
A direcção do PS local tornou-se flatulenta políticamente. O seu prazer é o ruído.Vou dar três exemplos. Escrevi neste blogue, e disse-o na Assembleia Municipal, que a ir em frente esta Lei dos Compromissos, que irá sufocar todas as autarquias do país, accionava os mecanismos do saneamento financeiro da Câmara. Está dito, escrito, e mais que sabido. Suportámos viver seis anos com o fardo das dívidas. Não suportamos viver asfixiados. Eis que, de repente, o presidente do PS local (que eu nunca confundo com o PS, pois são géneros diferentes) faz uma conferência de imprensa exigindo rápidamente o saneamento financeiro da autarquia!!! Ora até esta exigência é uma imprudência, disparada sem jeito, numa altura em que a Associação Nacional de Municipios procura rectificar os seus aspectos mais escabrosos e fazer perceber ao governo que cortar e refrear despesa não é a mesma coisa que matar expectativas.
Outro exemplo: dias antes da tão bendita conferência, recebi vários telefonemas perguntado se neste dia da Cidade eu ia fazer o meu último discurso antes de abandonar o cargo. Alguns referiam que era dia 25 de Abril. Perguntei de onde tinha vindo esse disparate. Era um rumor que corria. Diz na cidade, explicavam. Este 'diz-se na cidade' aprendi com o tempo que é a melhor produção local do boato e da intriga. 'Diz-se na cidade' é a herança inquisitorial da caça ás bruxas, do estímulo de ódios e verdades fabricadas. 'Diz-se', logo é verdade absoluta para qualquer pingarelho armado em Varojão Távora, o célebre inquisidor. Percebi nessa conferencia quem 'dizia' esta. Exigia o presidente da dita que eu cumpirsse o meu mandato, o que não é irrazoável, mas exigindo que eu me recandidatasse. Exigia!!! Já não é um direito constitucional, nem um dever cívico. É uma exigência! Do PSD? Não. Do PS local.Aquele que sofreu a mais humilhante derrota de que há memória. Isto é para levar a sério? Claro que não. Escrevi dezenas de artigos a favor da limitação de mandatos. Tenho mesmo a convicção que os ciclos não deveriam ter mais de seis anos e, sabendo de tudo isto, a direcção do PS local exige que me recandidate. Exige!
Eu sei que começou a campanha eleitoral para este pessoal. Não têm mais nada para fazer.Não espanta o chorrilho de disparates.
3º exemplo: A senhora Idália Serrão não merece que eu lhe bata muito. Devo-lhe,quando era uma sobranceira Secretária de Estado, dois dos melhores escritos que alguma vez escrevi. Foram-lhe dedicados, correram mundo, via internet, recebi aplausos dos cantos da Terra por onde circulou. Eram sobre os seus sapatos de verniz e os meus chinelos. Ou, desfazendo a metáfora, sobre a sua soberba política e a forma desprendida como exerço o poder. Agora é putativa candidata á Câmara de Santarém. Faz bem. Desafiar-se, tentar ganhar, pelo menos uma vez, uma das muitas eleições que a promoveram calmanente sem nunca lhe exigir muito e lhe deram faustosa carreira política, merece apreço. Já não merece tanto aplauso, servir-se das minhas crenças religosas para propôr a chicana e o insulto. Mas estás-lhes na massa do sangue. Á falta de ideias, nada melhor do que o ataque pessoal. Continua exactamente como a encontrei Secretária de Estado. Preocupada com os seus sapatos de verniz.
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