sábado, 17 de março de 2012
sexta-feira, 16 de março de 2012
Santarem - O Dia da Cidade
A anestesista disse-me: Pense em coisas bonitas. Vou pô-lo a dormir. Daqui a bocado está de volta e quero que tenha bons sonhos.
Não é a primeira vez que sou sujeito a uma anestesia. A primeira vez teria aí uns nove anos por causa de uma apendicite. Vem-me á memória esse medo de menino e abro os olhos, escancarados, não vá o cirurgião começar a cortar e eu acordado. Esforço-me para pensar nos meus filhos mas o dia não é bom. Faz hoje anos que a minha mãe faleceu. E vão começar as Festas de S.José, que tanto lutámos para as fazer renascer e eu não estou lá. É um orgulho pôr o povo a celebrar-se, orgulhoso e solidário, permitir que agarrem a sua vida nas mãos e se ergam, construindo os seus próprios destinos. Sei que a Cidade despertou, uma obra que jamais se apagará. Que não cede e é indiferente ao ruído das ambições e das frustrações pessoais dos pequenos e pobres poderes. Tem a força do rio e da lezíria e é pensando nela que adormeço sem perceber como. Será isto a morte? Este apagar súbito da consciência, esta ausência de tempo, tão vazio que se nos escapa no último pestanejar de olhos? A anestesia funciona para mim como um mistério. Não é apenas uma prática clínica. É, do ponto de vista ontológico, um acontecimento.Não apenas a ausência do sentir. É a verdadeira nulidade do ser.O absurdo que se encerra no zero existencial. Sem perguntas, sem respostas, sem inquietações nem quietudes. É o nada. O nada absoluto. Até ao despertar.
O primeiro rosto que vejo é de uma enfermeira que me sorri. Apaziguadora. - Correu bem. Quando tiver mais desperto, preciso que autografe um romance seu.
Vejo, mais tarde, que anda a ler a Fúria das Vinhas. Mas naquele momento pergunto-lhe as horas. Passaram-se três sem saber dos meus sentidos, nem de mim. E dou comigo a imaginar as Festas da Cidade. Vâo começar daí a pouco. Sei que a cidade vai despertar. Imagino os gestos, as pessoas, os cavalos. E rezo. Desde criança sempre me habituei a rezar. Assim como se fosse uma fala com Deus. E agradeço. Agradeço ter-me desperto, liberto daquela anestesia que sabe á ucronia da morte, e peço que proteja Santarém, a cidade mágica que ama o futuro. Que S.José nos acompanhe.
terça-feira, 13 de março de 2012
Festas de S. José - Dia de Santarém
domingo, 11 de março de 2012
As Horas e o Foguetório de um PS populista
O PS de Santarém recorreu ao Anuário, ou melhor, á parte do Anuário que lhe convinha para fazer os seu estardalhaço. Lançou números, exigiu, protestou e, sobretudo, deitou areia para os olhos dos municipes. E deixou contradições profundas que dizem bem do estado de alma, mais ávido de poder do que de compreender ou analisar, que impera por aquelas bandas.
A ideia é esta: atirar com as contas da Câmara de Santarém para cima do actual executivo do PSD, lavar as mãos como Pôncio Pilatos, compôr um ar inocente, o mais cândido possível, tipo meninos da primeira comunhão e dizer: eles são os maus da fita e nós somos os cordeirinhos imolados na ara da má gestão do Moita Flores e do PSD.
É isto. Aproveitar o descontentamento geral com a crise, manipular a história, corrompê-la com o simplismo dos crentes, argumentar banalidades e indignações e, depois, aproveitar a ignorãncia em proveito próprio. Em nome dos valores da democracia e da cidadania.
Comecemos, então, pelo princípio que não é necessáriamente o princípio fundador, mas legitimador desta charla tão medíocre como de mau gosto.
Sábado, 9 de Março de 2002
Diz o então recem-empossado Presidente Rui Barreiro ao Diário de Notícias:
A Câmara de Santarém está tecnicamente falida (...) a capacidade de endividamento do municipio está práticamente esgotada (...) a execução orçamental de 2001, leva-me a dizer que se a câmara fosse uma empresa estava tecnicamente falida (fim de citação)
Deve dizer-se que o Presidente Rui Barreiro recebeu a autarquia de outro ilustre socialista e o mecanismo usado para se defender da 'falência' foi fazer empréstimos.
Nunca mais a dívida da autarquia saiu da boca mais pública que não quer dizer a boca do povo. Em 2005 o PSD ganhava pela primeira vez a eleições, com maioria relativa e, é verdade, levávamos connosco uma proposta para limpar a dívida da autarquia de curto prazo plasmada nas contas através de uma operação de 'leaseback'- a proposta foi apresentada e chumbada por quem? Pelo PS e pela CDU. Chumbada e desde então com uma forçada e esforçada campanha para esquecer esse triste e indigno episódio da vida pública de Santarém.
Desde então, a vida é mais simples que a conversa da treta. Gerimos dívida. Quinze dias depois de tomar posse, o meu gabinete foi penhorado duas vezes, e a história dos mandatos, em termos de tesouraria, foi gerir dívidas ao mesmo tempo que se agudizava a crise, que desapareciam receitas, cortadas pelos PEC's, pelos Orçamentos de Estado, pelos impactos nas receitas próprias que a crise gerou, levando a quebras inimagináveis. E o conflito interno, de todos os dias, foi sempre e,continua a ser o mesmo. Por um lado dívida, por outro a necessidade de investir com recurso ao QREN. E aqui, o PS de Santarém (que não confundo com o PS) não manipula a História. Omite-a e quer enfiá-la na gaveta do esquecimento. Com a ajuda da má-lingua pressurosa de maldizer e sem memória. Os vários Centros Escolares, as remodelações do espaço público, a revolução no saneamento, a modificação completa das escolas e dos espaços de recreio para crianças,as requalificações no centro histórico, a criação de novos espaços públicos, de estradas, de edificios públicos, tudo isto é metido na sargeta do PS local.
ÁGUAS DE SANTAREM
Para esta malta nada vale, embora tudo valha para mergulhar Santarém no torpor da vulgaridade. Começo com esta: Nunca esqueceram as bem amadas Águas do Ribatejo. Sempre quiseram ceder as Àguas de Santarém por tuta e meia. E agora, sem pudor, a propósito do Anuário vêm pedir a cabeça da Directora Geral. Do que é que a culpam? De ser responsável pelo falhanço do concurso para a parceria público-privada, quando esse dossier é da autarquia e nada tem a ver com as Águas de Santarém (empresa). Aproveitando o clima de descontentamento com a imensa obra de saneamento, que sabemos que incomoda, que perturba quotidianos, que aflige devido ao tumulto que se verifica nas redes, a propósito dos preços, das rupturas, do verdadeiro inferno em que se tornam estas empreitadas, vêm lançar farpas contra a Directora Geral. Porquê? No Anuário percebe-se porquê. É que as Águas de Santarém são a 9ª melhor empresa do ranking no que respeita a resultados. Uma empresa municipal sólida só poderia provocar esta ira ao PS de Santarém. Ah, mas nem uma palavra para as suas amadas Águas do Ribatejo incluída nas 15 com os piores resultados no que respeita ao endividamento.
ANUÁRIO E O SIMPLISMO
O Anuário analisa os Municípios segundo vários itens. São quinze ao todo. E o que diz o Anuário? Algumas das coisas que o PS local afirmou. Mas diz mais.
Diz que somos o 13º Municipio no conjunto de 35, aquele que maior peso apresenta de transferências para as freguesias;
Diz que não estamos nos 35 municípios com maior peso de receitas provenientes de impostos
Diz que estamos nos 44 munícipios de dimensão média que não recorreram a empréstimos bancários.
Diz que estamos nos 58 municípios que conseguiram amortizar a totalidade dos empréstimos de curto prazo.
Diz que não estamos nos 50 municipios com maior volume de dívida por habitante.
Diz muito mais. Só recorri a estes itens para mostrar que a verdade é um pouco mais complexo do que o populismo vulgar do PS local.
Isto é bom? Não. Não é. Mas volto a 2002 e á entrevista do Presidente Rui Barreiro, apenas para recordar que hoje temos uma capacidade de endividamento de 10 milhões de euros que não podemos usar porque o crédito está fechado. Aumentámos essa capacidade com a compra da Escola Prática de Cavalaria. Coisa que o PS local nunca viu com bons olhos. Democracia, Liberdade, Direitos de Cidadania, Valores da Cidade são coisas que lhes passa ao lado. Nem conseguem reconhecer a importãncia simbólica, política, local e nacional, que vale a EPC. Espetam com ela no endividamento da autarquia sem um olhar que seja, uma cautela que seja, uma prudencia que seja, para perceber que se comprou para cidade um património que, para além de toda carga simbólica, é um activo poderoso que enriquece o património municipal e que parte dele pode ser alienado por valores muito mais altos do que custou o seu todo.
Mesmo assim, a coisa não chegava aos seus desejados cem milhões de euros e, então, vá de manipular. Como é que chegaram lá? Argumentando com as facturas em conferencia. Nem sabem que elas estão incluidas nas contas oficiais da autarquia. Metem mais e mais até chegar, não á verdade, mas à verdade que desejam construir.
Quando é isto o que o PS local sabe fazer, então, muito pobre é esta pretensa élite política que quer tomar os destinos do concelho nas mãos.
A ideia é esta: atirar com as contas da Câmara de Santarém para cima do actual executivo do PSD, lavar as mãos como Pôncio Pilatos, compôr um ar inocente, o mais cândido possível, tipo meninos da primeira comunhão e dizer: eles são os maus da fita e nós somos os cordeirinhos imolados na ara da má gestão do Moita Flores e do PSD.
É isto. Aproveitar o descontentamento geral com a crise, manipular a história, corrompê-la com o simplismo dos crentes, argumentar banalidades e indignações e, depois, aproveitar a ignorãncia em proveito próprio. Em nome dos valores da democracia e da cidadania.
Comecemos, então, pelo princípio que não é necessáriamente o princípio fundador, mas legitimador desta charla tão medíocre como de mau gosto.
Sábado, 9 de Março de 2002
Diz o então recem-empossado Presidente Rui Barreiro ao Diário de Notícias:
A Câmara de Santarém está tecnicamente falida (...) a capacidade de endividamento do municipio está práticamente esgotada (...) a execução orçamental de 2001, leva-me a dizer que se a câmara fosse uma empresa estava tecnicamente falida (fim de citação)
Deve dizer-se que o Presidente Rui Barreiro recebeu a autarquia de outro ilustre socialista e o mecanismo usado para se defender da 'falência' foi fazer empréstimos.
Nunca mais a dívida da autarquia saiu da boca mais pública que não quer dizer a boca do povo. Em 2005 o PSD ganhava pela primeira vez a eleições, com maioria relativa e, é verdade, levávamos connosco uma proposta para limpar a dívida da autarquia de curto prazo plasmada nas contas através de uma operação de 'leaseback'- a proposta foi apresentada e chumbada por quem? Pelo PS e pela CDU. Chumbada e desde então com uma forçada e esforçada campanha para esquecer esse triste e indigno episódio da vida pública de Santarém.
Desde então, a vida é mais simples que a conversa da treta. Gerimos dívida. Quinze dias depois de tomar posse, o meu gabinete foi penhorado duas vezes, e a história dos mandatos, em termos de tesouraria, foi gerir dívidas ao mesmo tempo que se agudizava a crise, que desapareciam receitas, cortadas pelos PEC's, pelos Orçamentos de Estado, pelos impactos nas receitas próprias que a crise gerou, levando a quebras inimagináveis. E o conflito interno, de todos os dias, foi sempre e,continua a ser o mesmo. Por um lado dívida, por outro a necessidade de investir com recurso ao QREN. E aqui, o PS de Santarém (que não confundo com o PS) não manipula a História. Omite-a e quer enfiá-la na gaveta do esquecimento. Com a ajuda da má-lingua pressurosa de maldizer e sem memória. Os vários Centros Escolares, as remodelações do espaço público, a revolução no saneamento, a modificação completa das escolas e dos espaços de recreio para crianças,as requalificações no centro histórico, a criação de novos espaços públicos, de estradas, de edificios públicos, tudo isto é metido na sargeta do PS local.
ÁGUAS DE SANTAREM
Para esta malta nada vale, embora tudo valha para mergulhar Santarém no torpor da vulgaridade. Começo com esta: Nunca esqueceram as bem amadas Águas do Ribatejo. Sempre quiseram ceder as Àguas de Santarém por tuta e meia. E agora, sem pudor, a propósito do Anuário vêm pedir a cabeça da Directora Geral. Do que é que a culpam? De ser responsável pelo falhanço do concurso para a parceria público-privada, quando esse dossier é da autarquia e nada tem a ver com as Águas de Santarém (empresa). Aproveitando o clima de descontentamento com a imensa obra de saneamento, que sabemos que incomoda, que perturba quotidianos, que aflige devido ao tumulto que se verifica nas redes, a propósito dos preços, das rupturas, do verdadeiro inferno em que se tornam estas empreitadas, vêm lançar farpas contra a Directora Geral. Porquê? No Anuário percebe-se porquê. É que as Águas de Santarém são a 9ª melhor empresa do ranking no que respeita a resultados. Uma empresa municipal sólida só poderia provocar esta ira ao PS de Santarém. Ah, mas nem uma palavra para as suas amadas Águas do Ribatejo incluída nas 15 com os piores resultados no que respeita ao endividamento.
ANUÁRIO E O SIMPLISMO
O Anuário analisa os Municípios segundo vários itens. São quinze ao todo. E o que diz o Anuário? Algumas das coisas que o PS local afirmou. Mas diz mais.
Diz que somos o 13º Municipio no conjunto de 35, aquele que maior peso apresenta de transferências para as freguesias;
Diz que não estamos nos 35 municípios com maior peso de receitas provenientes de impostos
Diz que estamos nos 44 munícipios de dimensão média que não recorreram a empréstimos bancários.
Diz que estamos nos 58 municípios que conseguiram amortizar a totalidade dos empréstimos de curto prazo.
Diz que não estamos nos 50 municipios com maior volume de dívida por habitante.
Diz muito mais. Só recorri a estes itens para mostrar que a verdade é um pouco mais complexo do que o populismo vulgar do PS local.
Isto é bom? Não. Não é. Mas volto a 2002 e á entrevista do Presidente Rui Barreiro, apenas para recordar que hoje temos uma capacidade de endividamento de 10 milhões de euros que não podemos usar porque o crédito está fechado. Aumentámos essa capacidade com a compra da Escola Prática de Cavalaria. Coisa que o PS local nunca viu com bons olhos. Democracia, Liberdade, Direitos de Cidadania, Valores da Cidade são coisas que lhes passa ao lado. Nem conseguem reconhecer a importãncia simbólica, política, local e nacional, que vale a EPC. Espetam com ela no endividamento da autarquia sem um olhar que seja, uma cautela que seja, uma prudencia que seja, para perceber que se comprou para cidade um património que, para além de toda carga simbólica, é um activo poderoso que enriquece o património municipal e que parte dele pode ser alienado por valores muito mais altos do que custou o seu todo.
Mesmo assim, a coisa não chegava aos seus desejados cem milhões de euros e, então, vá de manipular. Como é que chegaram lá? Argumentando com as facturas em conferencia. Nem sabem que elas estão incluidas nas contas oficiais da autarquia. Metem mais e mais até chegar, não á verdade, mas à verdade que desejam construir.
Quando é isto o que o PS local sabe fazer, então, muito pobre é esta pretensa élite política que quer tomar os destinos do concelho nas mãos.
domingo, 4 de março de 2012
As Horas e os Dias
2ª feira - A manhã começa com a reunião da Câmara.Decorre em ambiente ameno e electrónicamente complicado. Há três anos desmaterializámos estas reuniões. Na altura fizeram-se contas e representavam um número astronómico de toneladas de papel que todos os anos eram consumidos nestas sessões. A alternativa seria colocar todos os vereadores em rede informática e desvincular os debates do papel e passar a fazê-los via intranet. Foi uma boa aposta. O trabalho tornou-se mais produtivo, a leitura dos documentos mais fácil e acelerou a eficácia. Desde que não acontecem os desnortes informáticos, caprichos e mistérios que tornam os computadores preguiçosos, malcriados porque não respondem ás teclas e lentos, gozões, brincando com a nossa ignorância. Particularmente com o meu analfabetismo estrutural no que respeita aos segredos da informática.E é sempre com um espanto de admiração que vejo o técnico chegar, fazer uma clique num item que jamais eu encontraria e, de repente, tudo ficar a funcionar como um relógio suiço. Na verdade, o computador é uma ferramenta extraordinária, até muito simples, mas cujo nível de amizade está muito relacionada com a idade do utilizador. Venho de um tempo antigo em que a máquina de dactilografar era a rainha soberana de todas as secretárias. Aliás, no meu curso de investigação criminal era disciplina obrigatória ao lado do Código Penal, da Criminologia e da Medicina Legal. Agora é peça de museu. Por vezes, dou comigo a medir o tempo conforme as máquinas. A minha adolescência e juventude foi regida sob os auspícios da máquina de dactilografar mecânica. Quando entrei para a PJ, para além do crachá, da pistola e das algemas, era o utensílio decisivo. Naquele tempo, o único computador, uma coisa enorme que processava vencimentos, habitava um cubículo, tipo santuário, onde se entrava com cartão codificado. Ali residia a grande máquina que por artes extraordinárias realizava o trabalho de não sei quantos funcionários. E democratizou-se o upgrade da máquina de dactilografar uns anos depois. Era eléctrica. Tinha corretor de erros, era mais suave e mais rápida e olhávamos para ela, maravilhados com os avanços da tecnologia. Mal sabíamos que tinha hora marcada para o funeral. Estava para breve a irrupção dos computadores.Cada vez mais pequenos, cada vez menos distantes e frios, em multiplicação rápida como células reprodutoras de coelhos. Perderam a dimensão sacral e rápidamente entraram na vulgaridade. Uma banalidade quando chegaram os portáteis e cada vez mais substitutos da memória humana.Esta verdadeira revolução vinculou-nos á máquina. Ela é arquivo, testemunho, biblioteca, fonoteca, videoteca, uma verdadeira dependência.E tornou-se a nossa circunstãncia essencial. Sobretudo quando chegou o telemóvel com as hiperligações á rede informática.
3ª feira - As reuniões do costume. Uma delas importantíssima com a equipa que está a desenhar o novo PDM. Espera-se que o trabalho esteja pronto no final do ano e, assim, acabar de vez com o pesadelo que é o planeamento do território em Santarém. Existem dois momentos decisivos para o não arranque de um desenvolvimento sustentado do concelho. O primeiro acontece nos inícios da década de 60 do século passado, durante o acelerado processo de industrialização em torno de Lisboa, forças dominantes resistiram á chegada das novas fábricas. Temia-se a migração do proletariado rural, com mão de obra barata, para as novas unidades industriais, depauperando os campos. Esses níveis de resistência abriram as portas para a concentração na peninsula de Setúbal. E a uma perversão: os campos foram mesmo abandonados e a mão de obra assalariada abandonou, em sucessivos magostes, o concelho. A agricultura perdia nesse tempo o protagonismo para o robustecimento índustrial do país.
A segunda oportunidade perdida foi a elaboração do PDM de 1995. Feito á pressa por necessidade de recurso a fundos estruturais.Afinal perderam-se grande parte desses fundos e herdámos outro problema bicudo. Embora tivesse protegido a cidade, desarticulou o concelho, retalhando-o a eito. A burocracia do Estado fez o resto. O verdadeiro cancro do país. A chaga, como lhe chamaria Eça. Fazer passar um PDM, ou uma mera alteração do PDM, leva anos. Uma alteração que pedimos logo em 2005 para refazer os aglomerados populacionais do norte do concelho, retalhados indiscriminadamente por RAN's e REN's foi concluída o ano passado! Dezenas de reuniões, centenas de estudos e pedidos de esclarecimentos. Burocratas impantes de poder indiferentes a argumentos deste tipo: Ó senhor Dr.quando desenharam o PDM a igreja e o largo principal de Viegas já existiam há séculos. Ficaram em REN! E a resposta medíocre, fazendo valer a norma sobre o direito á vida comunitária, redundava num judicioso e inconclusivo: Temos de ver isso.
Vou para Lisboa. Ás 17.30 há reunião do Ministério da Justiça para o último balanço de obra sobre os tribunais. O da concorrência tem de estar em funcionamento em Abril por decisão da troyka. Discutimos acertos finais e já saio atrasado para o aeroporto. Parto no voo da noite para Luanda numa viagem á desfilada. Uma noite no avião, fazer a conferência, dormir e regressar na noite seguinte. Duas noites sem dormir em três dias. Vi pouco mas aquilo que vi, impressionou-me. Uma cidade que desperta, pujante, ruidosa, que se ergue da ruína e lentamente, mas com força, regressa a quotidianos de prosperidade. Saíu de uma guerra terrível há pouco mais de uma década e reconstrói-se, grandiosa e próspera. Parece uma enorme estaleiro. Obras gigantescas, sobretudo aquela que está a modificar a mobilidade da baixa e acesso ao porto e percebi como eram injustas as críticas a Miguel Relvas. Ele teve a percepção de uma das maiores evidências que se metem olhos dentros quando cruzamos as avenidas e ruas: a maior parte das empresas que reconstrói Luanda, são portuguesas. Milhares de operários, seguramente centenas de empresas subsidiárias ás grandes construtoras, também assegurando empregos a milhares, uma escora bem firme para resistir á crise europeia e nacional. Miguel Relvas percebeu aquilo que a retórica política mais apreciada, na ânsia de maldizer, ignorou. Angola é um dos cantos do mundo que melhor ajuda o País exaurido em que labutamos. Tratar bem quem nos ajuda é um acto de política pragmática sem escolhos.
O avião chega pela madrugada a Lisboa. Descobri uma empresa que aconselho. Foi o meu filho que me ensinou. Chama-se Lavacolla e é um achado. Para quem não tem tempo a perder com lavagens de carros, chama-a. Vai buscar o nosso carro ás partidas. Guardam-no. Á chegada vêm entregá-lo nas Chegadas, lavadinho e aspirado, e tudo isto custa metade do preço dos parques públicos de estacionamento. Nem conhecia o meu carro quando o vi. Estava um brinco.Regresso a Santarém. Pelo caminho recebo a confirmação da notícia. Vou ser internado dia 14 e sei que vou falhar as Festas da Cidade.Um dos prazeres grandes destes mandatos. Revificar alma escalabitana, criar condições para a sua reprodução social sem necessidade de impulsos políticos. Desde o ano passado que se autonomizaram. Deixaram de depender da Câmara, pagando-se a si próprias, pelos patrocinadores e feirantes que perceberam a grandiosidade deste encontro com as tradições, com a cultura, com os afectos. São milhares de pessoas que ali acorrem e reconstituem laços psico-afectivos celebrando Santarém. Espero, mesmo assim, ainda ser capaz de estar nas celebrações de dia 19.
Ao fim da tarde, chega a melhor notícia. Mas ainda é cedo para a divulgar.Mas se consolidar aquilo que fomos informados o problema de finanças da autarquia estará resolvido no primeiro semestre do ano. S. José olhará por nós.
sábado, 3 de março de 2012
Jorge Jesus 2 - Vitor Pereira 3
Ontem o Benfica-Porto mereciam empatar. Mas o Vitor Pereira deu baile a Jorge Jesus, no que respeitou a substituições e organização do jogo, e a vitória acabou por ser justa, mesmo com um árbitro ceguinho. Dava-nos jeito que tivessem empatado. Paciência. Parabéns aos Dragões!
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